A PRIMEIRA AGÊNCIA DE FACT-CHECKING DO BRASIL

Previdência e segurança: os exageros de Alckmin e Bolsonaro

Repórter | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
23.mar.2018 | 06h00 |

Pré-candidato à Presidência da República, o governador de SP, Geraldo Alckmin, tem dado entrevistas comentando a previdência, mas vem usando dados exagerados. O mesmo tem acontecido com o pré-candidato do PSL ao Planalto, o deputado federal Jair Bolsonaro, quando fala de segurança. Veja abaixo as checagens das últimas semanas:

“2016, que é o último número que nós temos, a média de aposentadorias e pensões do INSS: R$ 1.191 (…) A média do Poder Executivo: R$ 8 mil”
Geraldo Alckmin, governador de SP e pré-candidato à presidência pelo PSDB, em entrevista ao Canal Livre no dia 26 de fevereiroOs dados do Boletim Estatístico da Previdência Social de dezembro de 2016 e do Boletim Estatística de Pessoal e Informações Organizacionais do mesmo mês e ano mostram que tanto a média paga aos aposentados e pensionistas do INSS quanto aos do Executivo são, na verdade, inferiores aos valores mencionados por Alckmin. No INSS, a média no período citado pelo governador foi de R$ 1.305,41. No Executivo, de R$ 6,9 mil. Ainda vale ressaltar que no Judiciário foi de R$ 21 mil e, no Legislativo, de R$ 26 mil. Procurado, Alckmin disse que o tema é “controverso” e que a mídia utiliza valores diferentes para falar sobre o assunto. Em seguida, defendeu que a Reforma da Previdência é necessária para reparar parte da injustiça de salários.


“Em média, 60% desses caras [que passam por audiências de custódia] vão para a rua”
Jair Bolsonaro, deputado federal e pré-candidato à presidência pelo PSL, em vídeo publicado no YouTube no dia 11 de março  Um levantamento do Conselho Nacional de Justiça publicado no ano passado mostra que 46% dos presos em flagrante levados a audiências de custódia são liberados – e não 60%, como diz Bolsonaro. As pessoas que são liberadas nesse tipo de audiência seguem respondendo processo pelo crime que motivou a prisão. O estudo levou em conta 955 audiências de custódia. Todas realizadas no Distrito Federal, no Rio Grande do Sul, na Paraíba e em Tocantins, Santa Catarina e São Paulo. Em 5 de fevereiro, o candidato dizia que a média – também equivocada – era de 90%. Procurado, Bolsonaro não comentou.


“(Em) homicídios por 100 mil habitantes, chegamos ao menor número da série histórica”
Geraldo Alckmin, governador de SP e pré-candidato à presidência pelo PSDB, em entrevista à Folha de S.Paulo no dia 19 de marçoSegundo a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, em 2017, São Paulo, de fato, teve a menor taxa de homicídios dolosos por 100 mil habitantes da série histórica iniciada em 1999. Mas o número que Alckmin cita durante a entrevista é de 8,02 registros a cada 100 mil habitantes para 2017, quando a taxa aferida pela secretaria foi de 7,52 por 100 mil habitantes. O governador justificou que se referia ao número de vítimas de homicídio, enquanto a secretaria divulga o número de ocorrências por 100 mil habitantes. Vale dizer que, desde 2013, São Paulo vem reduzindo sua taxa de homicídios. Ou seja, não é a primeira vez que o estado atinge o menor patamar.


“O PSDB atrapalhou a redução da maioridade penal na votação da Câmara”
Jair Bolsonaro, deputado federal e pré-candidato à presidência pelo PSL, em entrevista publicada no Estadão no dia 14 de marçoA PEC 171/1993, que buscava reduzir a maioridade penal de 18 para 16 anos nos casos de crimes hediondos, foi analisada em dois turnos pelos deputados federais em 2015. Nas duas sessões, a orientação da bancada do PSDB foi ser a favor da proposta. No primeiro turno, no entanto, três dos 52 tucanos votaram contra a proposta, assim como outros 152 deputados. A sessão também registrou duas abstinências. No segundo turno, o cenário se manteve. Três deputados do PSDB votaram “não”, igual a outros 149 parlamentares. Procurado, Bolsonaro afirmou que a PEC era simples, mas o PSDB não aceitava votar a proposta. Segundo ele, a margem de votos foi bastante apertada. Contudo, ainda vale lembrar que a PEC foi aprovada na Casa com um total de 320 votos – 12 a mais do que era necessário.


“No ano passado, reduzimos 12,8% o roubo de carro [em São Paulo]”
Geraldo Alckmin, governador de SP e pré-candidato à presidência pelo PSDB, em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo no dia 19 de marçoDados da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo mostram que, entre 2016 e 2017, houve uma redução de 13,07% no roubo de carros. No ano passado, foram 67.760 casos. No anterior, 77.949.

*Parte desta reportagem foi publicada na versão impressa do jornal Folha de S.Paulo no dia 23 de março.

Leia outras checagens sobre Estados / Leia outras deste mês / Volte à home

O conteúdo produzido pela Lupa é de inteira responsabilidade da agência e não pode ser publicado, transmitido, reescrito ou redistribuído sem autorização prévia.

A Agência Lupa é membro verificado da International Fact-checking Network (IFCN). Cumpre os cinco princípios éticos estabelecidos pela rede de checadores e passa por auditorias independentes todos os anos

Esse conteúdo foi útil?

1 2 3 4 5

Você concorda com o resultado desta checagem?

Sim Não

Leia também

Etiquetas
VERDADEIRO
A informação está comprovadamente correta
VERDADEIRO, MAS
A informação está correta, mas o leitor merece mais explicações
AINDA É CEDO PARA DIZER
A informação pode vir a ser verdadeira. Ainda não é
EXAGERADO
A informação está no caminho correto, mas houve exagero
CONTRADITÓRIO
A informação contradiz outra difundida antes pela mesma fonte
SUBESTIMADO
Os dados são mais graves do que a informação
INSUSTENTÁVEL
Não há dados públicos que comprovem a informação
FALSO
A informação está comprovadamente incorreta
DE OLHO
Etiqueta de monitoramento
Seções
Arquivo