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Foto: Beto Barata / PR
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Na ONU, Temer usa ‘dados extraoficiais’ para falar de desmatamento

Repórter | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
20.set.2017 | 06h00 |

Começou na terça-feira (19) a 72ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) e, seguindo a tradição, o presidente do Brasil foi o primeiro chefe de Estado a discursar. Checamos algumas das afirmações ditas por ele na abertura do evento.

“Os primeiros dados disponíveis para o último ano já indicam diminuição de mais de 20% do desmatamento naquela região [a Amazônia Legal]”

Presidente Michel Temer, em discurso feito na ONU no último dia 19RECORTES-POSTS-AINDA-E-CEDODesde 1988, o Prodes, projeto vinculado ao Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), municia o governo brasileiro com dados sobre o desmatamento da Amazônia Legal. É com base nele que são estabelecidas as políticas públicas sobre o assunto. O Prodes monitora a área desmatada na Amazônia Legal com o apoio de imagens de satélite e produz relatórios frequentes. Os dados referentes a 2017 ainda não foram publicados.

Com base nas últimas informações, no entanto, constata-se que, entre 2015 e 2016, houve um aumento de 27% no desmatamento dessa região. No ano passado, a Amazônia Legal perdeu 7.893 km2 de área verde contra 6.207 km2 no ano anterior.

Ainda vale destacar que, enquanto não são divulgadas as informações oficiais do Prodes relativas ao ano de 2017, ONGs e Oscips (Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público) publicam pesquisas sobre o assunto. O Imazon, que é um instituto de pesquisa do Pará, por exemplo, apontou uma queda de 21% no desmatamento entre julho de 2016 e agosto de 2017. 

Beto Veríssimo, pesquisador do Imazon, disse à Lupa que presidentes e ministros do meio ambiente do Brasil costumam usar os dados oficiais do Inpe (Prodes) para as suas posições e falas internacionais e que os sistemas de satélite utilizados pelos institutos têm resoluções distintas, e, por isso, registram áreas diferentes.

Em nota, a Presidência reconhece que Temer usou um “dado extraoficial” na ONU, o do Imazon.


“A energia limpa e renovável no Brasil representa mais de 40% da nossa matriz energética: três vezes a média mundial”

RECORTES-POSTS-VERDADEIROO Balanço Energético Nacional 2017, que é feito pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), ligada ao Ministério de Minas e Energia, com base em dados do ano anterior, aponta que a participação de energias renováveis na matriz energética brasileira realmente está entre as mais elevadas do mundo.

Em 2016, elas representavam 43,5% do total, acima dos 41,3% registrados em 2015 e dos 39,4% de 2014. De acordo com o mesmo documento, a média mundial em 2014 – último ano disponível para consulta – era de 13,5%. Nos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), de 9,4%.


“Acabamos de modernizar também nossa lei de migração, pautados pelo princípio da acolhida humanitária”

RECORTES-POSTS-VERDADEIRO-MASNo dia 25 de maio deste ano, o presidente Michel Temer sancionou a Lei de Migração, que substituiu o Estatuto do Estrangeiro, criado durante a ditadura militar e com foco na segurança nacional. Mas o presidente vetou 18 pontos do texto. Entre eles, a possibilidade de um estrangeiro não residente exercer cargo, emprego ou função pública no Brasil. No veto, Temer afirmou que isso seria uma “afronta à Constituição e ao interesse nacional”.

*Com a colaboração de Nathalia Afonso, sob a supervisão de Cristina Tardáguila.

**Esta reportagem foi publicada na edição impressa do jornal Folha de S.Paulo no dia 20 de setembro de 2017.

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