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Foto: Luis Macedo / Câmara dos Deputados
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Em 35 dias, Temer recebeu 118 deputados. 106 votaram a seu favor

| Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
26.out.2017 | 15h17 |

Nos 35 dias que separaram a chegada da segunda denúncia da Procuradoria Geral da República (PGR) contra o presidente Michel Temer (21 de setembro) na Câmara e a sessão plenária em que ela foi analisada (25 de outubro), 118 deputados federais tiveram reuniões públicas com o presidente da República, no Palácio do Planalto. Cento e seis (90%) deles votaram “sim” – para barrar o prosseguimento da denúncia.

Ao todo, 487 parlamentares participaram da sessão feita na tarde da última quarta-feira, e 251 deles se posicionaram contra o avanço da denúncia por associação criminosa e obstrução de justiça que pairava contra Temer e os ministros da Casa Civil, Eliseu Padilha, e da Secretaria-Geral da Presidência, Moreira Franco.

Duzentos e trinta e três votaram “não”, defendendo – sem sucesso – que o Supremo Tribunal Federal (STF) desse continuidade à investigação contra Temer, 25 deputados se ausentaram, dois se abstiveram e Rodrigo Maia, presidente da Casa, recorreu ao artigo 17 do regimento interno e não declarou seu voto.

Levantamento feito pela Lupa na agenda pública do presidente dos últimos meses mostra que Temer intensificou os compromissos com parlamentares desde que a segunda denúncia da PGR começou a tramitar na Câmara. Confira a lista completa dos deputados aqui.

Entre o arquivamento da denúncia anterior, feito em 2 de agosto, e a véspera da apresentação da segunda denúncia na Câmara, em 21 de setembro, 88 das 308 agendas públicas de Temer contaram com a presença de deputados federais. Depois disso, foram 272 agendas oficiais do presidente, sendo 145 delas com deputados.

VISITOU, MAS VOTOU ‘NÃO’

Dos 118 deputados que estiveram com Michel Temer enquanto a segunda denúncia contra ele tramitava na Câmara, apenas seis votaram “não”, defendendo que o presidente fosse investigado imediatamente. Foram eles: Abel Mesquita Jr. (DEM-RR); Carlos Andrade (PHS-RR); Eros Biondini (PROS-MG); George Hilton (PROS-MG); João Campos (PRB-GO) e Luis Carlos Heinze (PP-RS)

Cinco parlamentares que estiveram com o presidente no último mês se ausentaram. Foram eles: João Fernando Coutinho (PSB-PE); Mário Heringer (PDT-MG), Ricardo Teobaldo (PTN-PE), Marcos Soares (DEM-RJ) e Vinícius Gurgel (PR-AP).

E a “tropa” de Temer esteve bastante ativa na quarta-feira. Na primeira sessão, realizada pela manhã e sem quórum para votação, mais de um terço (35%) dos discursos foram feitos por deputados que tinham se encontrado com o presidente no último mês. Na segunda sessão, na que a votação finalmente ocorreu, deputados que se encontraram com o presidente proferiram 39% dos discursos (excetuando os votos).

Baleia Rossi (PMDB-SP) e Aguinaldo Ribeiro (PP-PB) defenderam o presidente na tribuna do plenário. Baleia esteve nove vezes com Temer desde o dia 21 de setembro e, na quarta-feira, qualificou a denúncia como “absolutamente inepta, fruto de uma armação sórdida para derrubar o Presidente da República”.

Ribeiro, presente em oito encontros com Temer no mesmo período, disparou em plenário: “se hoje, meus amigos, nós admitíssemos o prosseguimento desta denúncia, estaríamos dizendo que todas as coalizões já existentes também são criminosas, porque partidos políticos participaram desses governos”.

Dezenove dos 24 partidos com representação no Congresso hoje em dia têm representantes entre os deputados que visitaram Temer no período – apenas PT, PSOL, PCdoB, Rede e PEN não participaram dos encontros. PMDB, com 24 deputados, é o partido mais representado nesta “bancada”, seguido por PP, com 18, PR e PSD, ambos com 11.

MUDANÇAS DE VOTO ENTRE DENÚNCIAS

Apenas três parlamentares mudaram o voto entre a primeira e a segunda denúncias feitas pela PGR contra Michel Temer. César Halum (PRB-TO) votou “não” antes e “sim”, depois. João Campos (PRB-GO) e Abel Mesquita Jr. (DEM-RR) votaram “sim” antes e, agora, “não”.

Nota: Três parlamentares que visitaram Temer nos últimos 30 dias eram suplentes de deputados que reassumiram o mandato para a sessão plenária em que foi decidido o futuro do presidente. Por isso, não votaram.

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