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Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom / Agência Brasil
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Deputados erram ao falar da denúncia contra o presidente Michel Temer

Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
12.jul.2017 | 08h00 |

Nesta semana, a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados pode voltar a analisar a denúncia apresentada contra o presidente Michel Temer após a delação da JBS. Na segunda-feira (10), o deputado Sergio Zveiter, relator do caso, deu parecer favorável e defendeu o prosseguimento das investigações. Desde então, parlamentares governistas e de oposição debatem o assunto publicamente. A Lupa vem checando alguns desses argumentos. Siga este levantamento:

“Quero destacar que nenhum escândalo de corrupção ocorreu neste governo”
Deputado federal Carlos Marun (PMDB-MS)

FALSO

Em pouco mais de um ano, o governo Temer perdeu nove ministros. Seis deles por casos relacionados a corrupção. O ex-ministro do Planejamento Romero Jucá foi gravado pelo ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado debatendo um pacto para “estancar a sangria” provocada pela Operação Lava Jato, que investiga corrupção.

O ex-ministro Fabiano Silveira (Fiscalização, Transparência e Controle) também foi gravado criticando a mesma operação. Na época fazia parte do Conselho Nacional de Justiça.

Henrique Eduardo Alves, que atuou como ministro do Turismo, foi citado como beneficiário de propina na delação de Sérgio Machado.

O ex-ministro da Advocacia Geral da União (AGU) Fabio Medina Osório deixou o cargo alegando que havia sido pressionado pelo Palácio do Planalto para abafar a Lava Jato.

Marcelo Calero (Cultura) e Geddel Vieira Lima (Secretaria de Governo) saíram do governo após escândalo envolvendo um apartamento em Salvador. Calero acusou Geddel de pressioná-lo para liberar o avanço de uma obra embargada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.


“[Trata-se de] Um farto conjunto probatório [contra Temer], que começa com uma gravação. Aliás, a gravação de Rodrigo Rocha Loures com Joesley [foi feita] antes do encontro com o presidente”
Deputado federal Alessandro Molon (Rede-RJ)

FALSO

Diferente do que menciona o deputado da Rede, a primeira gravação efetuada pelo empresário Joesley Batista foi, sim, com o presidente Michel Temer. De acordo com os documentos entregues pela Procuradoria Geral da República ao Supremo Tribunal Federal (STF), a gravação com o presidente ocorreu no dia 7 de março, e as duas gravações com o ex-deputado federal Rodrigo Rocha Loures, em 13 e 16 de março, ou seja, depois do encontro com o presidente e não antes como mencionou Molon.


“Não é por acaso que, depois da denúncia que foi feita contra Michel Temer, Eduardo Cunha apresentou junto ao MPF cem anexos de delação premiada”
Deputado federal Paulo Teixeira (PT-SP)

AINDA É CEDO PARA DIZER

O advogado de Eduardo Cunha negou, mais de uma vez, que seu cliente pretenda fazer acordo de colaboração premiada com o MPF. A Procuradoria Geral da República e a Força Tarefa da Lava Jato do MPF no Paraná informaram que não comentam eventuais acordos. Reportagens da Folha e do Buzzfeed, porém, informam que ele já está em negociação. É praxe que colaboradores só confirmem oficialmente acordos após a homologação feita pelo Supremo Tribunal Federal. Assim evitam possíveis nulidades do processo.


“Trinta e quatro dias antes da gravação (feita por Joesley Batista com Temer) um assessor do procurador de Justiça sai, renuncia a um dos cargos mais desejados da função pública e vai trabalhar onde? Na JBS”
Deputado federal Alceu Moreira (PMDB-RS)

FALSO

A pessoa a que o deputado se refere é o ex-procurador Marcelo Miller. Em 4 de março deste ano, três dias antes de o empresário gravar o presidente, Miller pediu para ser exonerado do cargo. De acordo com o Diário Oficial, esse afastamento ocorreu em 5 de abril. A revelação do conteúdo das gravações feitas pelo dono da JBS só veio à tona em 17 de maio. Além disso, Miller deixou o Ministério Público Federal para trabalhar no escritório de advocacia Trench Rossi Watanabe – e não na JBS como dito pelo deputado. Segundo a Procuradoria da República no Distrito Federal, esse escritório representou a holding J&F nas negociações do acordo de leniência da controladora da JBS, mas não participou do processo de delação que Joesley fez à PGR. Hoje a Procuradoria investiga a atuação de Miller no caso.

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