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Em horário eleitoral da TV, PT diz que o Brasil voltou ao ‘Mapa da Fome’. Será?

por Chico Marés e Nathália Afonso
19.out.2017 | 14h00 |

Na fim da semana passada, o PT colocou no ar mais uma propaganda político-partidária. No vídeo que foi exibido em cadeia nacional, a sigla tratou de diversos assuntos – entre eles a fome e a moradia. Na gravação, o PT faz diversas críticas ao governo do presidente Michel Temer. Veja abaixo as checagens:

“O Brasil voltou ao Mapa da Fome”

AINDA É CEDO PARA DIZER

A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) produz um compilado de informações com os países nos quais mais de 5% da população é subnutrida. Esse é o chamado “Mapa da Fome”. Em 2014, o relatório da organização retirou o Brasil desse grupo de países. E, por enquanto, o Brasil continua fora. Os dados mais recentes de subnutrição publicados pela FAO são de 2015 e mostram o país como tendo menos de 5% da população subnutrida. Um outro relatório, também da FAO, sobre segurança alimentar, publicado em 2017, coloca o Brasil com menos de 2,5% de taxa de subnutrição. Os dados são referentes ao triênio de 2014 a 2016.

Entretanto, o risco do retorno do país ao “Mapa da Fome” foi apontado em relatório elaborado pelo Grupo de Trabalho da Sociedade Civil para Agenda 2030, um grupo de Organizações Não-Governamentais (ONG) que analisa o cumprimento de metas estabelecidas pela ONU. O relatório diz que o cenário atual é de “retrocesso” e que medidas como o congelamento dos gastos públicos poderão recolocar o país no Mapa da Fome. O relatório é de julho de 2017. Procurado, o PT não retornou.


“Depois da eleição de Lula, a vida melhorou: (…) 22 milhões de empregos foram gerados”

EXAGERADO

Segundo o Ministério do Trabalho, o saldo de empregos com carteira assinada gerados entre 2003 e 2015 foi de 16,4 milhões. O período que vai até abril de 2016, dias antes do afastamento de Dilma Rousseff, obteve um saldo negativo de -378 mil empregos. Portanto, em todo o período de governos petistas, o total ficou em 16 milhões de novas vagas.

Na análise sobre toda a série histórica,  este número chegou a alcançar 18 milhões, no final de 2014, mas nunca atingiu os 22 milhões informados pelo PT. O ministério produz esse dado comparando o total de contratações com o de demissões durante todo o período.  Procurado, o PT não retornou.

Atualização do dia 15 de agosto de 2018, às 14h40: Segundo a Relação Anual de Informações Sociais (Rais), do Ministério do Trabalho, a diferença entre o número total de pessoas empregadas entre 2002, último ano antes de Lula tomar posse, e 2015, último ano completo do PT no governo, era de 19,4 milhões. Ainda assim, o número é inferior ao citado no programa.


“Mais de 1,4 milhão de cisternas foram construídas”

EXAGERADO

Segundo o site do governo federal, foram entregues 1,2 milhão de cisternas de 2003 a 2016. Elas são fruto do Programa Nacional de Apoio à Captação de Água de Chuva e outras Tecnologias Sociais, mais conhecido como Programa Cisternas, criado em 2003. O projeto tem como objetivo alcançar as famílias rurais que possuem baixa renda e são atingidas pela seca ou falta de água. As famílias que desejam participar devem se inscrever no Cadastro Único para Programas Sociais.


“O Minha Casa Minha Vida entregou 2,5 milhões de moradias”

O programa Minha Casa Minha Vida foi lançado em 2009, penúltimo ano de governo do presidente Lula. De lá até o fim do governo da presidente Dilma Rousseff, em maio de 2016, foram entregues, ao todo, 2.709.922 moradias. Nesse período, o governo contratou um total de 4.239.021 casas. O governo Dilma foi o que mais contratou. Um total de 3.276.492 moradias, enquanto Lula contratou 962.529.

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A informação está correta, mas o leitor merece mais explicações
AINDA É CEDO PARA DIZER
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A informação está no caminho correto, mas houve exagero
CONTRADITÓRIO
A informação contradiz outra difundida antes pela mesma fonte
SUBESTIMADO
Os dados são mais graves do que a informação
INSUSTENTÁVEL
Não há dados públicos que comprovem a informação
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A informação está comprovadamente incorreta
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