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World Economic Forum / Mattias Nutt
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Meirelles diz que Brasil teve ‘anos de isolamento’ econômico. Será?

Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
27.jan.2018 | 07h00 |

Nesta semana, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, participou do Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça. Foi um momento de conversas sobre possíveis investimentos no Brasil. Durante o evento, o ministro falou em suas redes sociais sobre as reuniões que teve com diferentes empresas e sobre a situação econômica brasileira. Dias antes, havia dado uma entrevista ao Canal Livre, da Band. A Lupa chegou frases ditas por Meirelles nos últimos dias. Veja o resultado:   

“Depois de anos de isolamento, o Brasil está promovendo uma série de ações para abertura da economia e atração de investimentos internacionais”
Ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, em seu Twitter, no dia 24 de janeiro, em DavosRecortes-Posts_INSUSTENTAVELDurante os quase seis* anos do governo Dilma Rousseff, o Brasil realizou diversos acordos bilaterais – e não tem vivido “anos de isolamento”, como sugeriu o ministro. Em 2015, por exemplo, o Brasil e a China assinaram 35 acordos que tinham um valor comercial estimado de US$ 53 bilhões. No mesmo ano, Dilma foi ao México, buscando ampliar a relação comercial entre as nações e fechou acordos direcionados ao turismo, meio ambiente, pesca e financiamento da atividade produtiva. O Brasil e os Estados Unidos também firmaram acordos bilaterais relacionados ao comércio exterior, previdência, agricultura e defesa em 2015. Ainda houve novos tratados com Chile, Rússia e Índia entre outras nações nos últimos anos.

Ainda vale destacar que, indicado por Dilma ao pleito, Roberto Azevêdo se tornou o primeiro brasileiro a assumir a direção-geral da Organização Mundial do Comércio em 2013 e acabou sendo reeleito no ano passado. Em março de 2016, Azevêdo esteve em Brasília e, na ocasião, o Brasil ratificou o primeiro acordo multilateral da história da instituição – documento que entrou em vigor em fevereiro de 2017. De acordo com o Itamaraty, o Acordo de Facilitação do Comércio (AFC) simplificou “a burocracia e agiliza os procedimentos para o comércio internacional de bens”.

Azevêdo concedeu entrevista à Folha de São Paulo em agosto do ano passado. Questionado se a crise política afetava o protagonismo no Brasil na OMC, respondeu que não tinha notado “nenhuma mudança no patamar de visibilidade e de ativismo do Brasil”. O dirigente ressaltou, ainda, que a tradição brasileira é ser “visto como um dos países que lideram as negociações porque tem capacidade de apresentar novas ideias”.

Procurado, Meirelles afirmou que foram “poucos” os acordos comerciais e “limitados” os avanços em negociações com Mercosul e a UE nos últimos anos, levando a um cenário de “abertura limitada da economia brasileira”. Segundo o ministro, sua gestão busca avanços mais significativos, tendo como objetivo um crescimento mais rápido da produtividade.

*Atualização feita às 12h20 do dia 27 de janeiro: De forma equivocada, a Lupa havia escrito “dez anos” de viver Dilma.


“Temos cerca de 15 reuniões, hoje [em Davos], com empresas diferentes, e todas manifestando exatamente disposição e interesse em investir no país”
Ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, em seu Twitter no dia 25 de janeiro, em DavosRECORTES-POSTS-EXAGERADONesta semana, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, participou do Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça. O encontro foi uma oportunidade para o ministro encontrar representantes de empresas de diversos países e trazer investimentos para o Brasil. Mas, segundo a agenda oficial (aqui e aqui) de Meirelles, disponível no site o ministério, no dia 25, quando ele falou a frase acima, estavam programadas reuniões com apenas cinco empresas – um terço a menos do que afirmou no vídeo divulgado no Twitter. Duas delas ainda eram brasileiras. A agenda mostrava que Meirelles se reuniria com representantes das empresas BTG Pactual, Bridgewater Associates, PayPal, Bradesco e CPP Investment Board.

No dia 25, o ministro também se encontraria como ministros e secretários de cinco países – Estados Unidos, Países Baixos, Luxemburgo, Suíça, Singapura – e com representantes da OCDE.  

Procurado, Meirelles afirmou que, em sua fala, fazia um balanço dos encontros que teve ao longo de toda a semana que esteve no Fórum Econômico Mundial.


“Os gastos públicos federais no Brasil cresceram de pouco mais de 10% do PIB (…), para o dobro, em 25 anos. E, agora, pela primeira vez, [os gastos públicos estão] caindo”
Ministro da Fazendo, Henrique Meirelles, em entrevista ao Canal Livre no dia 22 de janeiroRECORTES-POSTS-EXAGERADODe fato, os gastos públicos dobraram em 25 anos. Mas esta não é a primeira vez que eles caem. Segundo dados enviados pela própria assessoria do ministério da Fazenda à Lupa, referentes a uma checagem anterior, houve três momentos no qual essa relação caiu por dois anos seguidos: entre 1994 e 1996, entre 2006 e 2008 e entre 2009 e 2011.

A assessoria do ministro declarou em nota que, durante esse período, “sempre no final do mandato de cada presidente a despesa primária do governo central era maior do que no último ano do mandato anterior”. Eles argumentam que o orçamento de 2018 e o teto de gastos “já garantem” que isso ocorra na comparação com 2014.


“[Na Standard & Poor’s] Estão preocupados com (…) a aprovação de todas as medidas fiscais, principalmente a Previdência”
Ministro da Fazendo, Henrique Meirelles, em entrevista ao Canal Livre no dia 22 de janeiroverdadeiroNo dia 11 de janeiro, a Standard & Poor’s, uma das principais agências de classificação de risco do mundo, rebaixou a nota do Brasil de BB para BB-. Ao fazê-lo, a S&P afirmou que “o Brasil tem progredido mais lentamente do que o esperado na implementação de legislação significativa que corrija tempestivamente os deslizes fiscais”. Na página seis do documento oficial, a agência destaca a importância da votação da reforma da Previdência.

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