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Fotos: Francisco Medeiros / ME
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O que Nuzman já disse por aí sobre as denúncias contra a Rio 2016?

| Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
05.set.2017 | 16h59 |

Alvo de desdobramento da Operação Lava Jato nesta terça-feira (5), o atual presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), Carlos Arthur Nuzman, têm se defendido das suspeitas que envolveram a escolha do Rio de Janeiro como sede dos Jogos de 2016. Nesse processo, vem exaltando o legado da competição.

Segundo o Ministério Público Federal, Nuzman está no “topo de uma engenhosa e complexa relação corrupta”, razão pela qual a Justiça decretou o bloqueio de bens e a retenção do passaporte do dirigente.  A Lupa separou frases dele sobre o assunto desde que começaram a surgir denúncias envolvendo a vitória do Rio de Janeiro para ser cidade-sede da disputa olímpica, em 2009. Nuzman comanda o esporte olímpico brasileiro desde 1995 e, no ano passado, garantiu a extensão do seu mandato até 2020.

“A campanha do Rio foi limpa. Não tenho mais nada a declarar”

Nuzman deu essa declaração ao jornal britânico The Guardian em 3 de março de 2016 – dois dias depois de o jornal revelar que autoridades francesas investigavam o processo de escolha da capital fluminense e de Tóquio, no Japão, como sedes dos Jogos Olímpicos de 2016 e de 2020.


“Tenho a consciência absolutamente tranquila. Faria tudo igual e tudo de novo”

Um ano depois dos Jogos, em entrevista concedida à Folha de São Paulo no mês passado, Nuzman também relembrou o placar final da votação que escolheu o Rio como sede da disputa. “Quem ganhou por 66 a 32 votos não pode ter tido compra de voto”.


Quem organiza uma Olimpíada tem de saber que é muito complexo… Os Jogos foram complexos. Você há de convir que, pela situação política e econômica do país…” 

Nessa declaração, dada durante os Jogos Olímpicos, Nuzman destacou que a dificuldade para organizar a competição no Brasil aumentava por conta do contexto político brasileiro. Às vésperas da cerimônia de abertura, em agosto, a então presidente Dilma Rousseff sofreu um processo de impeachment.


“Tenho uma preocupação permanente de que tudo saia bem. Costumo dizer que não basta ter gestão. O segredo é a operação”

Em entrevista ao Radar Television, em outubro de 2015, Nuzman deu a resposta acima ao ser perguntado sobre qual o legado que a experiência de organizar os Jogos Pan-Americanos de 2007 no Rio garantiria aos Jogos Olímpicos de 2016. Para o Tribunal de Contas da União, os Jogos Rio-2007 tiveram superfaturamento de gastos e deficiências no uso de recursos públicos.


“Logo que o Rio venceu os Jogos, fui ao COI [Comitê Olímpico Internacional] e perguntei se tinha alguma dúvi­da em eu presidir as duas organizações. O presidente [Jacques Rogge] disse que não tinha problema. Por isso, me sinto confortável”

Às vésperas de se reeleger mais uma vez presidente do COB, em 2012, Nuzman se disse à vontade para comandar tanto a organização dos Jogos, como a entidade onde atua desde 1995. Em um perfil feito pela piauí, dois anos antes, ele também se vangloriava da acumulação de funções. “Na história de 116 anos dos Jogos Olímpicos, sou o único presidente de Comitê de Candidatura e do Comitê Organizador que também é membro do Comitê Olímpico Internacional e presidente do Comitê Olímpico de seu país. Isso nunca existiu”.

OUTRO LADO

Em nota, a defesa de Nuzman informou que o dirigente esportivo prestou depoimento na sede da Polícia Federal do Rio de Janeiro e que esclareceu que “toda a jornada da Olimpíada da Cidade do Rio de Janeiro, da candidatura à cerimônia de encerramento, foi conduzida dentro da lei e das melhores práticas financeiras, técnicas, operacionais, esportivas e de comunicação”. Para Nuzman, os Jogos foram “um sucesso reconhecido no mundo inteiro”.

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