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Efetivo militar nas fronteiras cai pela metade no governo de Michel Temer

| Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
21.set.2017 | 06h00 |

Por cinco anos, o presidente Michel Temer foi um defensor da Operação Ágata, que unia efetivos do Exército, Marinha e Aeronáutica para coibir crimes nas áreas de fronteira. Coordenada por Temer entre 2011 e 2016, a ação chegou a ser exaltada por ele em diversos eventos públicos. Mas bastaram três meses de seu governo para que a Ágata minguasse.

“Essa operação [Ágata] nas fronteiras, eu vou colocar em primeiro lugar no meu currículo. A integração das forças federais permitiram uma operação bem-sucedida. Vocês me deram a oportunidade de realizar um trabalho extraordinário”.

Michel Temer, como vice-presidente, em discurso realizado em Foz do Iguaçu (PR) no dia 27 de maio de 2013.RECORTES-POSTS-CONTRADITORIOEm 2016, 24.228 militares participaram das ações da Operação Ágata para combater o tráfico de drogas e armas, o contrabando, o garimpo ilegal e outros crimes. No primeiro semestre de 2017, no entanto, o efetivo total empregado caiu 52,1%, para 11.593. Os dados foram obtidos pela Lupa via Lei de Acesso à Informação. (Confira os documentos aqui, aqui e aqui).

Temer assumiu a Presidência em 31 de agosto de 2016 e, três meses depois, assinou o decreto 8.903, criando um novo padrão de atuação das Forças Armadas nas fronteiras. Deixava de lado a Ágata. Na época, o ministro da Defesa, Raul Junggman, anunciou mudanças profundas na proteção do Brasil: “Teremos uma ampla reformulação da Operação Ágata. Ela não obedecerá o modelo até então em prática”.

Em nota, o Ministério da Defesa justificou a redução do efetivo das Forças Armadas nas fronteiras citando “a situação econômica do país”. Também destacou que haverá uma “mudança de estratégia”.

MENOS DE 1 MILITAR POR QUILÔMETRO

O Brasil tem quase 17 mil quilômetros de fronteira. Faz divisa com dez países da América do Sul. Em 2013 e 2014, havia uma média de 2 militares a cada quilômetro de fronteira. em 2015 e 2016, o número caiu para 1,4. Em 2017, há menos de um militar por quilômetro de fronteira.

EM SEIS ANOS, 126 DIAS

Entre 2011 e 2016, Exército, Marinha e Aeronáutica fizeram 11 operações dentro da Ágata. Juntas, elas somam apenas 126 dias. O esforço nunca foi permanente. A ação mais longa da Ágata permaneceu ativa por apenas 18 dias: de 18 de maio de 2013 a 5 de junho de 2013.

457 E 83,3

Este é o total de armas apreendidas ao longo de toda a história da Operação Ágata. Trata-se de uma média de três por dia. Nos 126 dias de ação, 83,3 toneladas de drogas foram apreendidas – uma média de 661 quilos por dia. Em 2017, não registros de apreensão de armas ou drogas.

*Esta reportagem foi publicada pela edição impressa da Folha de S.Paulo no dia 20 de setembro de 2017.

PDF Folha 2109

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