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Marina Silva exagera ao falar de desmatamento e reprovação de Temer

Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
07.out.2017 | 06h00 |

Terceiro lugar nas eleições presidenciais de 2014 e pré-candidata à disputa de 2018, Marina Silva tem exposto suas opiniões em artigos de jornal e redes sociais. Recentemente, no Valor Econômico, exagerou ao falar sobre meio ambiente – um dos assuntos que mais marcou sua trajetória política até hoje. Dando continuidade à série de checagens com os principais pré-candidatos à Presidência em 2018, a Lupa passou os últimos dias de olho em Marina Silva. Veja a seguir o resultado:

“A redução do desmatamento começou a partir do lançamento do Plano de Combate e Prevenção do Desmatamento, que foi feito ainda durante a minha gestão, lançado em 2004”

Marina Silva, em vídeo publicado no Twitter, no dia 20/09/2017RECORTES-POSTS-VERDADEIROEm 2004, quando estava à frente do Ministério do Meio Ambiente, Marina Silva ajudou a criar o Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia Legal (PPDCAm) que busca a preservação da floresta. O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que mapeia o desmatamento da Amazônia, mantém em seu site uma tabela de 1998 a 2015. Nele, é evidente que a redução do desmatamento começou depois de 2004. Em 2003, por exemplo, a Amazônia Legal teve 25.396 km/2 desmatados. Dois anos depois, esse número era de 19.014 km/2.


“[Depois do Plano] O desmatamento passou a cair ano após ano”

Marina Silva, em vídeo publicado no Twitter, no dia 20/09/2017RECORTES-POSTS-EXAGERADOOs dados Inpe mostram que houve queda no desmatamento entre 2004 e 2007. Em 2008, foi registrada uma alta em relação ao ano anterior. A primeira de uma série. De acordo com a mesma fonte, os totais sobre desmatamento voltaram a retroceder entre 2009 e 2012. Mas, em 2013, um novo pico, assim como em 2015. Ou seja, o desmatamento não vem caindo “ano após ano” desde o lançamento do Plano de Ação para Prevenção e Controle.

Procurada, Marina Silva não retornou aos contatos da reportagem.


“A reprovação do governo Temer é superior a 95%”

Marina Silva, artigo no Valor Econômico, 29/09/2017RECORTES-POSTS-EXAGERADO

Segundo pesquisa divulgada pelo Datafolha no último dia 02, 73% dos brasileiros consideram o governo do presidente Michel Temer ruim ou péssimo. Esse é o pior índice registrado pelo instituto de pesquisa desde a redemocratização, em 1985. Quando assumiu, Temer possuía 31% de reprovação. Antes disso, o governo Dilma Rousseff era o que possuía o maior recorde de rejeição, chegando a 71% em agosto de 2015.

A pesquisa divulgada pelo Ibope no dia 29 de setembro vai na mesma linha. De acordo com o instituto, 77% dos entrevistados avaliam o governo Temer como ruim ou péssimo. Outros 16% o avaliam como regular, e apenas 3% avaliam o governo como ótimo ou bom.  Com relação a maneira de governar, 89% dos entrevistados disseram que não aprovam o modo como Temer tem conduzido o país. Além disso, 7% aprovam e 4% não responderam. 

Procurada, Marina Silva não retornou aos contatos da reportagem.


“O Brasil ocupa a última posição no nível de confiança nos políticos, segundo o Índice de Competitividade Global entre 137 países realizado pelo Fórum Econômico Mundial”

Marina Silva, artigo no Valor Econômico, 29/09/2017RECORTES-POSTS-VERDADEIROO estudo mencionado pela presidenciável da Rede mostra que o Brasil está atrás de outras 136 nações no ranking de “confiança nos políticos”, feito pelo Fórum Econômico Mundial. Os políticos brasileiros são menos confiáveis do que os venezuelanos, por exemplo, que estão na 133ª posição. Cingapura lidera o índice de confiança que foi medido através de uma pesquisa no qual os entrevistados davam notas de 1 a 7 sobre os padrões éticos dos políticos de seus países.

*Nathalia Afonso sob a supervisão de Leandro Resende.

**Esta reportagem foi publicada pela edição impressa do jornal Folha de S.Paulo no dia 7 de outubro de 2017.

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