A PRIMEIRA AGÊNCIA DE FACT-CHECKING DO BRASIL

Lula entregou à Justiça recibos de aluguel com datas inexistentes?

Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
26.set.2017 | 16h20 |

A defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva entregou à Justiça Federal, na segunda-feira (25), os recibos de aluguel de um apartamento vizinho ao seu, no último andar do edifício Hill House, em São Bernardo do Campo, no ABC paulista. Avaliado em R$ 504 mil, o imóvel é apontado pelo Ministério Público Federal como uma das maneiras pela qual o petista receberia propina.

Assim que os advogados de Lula protocolaram os documentos, começaram a circular nas redes sociais imagens dos recibos. Em especial, chamou a atenção dos usuários o fato de que alguns dos documentos entregues pelo ex-presidente se referem a datas que não existem. Só um desses posts teve 2,5 mil compartilhamentos.

PRINT LULA

verdadeiro

A Lupa verificou junto ao processo que corre na Justiça Federal do Paraná que, de fato, a defesa de Lula anexou na segunda-feira (25) recibos nos quais as datas de vencimento seriam 31 de junho de 2014 e de 31 de novembro de 2015 – ambas inexistentes. Há, inclusive, dois recibos para o mês de junho de 2014 – um emitido em 7 de julho e outro em 5 de agosto -, configurando o pagamento de dois aluguéis no mesmo período. Confira a íntegra dos recibos anexados aqui.

O MPF acusou o ex-presidente Lula de ter cometido o crime de lavagem de dinheiro devido à utilização do apartamento que fora comprado por Glaucos da Costamarques, primo do pecuarista José Carlos Bumlai, e depois alugado ao petista por um contrato no nome de sua esposa, Marisa Letícia.

Marques, porém, afirmou em juízo que Lula e a mulher não pagaram pelo aluguel do local entre fevereiro de 2011 e novembro de 2015.

 

Aluguel 2Aluguel 1

Na denúncia, o MPF disse que “a nova cobertura, que foi utilizada pelo ex-presidente, foi adquirida no nome de Glaucos da Costamarques, que atuou como testa de ferro de Luiz Inácio Lula da Silva, em transação que também foi concebida por Roberto Teixeira, em nova operação de lavagem de dinheiro. Na tentativa de dissimular a real propriedade do apartamento, Marisa Letícia Lula da Silva chegou a assinar contrato fictício de locação com Glaucos da Costamarques, datado de fevereiro de 2011, mas as investigações concluíram que nunca houve o pagamento do aluguel até pelo menos novembro de 2015″.

Na mesma ação penal, o ex-presidente responde por lavagem de dinheiro na compra do terreno onde seria instalado o Instituto Lula. Por esse processo, o petista prestou depoimento ao juiz Sergio Moro neste mês e informou, na ocasião, que tinha os recibos pelo aluguel do apartamento.

Os documentos entregues ontem pela defesa de Lula ainda serão analisados pelo juiz Sergio Moro.

Procurada, a defesa do ex-presidente disse que “quem emite recibo é quem recebeu”. Além disso, o advogado Cristiano Zanin Martins informou que “2 dos 26 recibos apresentados contêm erro material em relação às datas dos vencimentos dos aluguéis”. Segundo ele, porém, “isso não tem qualquer relevância para o valor probatório dos documentos”. O advogado alega que, por lei, “bastaria à Defesa ter apresentado o último recibo com reconhecimento de quitação, sem qualquer ressalva de débitos anteriores, para que todos os demais pagamentos fossem considerados realizados.” Confira a nota na íntegra.

Leia outras checagens de ‘Cidades’ / Outras publicadas neste mês / Volte à home

O conteúdo produzido pela Lupa é de inteira responsabilidade da agência e não pode ser publicado, transmitido, reescrito ou redistribuído sem autorização prévia.

A Agência Lupa é membro verificado da International Fact-checking Network (IFCN). Cumpre os cinco princípios éticos estabelecidos pela rede de checadores e passa por auditorias independentes todos os anos

Esse conteúdo foi útil?

1 2 3 4 5

Você concorda com o resultado desta checagem?

Sim Não

Leia também

Etiquetas
VERDADEIRO
A informação está comprovadamente correta
VERDADEIRO, MAS
A informação está correta, mas o leitor merece mais explicações
AINDA É CEDO PARA DIZER
A informação pode vir a ser verdadeira. Ainda não é
EXAGERADO
A informação está no caminho correto, mas houve exagero
CONTRADITÓRIO
A informação contradiz outra difundida antes pela mesma fonte
SUBESTIMADO
Os dados são mais graves do que a informação
INSUSTENTÁVEL
Não há dados públicos que comprovem a informação
FALSO
A informação está comprovadamente incorreta
DE OLHO
Etiqueta de monitoramento
Seções
Arquivo