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Foto: Ricardo Stuckert
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Lula: ‘Partidos não têm coragem de fazer campanha de filiação’. Será?

Repórter | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
30.out.2017 | 07h50 |

Na semana passada, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva esteve em doze cidades de Minas Gerais. A viagem começou no dia 23, em Ipatinga, e termina nesta segunda-feira (30) em Belo Horizonte*. Essa é mais uma etapa da caravana “Lula pelo Brasil”, que, em setembro deste ano, levou o ex-presidente a 25 cidades do Nordeste.

A Lupa acompanhou entrevistas concedidas pelo ex-presidente e postagens feitas em suas redes sociais durante sua estadia em Minas Gerais. Na última sexta-feira, completaram 15 anos da primeira eleição de Lula como presidente do Brasil. Veja abaixo os resultados:

“Nenhum partido nesse país tem coragem de fazer uma campanha de filiação”

Ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em seu Twitter, no dia 21 de outubro de 2017Recortes-Posts_FALSOAo contrário do que o ex-presidente Lula afirmou, ao menos cinco partidos brasileiros realizaram campanhas de filiação desde o ano passado. No início de 2017, o PSOL e o Novo publicaram em seus sites oficiais anúncios de campanhas desse tipo. Em 2016, outros três partidos também adotaram essa estratégia: o Partido Verde (PV), o Partido Progressista (PP) e o Partido Socialista Brasileiro (PSB).

Procurado para comentar esta checagem, o ex-presidente informou por nota que respeita os partidos citados, mas que “nenhum dos maiores partidos brasileiros fez campanha de filiação, por isso que eles não chamaram a atenção”.


“Não sei como interpretar o que aconteceu [em junho de 2013] porque, naquele momento, a presidente Dilma tinha uma popularidade de 75%”  

Ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em entrevista publicada pelo jornal espanhol El Mundo, no dia 22 de outubro de 2017RECORTES-POSTS-EXAGERADO

Poucos dias antes do 13 de junho de 2013, data em que começaram as manifestações que abalaram o Brasil naquele ano, duas pesquisas diferentes foram realizadas para medir a popularidade da então presidente, Dilma Rousseff.

A primeira, feita pelo Ibope entre os dias 8 e 11 de junho de 2013, mas divulgada apenas no dia 19 – já em meio às manifestações, mostrou que  71% da população aprovava o governo da petista naquele momento. Segundo a pesquisa, 25% da população desaprovava Dilma Rousseff.

No dia 10 de junho de 2013, foi a vez de o Datafolha publicar sua pesquisa. E o estudo mostrou um dado bem diferente. Segundo a análise, a popularidade do governo Dilma estava em  57% e que enfrentava sua primeira queda. Um total de 9% dos entrevistados acreditava que seu governo era ruim ou péssimo.

Nas pesquisas feitas depois, durante as manifestações propriamente ditas, a popularidade de Dilma só despencou. De acordo com o Datafolha, por exemplo, a avaliação do governo da petista caiu de 57% para 30% em apenas três semanas.

Procurado para comentar, o ex-presidente Lula informou por nota que citou de memória um número aproximado, baseado em pesquisas do período – não apenas do Ibope, mas também de outros institutos.


“Em 2010, esse país era a quinta economia do mundo”

Ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em seu Twitter, no dia 25 de outubro de 2017RECORTES-POSTS-EXAGERADODados divulgados pelo Banco Mundial mostram que, em 2010, o Brasil ficou em sétimo lugar no ranking das economias mundias, chegando a um PIB de aproximadamente US$ 2,2 bilhões. Naquele ano, o Brasil só ficou atrás de Estados Unidos, China, Japão, Alemanha, França e Inglaterra na lista das economias mais fortes do planeta.

Ainda segundo o Banco Mundial, em 2011, o Brasil chegou ao sexto lugar, ultrapassando a Inglaterra e subindo uma posição no ranking. Esse foi o melhor resultado obtido pelo país até hoje em toda a série histórica. Em 2016, por exemplo, último dado público disponível para consulta, o Brasil estava em nono lugar.

Procurado, o ex-presidente Lula informou por nota que se tratou de “um erro de redação da equipe que fez o acompanhamento no Twitter da entrevista do ex-presidente” e que a fala original é a seguinte: “em 2010, esse país estava para ser a quinta economia do mundo”.

Depois do contato da Lupa, esse tuíte foi deletado da conta oficial do ex-presidente.


“Lamento que acabaram com o dinheiro do PAA (Programa de Aquisição de Alimentos)”

Ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em seu Twitterno dia 24 de outubro de 2017RECORTES-POSTS-AINDA-E-CEDOAo discursar sobre a importância do pequeno produtor brasileiro, Lula criticou uma suposta falta de repasses do governo Michel Temer para o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), que foi criado em 2003, durante o governo petista para combater a pobreza no Brasil.

Dados oficiais mostram, no entanto, que, em 2016, 26 estados do Brasil participavam do programa e que, através dele, receberiam um total de R$ 180.808.684,81. 

Em 2017, o programa foi reduzido em 95%. Dados do Ministério de Desenvolvimento Social (MDS) mostram que há 13 estados atendidos pelo PAA e que eles devem receber R$ 9.544.111,80 pelo programa. A maior parte dos repasses deste ano ainda consta no sistema oficial como “execução sem entrega”.

Procurado, o MDS afirmou em nota que os valores do orçamento do PAA foram reduzidos devido à revisão da meta fiscal.

Procurado, o ex-presidente informou, também por nota, que suas críticas são baseadas na “proposta orçamentária do governo para 2018, que prevê apenas R$ 750 mil para o programa, o que significa seu fim”. 

*Nathália Afonso sob supervisão de Juliana Dal Piva

* Correção: A Lupa publicou anteriormente que a caravana terminou na sexta-feira (27), mas o encerramento ocorreu nesta segunda-feira (30).

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