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Há menos de um mês, PSL/Livres não queria Bolsonaro. O que mudou?

Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
05.jan.2018 | 20h26 |

Após o fim das negociações com o PEN/Patriotas para se lançar candidato à presidência da República, o deputado federal Jair Bolsonaro encontrou seu partido para as eleições deste ano. O deputado pernambucano Luciano Bivar, presidente nacional do PSL, anunciou hoje que o carioca é o pré-candidato do partido na disputa pela Presidência.

Mas o anúncio contradiz uma nota publicada pela legenda há menos de um mês. Em dezembro do ano passado, o PSL/Livres, como o partido vinha sendo chamado desde 2016, negou a filiação de Bolsonaro “Em função das evidentes e conhecidas divergências de pensamento”. O que mudou entre o mês passado e o anúncio desta noite? A Lupa checou.

“O projeto político de Jair Bolsonaro é absolutamente incompatível com os ideais do LIVRES e o profundo processo de renovação política com o qual o PSL está inteiramente comprometido”
Comunicado publicado pelo PSL/Livres em 20 de dezembro de 2017, na página oficial do PSL nacional no Facebook

RECORTES-POSTS-CONTRADITORIO

Nesta tarde, o presidente nacional do PSL, deputado Luciano Bivar (PE), divulgou documento no qual destaca o “orgulho” com que o PSL recebe a pré-candidatura de Jair Bolsonaro à presidência da República. O pernambucano afirma que “é com muita honra que o deputado se sente abrigado pela legenda, e muito à vontade em um partido onde existe total comunhão de pensamentos”.

Em contato com a Lupa, Bivar afirmou que não há contradição entre a posição de dias atrás e o anúncio desta tarde. Ele tentou minimizar a ideia de que o PSL estivesse mudando de nome para Livres: “no mesmo momento em que essa nota foi publicada, o PSL tradicional achou que o Bolsonaro era bem-vindo”, afirmou.  “Hoje as escolhas são muito mais convergentes do que divergentes. O Livres é um movimento que continua existindo, e o PSL continua sendo PSL”. Bivar também afirmou que o número 17, que vinha sendo apresentado pelo Livres, continuará sendo utilizado pelo PSL – é sob esse número que o partido está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Se hoje Bivar nega que o partido estivesse em processo de refundação, fato é que o  PSL assumiu o nome Livres em seus canais de divulgação desde 2016. A propaganda partidária e a página no Facebook da legenda passaram a evidenciar o nome Livres. A peça veiculada na TV em março de 2017 é clara: o partido dedica os 5 minutos do vídeo a apresentar o Livres e, ao fim, pede: “filie-se ao PSL”.

Pouco depois do anúncio de que Bolsonaro se filiaria ao partido, a página publicou um comunicado anunciado que o movimento Livres deixaria o PSL. “Agora, infelizmente, Livres e PSL tomam caminhos separados. A chegada do deputado Jair Bolsonaro, negociada à revelia dos nossos acordos, é inteiramente incompatível com o projeto do Livres de construir no Brasil uma força partidária moderna, transparente e limpa.”, diz a nota.

O comunicado afirma ainda que “o grupo que hoje forma o Livres se esforçará em conjunto para amadurecer e formalizar nosso modelo de governança, por meio do qual iremos deliberar democraticamente sobre a estratégia do movimento para as eleições 2018.”

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