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Rouhani Meter e a arte de checar o governo do Irã

Fundadora | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
11.jul.2017 | 15h46 |

Em 2013, o então candidato à presidência do Irã Hassan Rouhani prometeu criar o Ministério das Mulheres. Disse que agiria de forma aberta para garantir a segurança das iranianas em espaços públicos e afirmou que diminuiria a censura que tanto afeta a indústria cinematográfica de seu país. Até hoje, no entanto, não deu andamento a nenhum desses projetos. E é isso o que mostra o Rouhani Meter, a única plataforma de checagem do mundo a acompanhar de perto o governo iraniano.

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Quando Rouhani tomou posse, o mundo do fact-checking (checagem de fatos) tinha certeza de que nenhum jornalista ou estudioso teria condições de acompanhar seu governo de forma transparente. O advogado e ex-clérigo assumia um país fechado, com poucos dados públicos e que tinha sido classificado como membro do “Eixo do Mal” por um ex-presidente dos Estados Unidos.

Mas o jovem iraniano Farhad Souzanchi provou que o mundo da checagem estava errado. Morando a 9,8 mil quilômetros de distância de Teerã, em Toronto, no Canadá, montou e colocou no ar o promessômetro de Hassan Rouhani.

Hoje, com a ajuda de uma equipe de refugiados e com o apoio da Escola Munk de Relações Internacionais, da Universidade de Toronto, acompanha a evolução de promessas presidenciais, publicando suas conclusões tanto em inglês quanto em persa.

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Por questões de segurança, Souzanchi não aparece em nenhuma foto. Não usa seu nome oficial e não mantém contato com a família, que ainda vive em sua cidade-natal. Pela mesma razão, mantém o Telegram (aplicativo de mensagens por celular) como o principal meio de comunicação.

“As mensagens no Telegram são criptografadas. Só por meio delas, recebo pedidos de informação dos leitores interessados em saber sobre Rouhani. E, só por meio delas, consigo respondê-los com segurança”, contou Souzanchi, numa das mesas de debate do Global Fact 4. O maior encontro de checadores do mundo aconteceu em Madri na semana passada e reuniu quase 200 fact-checkers comprometidos com a busca da verdade.

Em entrevista concedida ao Poynter Institute recentemente, o checador iraniano destacou que, durante sua campanha, Rouhani se apresentou como uma figura moderada. Disse que “ajustaria a imagem internacional de seus país” à modernidade e fez várias promessas. Em 10 de julho de 2017, no entanto, das 74 monitoradas, 24 haviam sido cumpridas; 13 estavam abaixo do prometido; 12, em progresso; 6, instaladas; 12 não haviam sido alcançadas e 7 estavam totalmente inativas. Entre as promessas cumpridas, constava, por exemplo, o aumento de transparência sobre o programa nuclear.

O avanço do Rouhani Meter fez com que a plataforma fosse bloqueada no Irã um mês depois de lançada. Hoje, para acessá-la a partir de território iraniano, é preciso burlar o bloqueio. Mas, ao falar do assunto, Souzanchi dá de ombros. A maioria dos usuários é jovem e domina bem essas ferramentas. Para quem não domina essas técnicas, há a opção de receber as checagens por newsletters. Prova de que quem quer checar dados checa de qualquer jeito. Não importa quão difícil possa ser.

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