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SobreElas: Só uma mulher chegou ao nível mais alto da carreira militar

Repórter | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
18.mar.2018 | 12h00 |

Um. Este é o número de mulheres que conseguiu ascender ao nível de oficial-general – o mais alto na hierarquia das Forças Armadas Brasileiras – ao longo de toda a História. De acordo com dados obtidos pela Lupa via Lei de Acesso à Informação, Dalva Maria Carvalho Mendes, contra-almirante da Marinha desde 2012, é a primeira e única mulher a virar oficial-general e hoje ocupa um dos 433 cargos que exigem do militar esse nível profissional. A Aeronáutica e o Exército do Brasil nunca tiveram mulheres entre seus oficiais-generais.

Dentro desse nível, cada uma das Forças Armadas tem quatro patentes e a elas são atribuídas um determinado número estrelas. Têm cinco estrelas o almirante (na Marinha), o marechal (no Exército) e o marechal do ar (na Aeronáutica). São militares que necessariamente participaram de guerras. Quatro estrelas são dadas aos almirantes de esquadra, generais de exército e tenentes-brigadeiro. Três estrelas referem-se aos vice-almirantes, generais de divisão e generais-brigadeiro. Por fim, duas estrelas identificam contra-almirantes, generais de brigada e brigadeiros.

A contra-almirante Dalva Maria Carvalho Mendes é médica do corpo auxiliar da Marinha. Foi promovida em 2012, tornando-se a primeira mulher no generalato do país. As mulheres representam 8,7% do total de militares brasileiros. São 29.633 entre os 367,5 mil que servem às Forças Armadas.

A Marinha que deu à Dalva o grau de oficial-general também foi pioneira na admissão do sexo feminino em seus quadros. Em 1980, pela Lei n° 6.807, a Força Naval criou o Corpo Auxiliar Feminino da Reserva da Marinha, marco inicial da participação da mulher nas Forças Armadas Brasileiras. Hoje elas representam 12,2% desta Força – com um total de 8.609 mulheres.

Em 2014, a Marinha admitiu a primeira turma de aspirantes femininas da Escola Naval. No entanto, foi apenas no ano passado, por meio do Memorando n° 1, de 10 de abril de 2017, que foi autorizada a participação de Oficiais e Praças femininas em atividades de aplicação efetiva do Poder Naval, como o embarque em navios e unidades de tropa. Até então, as mulheres que integravam a Força só desempenhavam atividades auxiliares – não as que tivessem ligação com as finalidades da Marinha, ou seja, com a “missão de zelar pela segurança do país, valendo-se do poder naval (o poder bélico da Marinha)”.

Atualização das 18h45 de 19 de março de 2018: Em nota, a Marinha afirmou que “As mulheres sempre participaram de todas as atividades, sejam elas operacionais, técnicas ou administrativas. A restrição existia, em um sentido positivo, de proteção à família, para que elas não participassem das ações de combate”. A lei que fazia essa restrição foi alterada no final do ano passado, garantindo que “aquelas candidatas que optarem por ingressar como Oficiais Operativas, do Corpo da Armada ou de Fuzileiros Navais, seguirão carreiras que são estruturadas até o posto de Almirante de Esquadra, posto máximo em tempo de paz”, de acordo com a corporação.

Na Aeronáutica, as mulheres representam 17,43% do efetivo total. São 11.550 mulheres e 66.228 homens na corporação, conforme a própria força. A primeira turma de mulheres aviadoras foi aberta em 2003. Desde então, a Força Aérea Brasileira tem pilotos mulheres nos mais diversos tipos de aviação militar, inclusive em seus aviões de caça.

Mas a mais alta patente ocupada por uma mulher na Aeronáutica é a de coronel – um nível abaixo dos oficiais-generais. Segundo a própria força, são oito coronéis mulheres. Todas elas fazem parte do quadro de saúde, sendo que quatro são comandantes de unidade.

A primeira delas foi a coronel Carla Lyrio Martins. Médica, ela assumiu a direção da Casa Gerontológica de Aeronáutica Brigadeiro Eduardo Gomes (CGABEG), no Rio de Janeiro, em 2015. Em fevereiro de 2018, transmitiu seu cargo na Casa a outra militar, na primeira passagem de comando entre duas mulheres na Força Aérea.

De acordo com a Aeronáutica, as mulheres que hoje são coronéis podem chegar até o posto de major-brigadeiro médico, conforme “a avaliação de suas carreiras e o cumprimento dos interstícios regulamentares”.

Já o Exército Brasileiro levará pelo menos 30 anos para promover uma mulher a oficial-general. O ingresso feminino na Academia Militar das Agulhas Negras (Aman), que forma os oficiais combatentes do Exército, só foi permitido neste ano. Mas após a conclusão no curso de formação são necessários trinta anos de carreira para um oficial chegar à patente de general.

Em 2017 ocorreu a primeira promoção de uma mulher ao posto de coronel no Exército. Assim como na FAB, esta é a mais alta patente conquistada por uma mulher. No Exército Brasileiro, as mulheres estão em menor número – representam só 4,5% da corporação.

Em nota, o Exército lembrou momentos da participação feminina em sua história, como a presença de Maria Quitéria, em 1823, na manutenção da Independência do Brasil, e a ida de enfermeiras brasileiras para a Segunda Guerra Mundial, em 1943. A força afirma que adequou suas instalações e contratou instrutores para uma formação adequada das mulheres na Aman, “não havendo, portanto, diferenças entre a carreira masculina e feminina”.

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