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Foto: Wilson Dias / Agência Brasil
Foto: Wilson Dias / Agência Brasil

Nos microfones da Câmara: erros sobre economia, política e país

Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
04.ago.2017 | 06h00 |

Na sessão plenária da última quarta-feira (2), quando os deputados federais decidiram que o Supremo Tribunal Federal não poderia processar o presidente Michel Temer por corrupção passiva, os discursos – a favor e contra – duraram mais de 12h. A Lupa selecionou algumas frases ditas ao longo dessa jornada e avaliou seu grau de veracidade. Veja a seguir os resultados.

“Na votação do impeachment de Dilma Rousseff, foi gastado mais do que o dobro de emendas empenhadas para tentar cooptar deputados”
Arthur Lira (PP-AL)

FALSO

Levantamento feito pelo Contas Abertas no Sistema Integrado de Administração Financeira (Siafi) mostra que entre dezembro de 2015, quando o então presidente da Câmara, o deputado Eduardo Cunha, aceitou o pedido de impeachment da presidente, e abril de 2016, quando a Casa se posicionou de forma favorável a ele, foi empenhado um total de R$ 1,1 bilhão em emendas parlamentares, incluindo o destinado para deputados e senadores. Desde junho, quando a Câmara recebeu a denúncia contra o presidente Michel Temer, foram empenhados R$ 4,1 bilhões.


“Não são só os deputados do governo que têm recebido recursos para beneficiar suas cidades, não”
Carlos Henrique Gaguin (Pode-TO)

VERDADEIRO, MAS

O estudo do Contas Abertas indica que apenas 48 dos 513 deputados federais não tiveram emendas parlamentares empenhadas pelo governo ao longo deste ano. Entre aqueles quem mais recursos obtiveram, no entanto, a maioria é da base governista. Dos 17 deputados que conseguiram mais de R$ 10 milhões desde junho – época em que a Câmara recebeu a denúncia contra o presidente Michel Temer – apenas dois são da oposição: Alice Portugal (PCdoB-BA) e Assis do Couto (PDT-PR).


“O povo não está tão contrário ao presidente Temer”
Júlio Lopes (PP-RJ)

FALSO

Pesquisa divulgada pelo Datafolha em 24 de junho mostrou que a aprovação do governo Temer era de apenas 7% – o menor índice desde 1989, quando o então presidente José Sarney tinha 5% de popularidade e enfrentava a crise da hiperinflação. A pesquisa também mostrou que o índice estava em queda desde julho de 2016, quando Temer era bem avaliado como “ótimo e bom” por 14% dos entrevistados. No sentido oposto, ia a curva dos que consideravam o governo “ruim e péssimo”. Há um ano, esse grupo representava 31% dos entrevistados. Ao fim de junho, 69%. Pesquisas do Ibope também refletem a desaprovação. Segundo avaliação publicada em 18 de julho, a popularidade de Temer apresentou forte queda desde março, tendo atingido seu pior nível. “A administração do presidente é considerada ruim ou péssima por 70% dos entrevistados, 15 pontos percentuais a mais do que em março”.


“Doze ministros-deputados voltaram correndo para o Congresso [para votar]”
Ivan Valente (PSOL-SP)

EXAGERADO

A votação da denúncia contra Temer contou com a participação de dez ministros-deputados – não 12. Não participaram da sessão da última quarta-feira os ministros da Saúde, Ricardo Barros (PP-PR), e da Defesa, Raul Jungmann (PPS-PE). Os dois também integram a base do governo Michel Temer.


“O presidente Michel Temer pegou (…) um país com 14 milhões de desempregados”
Baleia Rossi (PMDB-SP)

EXAGERADO

Dados do IBGE mostram que, no primeiro trimestre de 2016, pouco antes do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, o Brasil tinha 11 milhões de desempregados. E, de lá para cá, o número ainda cresceu. No primeiro trimestre deste ano, o país tinha 14 milhões de pessoas desocupadas.


“Na PEC do Teto (…) nosso [do PSDB] comprometimento [com as reformas] foi maior do que o do próprio PMDB”
Ricardo Tripoli (PSDB-SP)

FALSO

Na sessão plenária de 26 de outubro de 2016, quando a Câmara fez o segundo turno de votações sobre a PEC do Teto, o PSDB tinha 46 deputados na Casa – todos votaram a favor da proposta. O PMDB, por sua vez, tinha 64 representantes. Todos também apoiaram a emenda.

*Hellen Guimarães sob a supervisão de Juliana Dal Piva.

**Esta reportagem foi publicada pela edição impressa do jornal Folha de S.Paulo no dia 4 de agosto de 2017.

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