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PMDB dá números contraditórios sobre a criação de empregos no país

Repórter | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
22.nov.2017 | 07h00 |

Desde a última quinta-feira (16), o PMDB veicula uma série de propagandas partidárias gratuitas na televisão. São 11 vídeos de cerca de 30 segundos, que serão exibidos até sexta-feira (24). Eles preparam a população para um programa de dez minutos que deverá ir ao ar na próxima terça-feira, dia 28.

Nas inserções que já circulam, o PMDB ataca as denúncias feitas pela Procuradoria Geral da República (PGR) contra o presidente Michel Temer, por conta da Operação Lava Jato, e faz comparações entre a situação econômica de hoje e a do governo Dilma Rousseff.

A Lupa analisou alguns dos dados econômicos apresentados e checou seu grau de veracidade. Veja abaixo o resultado:

“Só neste ano [2017], já foram criados mais de um milhão de empregos”

Programa partidário do PMDB, novembro de 2017RECORTES-POSTS-CONTRADITORIONa terça-feira (21), em sua página de Facebook, o partido publicou uma imagem com uma frase diferente: “302,1 mil é o número de vagas de empregos criadas em 2017”.

Segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho, entre janeiro e outubro de 2017, foram registradas 12,5 milhões de admissões e 12,2 milhões de demissões, gerando um saldo positivo de 302 mil empregos. Logo, a informação correta é a que o PMDB colocou no Facebook – não na TV.

Esse “um milhão de empregos gerados em 2017” já havia sido citado – de forma também exagerada – pelo ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, em entrevista à TV NBR.


“A inflação caiu, e os juros estão caindo. A produção industrial e agrícola aumentaram [em relação ao governo Dilma]”

Programa partidário do PMDB, novembro de 2017RECORTES-POSTS-VERDADEIROAs quatro informações estão corretas. Segundo o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), calculado pelo IBGE, a inflação acumulada dos últimos 12 meses, ou seja, do início de novembro de 2016 ao fim de outubro de 2017, está em 2,7%. Em abril de 2016, esse índice estava em 9,28%. É importante destacar, no entanto, que já havia uma tendência de queda, visto que o pico da inflação no país durante a atual crise ocorreu em janeiro de 2016, quando o IPCA atingiu 10,71%.

Já a Taxa Selic, taxa básica de juros definida pelo Banco Central, estava em 14,15% em 12 de maio de 2016, data em que Dilma foi afastada da presidência, e, atualmente, está em 7,4%.

A produção industrial, por sua vez, aumentou ligeiramente de 2016 para cá. Segundo a edição de setembro da Pesquisa Industrial Mensal de Produção Física (PIMPF), do IBGE, a produção cresceu em 0,4% no acumulado dos últimos 12 meses. Entre maio de 2015 e 2016, houve uma redução de 10,4%.

E, finalmente, segundo dados do Ministério da Agricultura relativos a outubro deste ano, o valor bruto da produção agropecuária cresceu 1,6% em relação a 2016 – indo de R$ 525 milhões para R$ 533 milhões, em valores corrigidos pelo IGP-DI. Entre 2015 e 2016, no mesmo período, houve uma ligeira redução, de 0,3% – também em valores corrigidos.


“Já está mais barato para comer, para vestir, para morar. Já está mais barato para viver”

Programa partidário do PMDB, novembro de 2017RECORTES-POSTS-EXAGERADOPode haver aqui uma confusão entre queda na inflação e deflação. O fato da inflação ter diminuído não quer dizer que as coisas estejam mais baratas e, sim, que os preços estão subindo mais devagar.

No acumulado do ano, o IPCA está em 2,7%. E este índice é separado em nove diferentes itens, incluindo os três citados na propaganda: alimentação, vestuário e habitação. No primeiro item, de fato, houve uma redução: de 2,14%. Entretanto, os outros dois registraram alta: de 2,45% e 5,03%, respectivamente. Em outras palavras, está mais barato para comer, mas para vestir e morar, está mais caro hoje do que há um ano atrás.

Procurado, o PMDB não retornou.

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