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Foto: Marcia Foletto / O Globo
Foto: Marcia Foletto / O Globo

FALSO: foto que mostra militares revistando crianças tem 22 anos

| Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
21.ago.2017 | 18h58 |

Nesta segunda-feira (21), dia em que o Rio de Janeiro bateu recorde ao registrar 26,9 mil alunos sem aula por conta da insegurança, uma foto ganhou força na internet. A imagem mostra militares armados revistando crianças pequenas que vestem uniforme escolar. Hoje, sete mil agentes de segurança fizeram uma megaoperação em sete favelas da Zona Norte do Rio, como parte da Operação de Garantia de Lei e Ordem em vigor no estado.

Foto das crianças print

Junto à imagem, há uma legenda que critica “o teatro grotesco” e diversos comentários que associam o registro à atual presença das Forças Armadas no Rio de Janeiro. Em apenas um perfil de Facebook, por volta das 19h, a foto já tinha centenas de compartilhamentos.

Recortes-Posts_FALSOA foto, no entanto, é de 1994. De autoria da fotógrafa Márcia Foletto, foi capa do jornal O Globo em 23 de novembro daquele ano. As crianças foram fotografadas em uma das entradas da favela Santa Marta, em Botafogo, Zona Sul do Rio, e chegaram a dar entrevistas ao jornal.
Capa do Globod e 23 de novembro de 1994

A legenda original da foto dizia o seguinte: “Soldados revistam escolares num dos acessos ao Dona Marta para descobrir se alguns deles estão sendo enganados e usados para transportar drogas”. Na ocasião, o comandante da operação, general Câmara Senna, afirmou que era impossível evitar um ou outro excesso. “Não somos um batalhão de assistentes sociais”, disse.

No dia seguinte à publicação da foto de Márcia, O Globo fez uma reportagem com alguns dos meninos identificados na imagem. Iuri Edmar de Souza da Silva, então com 9 anos e aluno da 1ª série do Ensino Fundamental, disse que estava ajudando a avó a vender cachorros-quentes e que já havia sido revistado por militares. “Não acho certo. Nem me disseram porque estavam mexendo nas minhas coisas. Pior é que, se voltarem, vão fazer tudo de novo”.

Carlos Alexandre Oliveira Fernandes, então com 11 anos, disse que já havia sido revistado – não pelo Exército, mas pela Polícia Militar. “Melhor ser revistado pelo Exército que pela PM. Os policiais dão cascudo na gente”, contou o menino.

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