A PRIMEIRA AGÊNCIA DE FACT-CHECKING DO BRASIL

De olho nos discursos e nas entrevistas de Ciro Gomes e Jair Bolsonaro

Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
16.ago.2017 | 06h00 |

Na semana passada, Ciro Gomes e Jair Bolsonaro participaram de eventos e concederam entrevistas discutindo diferentes temas da agenda política – já de olho nas eleições presidenciais em 2018. Ambos defenderam suas opiniões, utilizando informações equivocadas. Confira abaixo algumas delas.

“Minha briga nunca foi contra o homossexual”

Jair Bolsonaro, em discurso feito durante evento do PEN no RJRECORTES-POSTS-CONTRADITORIOEm maio de 2002, o deputado federal Jair Bolsonaro deu uma entrevista ao jornal Folha de S.Paulo e disse a seguinte frase: “se eu vir dois homens se beijando na rua, vou bater”.  Em 2010, no programa “Participação Popular” da TV Câmara, o deputado também disse o seguinte: quando “o filho começa a ficar assim meio gayzinho, leva um coro, ele muda o comportamento dele”. Depois disso, em 2011, criticou o PSOL e afirmou: “Ninguém gosta de homossexual. A gente suporta.” Procurado, Bolsonaro disse que não iria “tomar posição sobre esse assunto.”  


 

“Recebi sim [R$ 200 mil], mas está lá no TRE que a origem daquele dinheiro é o fundo partidário”

Jair Bolsonaro, em discurso feito durante evento do PEN no RJRECORTES-POSTS-VERDADEIRO-MASBolsonaro usou o evento para se defender de acusações feitas por Ciro Gomes no dia anterior, em entrevista à Jovem Pan. Ciro disse que a JBS tinha depositado dinheiro na conta de campanha do deputado. Mas os dados do Tribunal Superior Eleitoral não mostram isso. Nas duas prestações de contas parciais apresentadas ao TSE, Bolsonaro declarou ter recebido R$ 200 mil em 24 de julho de 2014 (1ª parcial e 2ª parcial). No registro, ficou demonstrado que o valor foi enviado pela direção nacional de seu então partido, o PP, e que a origem desse montante é o fundo partidário. No entanto, na prestação de contas final surgiu um cheque de R$ 200 mil enviado igualmente pela direção nacional do PP e que tinha como fonte do recurso a empresa JBS. Este cheque aparece no sistema como tendo sido devolvido ao partido no dia 23 de julho – antes mesmo de ter sido registrado como recebido oficialmente.


 

“[Dinheiro da JBS] Não está na prestação de contas dele [Flávio Bolsonaro]”

Jair Bolsonaro, em discurso feito durante evento do PEN no RJRECORTES-POSTS-VERDADEIRO-MAS No sistema de prestação de contas do TSE, o deputado estadual Flávio Bolsonaro (PSC-RJ), filho de Jair, registrou como suas receitas um total de R$ 215.724,00. Desse montante, R$ 100 mil vieram da direção nacional do PP, partido do então candidato. Esse primeiro repasse tem como fonte o fundo partidário.

Mas também foram registrados outros R$ 100 mil que também vieram do partido, só que sem identificação da fonte original. No sistema consta apenas “outros recursos”. O valor também foi devolvido por Flávio Bolsonaro ao PP e, na declaração de despesas, constava como sendo originalmente da JBS.


 

“Nunca respondi a um inquérito”

Ciro Gomes em entrevista ao El PaísRecortes-Posts_FALSOCiro é alvo de uma ação por improbidade administrativa, movida pelo Ministério Público Federal em 2015, referente ao período em que ele foi secretário de Saúde do Ceará. Ciro e outras quatro pessoas são apontadas como responsáveis por irregularidades na implantação do Samu. Segundo o MPF, a Cooperativa de Trabalho de Atendimento Pré-Hospitalar foi contratada sem ter médicos habilitados para prestar o serviço. As investigações mostraram que a dispensa de licitação foi irregular.

Além disso, neste ano, o MPF também ajuizou uma nova ação que envolve Ciro – referente ao período em que ele foi ministro da Integração Nacional, no governo Lula. O MPF aponta irregularidades em um convênio entre a construtora Odebrecht, União e governo alagoano para realização de obras de combate à seca. O MPF aponta que vários aditivos ao contrato foram celebrados – alguns assinados por Ciro – e que houve um prejuízo de R$ 450 milhões ao erário público. O órgão pede o bloqueio de bens de Ciro e de outros políticos. Procurado, Ciro informou, por nota, que só quem faz inquérito é a polícia e reafirmou o que disse. Mas no site do MPF é publicamente explicado quando procuradores abrem esse tipo de procedimento.


 

“Sou a favor da Lava Jato, nunca deixei ninguém duvidar disso”

Ciro Gomes em entrevista à rádio Jovem PanRECORTES-POSTS-CONTRADITORIOO pré-candidato já fez duras críticas à operação. Em março, afirmou que “receberia à bala” a “turma do juiz Sérgio Moro”, caso fosse expedido contra ele um mandado de prisão. Naquele dia, Ciro criticava a condução coercitiva do jornalista Eduardo Guimarães, editor do Blog da Cidadania.

Procurado, o presidenciável disse, por nota, que não há contradição: “Ciro Gomes sempre disse que a Lava Jato pode ser muito importante para o Brasil se não cometer erros como os praticados, por exemplo, pela Operação Satiagraha”.


 

“Eu fui governador, ministro da Fazenda e prefeito de capital. Repare, eu já administrei e saí pela porta da frente como o mais popular do Brasil”

Ciro Gomes em entrevista à rádio Jovem PanRECORTES-POSTS-VERDADEIRONa Jovem Pan, Ciro Gomes acertou ao dizer que deixou o governo do Ceará como o governador mais popular do Brasil.  Em setembro de 1994, pesquisa Datafolha mostrou que ele tinha o mais alto índice de aprovação entre 12 governadores avaliados. À época, 74% dos cearenses consideravam seu governo ótimo ou bom, e apenas 5% avaliaram seu governo negativamente. Naquele mesmo mês, Ciro deixou o cargo no Ceará para assumir o Ministério da Fazenda, no governo do ex-presidente Itamar Franco.

*Esta reportagem foi publicada na edição impressa do jornal Folha de S.Paulo no dia 16 de agosto de 2017.

ciro e jb folha

Leia outras checagens de ‘País’ / Outras publicadas neste mês / Volte à home

O conteúdo produzido pela Lupa é de inteira responsabilidade da agência e não pode ser publicado, transmitido, reescrito ou redistribuído sem autorização prévia.

A Agência Lupa é membro verificado da International Fact-checking Network (IFCN). Cumpre os cinco princípios éticos estabelecidos pela rede de checadores e passa por auditorias independentes todos os anos

Esse conteúdo foi útil?

1 2 3 4 5

Você concorda com o resultado desta checagem?

Sim Não

Leia também

SIGNATORY- International Fact-Checking Network
Etiquetas
VERDADEIRO
A informação está comprovadamente correta
VERDADEIRO, MAS
A informação está correta, mas o leitor merece mais explicações
AINDA É CEDO PARA DIZER
A informação pode vir a ser verdadeira. Ainda não é
EXAGERADO
A informação está no caminho correto, mas houve exagero
CONTRADITÓRIO
A informação contradiz outra difundida antes pela mesma fonte
SUBESTIMADO
Os dados são mais graves do que a informação
INSUSTENTÁVEL
Não há dados públicos que comprovem a informação
FALSO
A informação está comprovadamente incorreta
DE OLHO
Etiqueta de monitoramento
Seções
Arquivo