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Pezão: ‘RJ sempre teve índices de criminalidade maiores do que hoje’

Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
01.mar.2018 | 14h29 |

Nesta semana, o governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão, deu ao programa É Notícia, da RedeTV, uma longa entrevista sobre a intervenção federal decretada na segurança pública do Rio de Janeiro e afirmou ter sido o responsável por optar por essa saída. A Lupa conferiu algumas das informações que ele citou. Veja o resultado:

“O estado sempre teve índices de criminalidade muito maiores do que tem hoje”

Governador do RJ, Luiz Fernando Pezão, em entrevista concedida à RedeTV no dia 27 de fevereiroRecortes-Posts_FALSOEm 2017, alguns índices de criminalidade monitorados pelo Instituto de Segurança Pública do Rio de Janeiro (ISP-RJ) bateram recorde no Estado. É o caso, por exemplo, do número total de roubos. No ano passado, foram 230 mil registros. Na série histórica do ISP, que começa em 2003, a média é de 139 mil casos por ano. Com Pezão no governo, essa média subiu para 186,2 mil ocorrências ao ano.

Roubos de cargas, de aparelhos celulares, de veículos e em coletivos também tiveram, em 2017, o pico da série histórica. Foram 10.599 registros de roubos de cargas, 24.387 de celulares, 54.367 de veículos e 15.283 ocorrências em coletivos.

A letalidade violenta – indicador estratégico do ISP que soma os homicídios dolosos e decorrentes de intervenção policial, os casos de latrocínio e de lesão corporal seguida de morte – chegou a 6.731. O total não era tão alto desde 2009, quando foram registradas 7.106 ocorrências.

Procurado, Pezão citou apenas um índice. Segundo a assessoria do governador, de 2006 – antes de Pezão assumir como vice-governador do Rio* – para 2017 houve uma queda na taxa de homicídios dolosos. O total de registros passou de 6.323, em 2006, para 5.332 casos no ano passado.


“Nós diminuímos índices de homicídios”

Governador do RJ, Luiz Fernando Pezão, em entrevista concedida à RedeTV no dia 27 de fevereiroRecortes-Posts_FALSOSegundo o Instituto de Segurança Pública do Rio de Janeiro (ISP), a letalidade violenta, categoria que engloba homicídios dolosos e decorrentes de intervenção da polícia, latrocínios e lesões corporais seguidas de morte, cresceu no período em que Pezão passou a governar o Estado.

Em 2014, 5.720 pessoas foram mortas. Em 2015, houve uma redução: foram 5.010 homicídios. Mas em 2016, as mortes voltaram a subir – houve 6.262 ocorrências. A alta se manteve em 2017, quando o total atingiu 6.731. Ou seja, o número de mortos de forma violenta e intencional no Estado cresceu, e não diminuiu, durante a gestão de Pezão.

Após dizer essa frase, o governador foi questionado pela entrevistadora, que pontuou o crescimento dos índices de violência nos últimos anos. Pezão disse, somente então, que o número de homicídios “depois voltou a crescer”.

Procurado, Pezão afirmou que a taxa de homicídios dolosos diminuiu de 2006 – 6.323 casos – para 2017 – 5.332 casos. A partir de 2006, antes de ele assumir como vice-governador do Rio de Janeiro, ainda na gestão de Sergio Cabral. Mas o governador desconsidera que, apesar da diminuição nos números na comparação de um ano com o outro isoladamente, há um aumento constante nas ocorrências nos últimos três anos, ou seja, desde que ele assumiu o Palácio da Guanabara efetivamente.


“Somos a 23ª capital em índices de violência”

Governador do RJ, Luiz Fernando Pezão, em entrevista concedida à RedeTV no dia 27 de fevereiroRECORTES-POSTS-EXAGERADOSegundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o Rio de Janeiro é, na verdade, a 21ª capital mais violenta do Brasil, se considerada a taxa de crimes violentos letais intencionais (CVLI) por 100 mil habitantes a cada ano. Esse dado engloba homicídios dolosos, latrocínios e lesões corporais seguidas de morte.

Na cidade do Rio de Janeiro, em 2016 (dado mais recente disponível) a taxa foi de 22,3 por 100 mil habitantes. Em Campo Grande (MS), capital que ocupa a 23ª posição citada por Pezão, a taxa foi de 18,4 homicídios a cada 100 mil habitantes.

De acordo com o Fórum, estão melhores que a capital fluminense: Brasília (DF), Campo Grande, Florianópolis (SC), Boa Vista (RR), Vitória (ES), São Paulo (SP). Todas as outras capitais tiveram um 2016 mais violento do que o Rio.

Procurado, Pezão confirmou que o Rio de Janeiro aparece na 21ª posição no ranking das capitais mais violentas.


“Durante a crise econômica, nós já apreendemos mais de 600 fuzis”

Governador do RJ, Luiz Fernando Pezão, em entrevista concedida à RedeTV no dia 27 de fevereiroverdadeiroDesde que o Governo do Estado do Rio de Janeiro decretou estado de calamidade, no meio de 2016, o número de fuzis apreendidos somou 751 armas (aqui e aqui), segundo dados do Instituto de Segurança Pública do RJ (ISP-RJ). Somente em 2017, foram apreendidos 499 fuzis no RJ. Só na capital fluminense foram 370. Vale ressaltar que o número de fuzis apreendidos aumentou nos últimos cinco anos.

Correção das 14h30 do dia 7 de março: anteriormente, a Lupa havia afirmado que Luiz Fernando Pezão era vice-governador do Rio de Janeiro em 2006. Na realidade, ele assumiu o cargo em 2007.

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