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Na Rocinha, Marcelo Crivella minimiza violência durante a Rio 2016

Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
26.set.2017 | 11h05 |

O prefeito do Rio, Marcelo Crivella, esperou até às 18h da última sexta-feira para se manifestar sobre a violência que se espalhou pela cidade, sobretudo na favela da Rocinha. No domingo (24), ele reapareceu em público e concedeu uma entrevista a uma rádio da comunidade. Além de dizer que era hora de o local ganhar um “banho de loja”, exagerou dados relativos à segurança pública e seu impacto na vida dos cariocas.

“Durante a Olimpíada, teve paz”

RECORTES-POSTS-EXAGERADONa rádio, Crivella defendeu a ideia de que megaeventos, como os Jogos Olímpicos de 2016, aumentam a segurança. Os números da Rio 2016, no entanto, não mostram isso. Em agosto do ano passado, mês em que a cidade recebeu o reforço de 21 mil membros das Forças Armadas por causa dos Jogos Olímpicos, alguns dos principais índices criminais da capital tiveram alta. Os dados são do Instituto de Segurança Pública (ISP).

O número de casos de letalidade violenta, por exemplo, cresceu. No mês olímpico, houve aumento de 24% na soma dos registros de homicídios dolosos, homicídios decorrentes de intervenção policial, latrocínios e lesões corporais seguidas de morte. Isso na comparação com agosto de 2015.

Comparando os dois períodos, também é possível notar alta nos registros de roubos de rua (41%), furtos (33%), roubo de carga (28%) e de veículos (15%).

Em nota, a prefeitura relembrou uma frase do ministro da Defesa Raul Jungmann, na qual ele afirmou ter sido o esquema de segurança da Olimpíada o maior da história do país. A nota também indica que o maior escândalo de segurança dos Jogos foi o do nadador americano Ryan Lochte, que inventou ter sido alvo de um assalto. Em julho, a Justiça do Rio trancou a ação penal que Lochte respondia por falsa comunicação de crime.


“Tinha dias [neste ano de 2017] que 200 escolas fechavam [por causa dos tiroteios]”

RECORTES-POSTS-EXAGERADOA Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro informou por nota que o dia que a cidade registrou o maior número de escolas fechadas foi 21 de agosto. Nessa data, 64 unidades tiveram que fechar suas portas em decorrência de tiroteios, deixando 27.956 alunos sem aula.

Desde que o atual ano letivo começou, em fevereiro, a violência já fez com que 432 escolas tivessem fechado por pelo menos um dia. Com isso, 155.117 alunos tiveram aulas prejudicadas neste ano.

Procurada para comentar, a assessoria do Crivella informou que o prefeito apenas “deu uma referência do grave problema vivido na rede municipal de ensino por conta da violência”.


 

“Tenho uma lei tramitando há 10 anos para transformar a posse, o porte, a venda, o contrabando, o descaminho de armas de uso exclusivo das Forças Armadas em crime hediondo”RECORTES-POSTS-EXAGERADOOs registros do Senado mostram que o projeto em questão foi apresentado por Marcelo Crivella em 15 de julho de 2014 – ou seja há três anos – quando ele era senador. O documento foi aprovado na Comissão de Constituição e Justiça do Senado em outubro de 2015 e seguiu para tramitação na Câmara dos Deputados. Em agosto deste ano, no entanto, um texto substitutivo elaborado pelo deputado Alberto Fraga (DEM-DF) foi aprovado na Câmara e, agora, o projeto tramita novamente no Senado. Pelo texto aprovado, será considerado crime hediondo a posse, o porte, o tráfico e a comercialização ilegal de armas de fogo, tais como fuzil, metralhadora e submetralhadora utilizados na prática de crime.

A assessoria do prefeito informou que ele se confundiu com as datas. A nota lembra que em 2004, há mais de dez anos, Crivella propôs uma lei para tornar a exploração do trabalho escravo um crime hediondo.

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