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Deputado filho de Cabral visitou o pai quando faltou sessões na Câmara

| Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
17.out.2017 | 14h20 |

Para se defender da acusação do Ministério Público Federal de improbidade administrativa, o deputado federal Marco Antônio Cabral (PMDB-RJ) negou que tenha faltado sessões da Câmara dos Deputados para visitar seu pai, o ex-governador do Rio Sérgio Cabral, na prisão. Na maioria das vezes, Marco Antônio utilizou a chamada “prerrogativa parlamentar” para ter acesso a Cabral. Só que, em pelo seis ocasiões, as faltas do parlamentar na Câmara coincidem com os dias em que ele visitou o pai na prisão.  

“Nunca faltei sessão para visitar [meu] pai”

Nota enviada à imprensa em 16/10/2017 (veja na Folha e no Globo)

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A Lupa comparou os registros de presença do deputado na Câmara à lista de visitantes de Sérgio Cabral na prisão, documento obtido via Lei de Acesso à Informação.

Em pelo menos seis datas, Marco Antônio faltou sessões no parlamento e, no mesmo dia, esteve com o ex-governador no sistema prisional fluminense.

Nos dias 08 e 09 de fevereiro, 21 de março e 12 de abril, pai e filho estiveram juntos no presídio Bangu 8, no Complexo de Gericinó. Em 14 de junho e 15 de agosto, na Cadeia Pública José Frederico Marques, em Benfica, para onde Cabral foi transferido em maio.

O MPF encontrou quatro datas em que houve a coincidência. Segundo o órgão, que analisou as visitas feitas entre novembro de 2016 e abril deste ano, “Marco Antônio Cabral abusou gravemente de suas prerrogativas funcionais, violando as regras de visitação de familiares a presos estabelecidas pela Secretaria de Administração Penitenciária do Rio”.

O novo documento obtido pela Lupa vai além, e  traz as relações de visitas até 15 de agosto de 2017 e já mostra que, depois da transferência de presídio, o ex-governador do Rio continuou recebendo  visitas do filho enquanto ele deveria estar no plenário. Na ação contra Marco Antônio Cabral, o MPF alega que a atividade legislativa dele “não tem qualquer relação com a questão carcerária”, e pede o pagamento de uma multa equivalente a dez vezes o salário de um deputado: R$ 337.600,00.

Em junho, a Lupa mostrou que os registros das visitas a Sérgio Cabral continham erros – como a referência a visitas feitas por dois deputados do PSOL. A nova listagem obtida pela reportagem também traz as mesmas informações equivocadas.

Procurada, a Seap informou que “por motivos de privacidade dos internos não divulgamos listas de visitantes aos mesmos”. Marco Antônio Cabral reiterou que não faltou “qualquer sessão deliberativa da Câmara para visitar o pai”. 

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