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SobreElas: Prefeito de Florianópolis promete abrigo, mas não constrói

Repórter | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
28.mar.2018 | 12h01 |

Ao se candidatar para assumir a prefeitura de Florianópolis, Gean Loureiro (MDB) prometeu construir um abrigo municipal para mulheres em situação de violência. Desde que tomou posse, no entanto, a cidade não ganhou nenhuma unidade desse tipo.

Já Raimundo Colombo (PSD), que deixou o governo de Santa Catarina em fevereiro para concorrer ao Senado neste ano, garantiu que melhoraria o atendimento às mulheres vítimas de violência nas delegacias especializadas. A promessa vem sendo cumprida, mas a preocupação permanece: os índices de violência contra a mulher sobem no estado.

No mês em que se celebra o Dia Internacional da Mulher, a Lupa volta às promessas feitas às eleitoras nas campanhas de 2014 e 2016 para ver se saíram ou não do papel. É a série SobreElas. A seguir, o resultado da análise sobre Santa Catarina e Florianópolis:

“Construir abrigo municipal para Mulheres Vítimas de Violência, e em Situação de Rua”
Página 16 do programa de governo que Gean Loureiro, hoje prefeito de Florianópolis, registrou no TSE em 2016Florianópolis não ganhou nenhum outro abrigo para mulheres que são vítima de violência e em situação de rua depois que Gean Loureiro assumiu a prefeitura. A cidade já tinha dois estabelecimentos do tipo, com objetivos semelhantes: o Centro de Referência de Atendimento à Mulher em Situação de Violência e a  Casa de Passagem para Mulheres em Situação de Rua e / ou Violência.

Criado em 2009, o Centro de Referência de Atendimento à Mulher em Situação de Violência (CREMV) oferece espaço de acolhimento, atendimentos social e psicológico e orientação jurídica às mulheres que passaram por situações de violência. Segundo a diretora do centro, atualmente, o CREMV atende a nove mulheres.  

Anos depois, em 2013, foi criada a Casa de Passagem para Mulheres em Situação de Rua e/ou Violência. O espaço de acolhimento funciona 24 horas por dia e, atualmente, atende a seis mulheres que estavam em situação de rua, sendo três transsexuais.  

Procurado, Gean Loureiro afirmou que a Casa de Passagem para Mulheres Vítimas da Violência está em “boas condições”. Contudo, ele pretende “reunir forças para uma nova Casa de Passagem para Mulheres em Situação de Rua, que atualmente são abrigadas no mesmo local, por meio de convênio com uma organização social.”

Atualização das 18h do dia 28 de março: em novo contato com a Lupa, a assessoria de imprensa do prefeito Gean Loureiro afirmou que a Casa de Passagem para Mulheres Vítimas da Violência está em boas condições, e “possui vagas suficientes para suprir a demanda” e que a prefeitura decidiu direcionar seu foco para uma casa para mulheres em situação de rua.


“Capacitar as equipes das delegacias para melhor atendimento (…) à mulher (…)”
Página 7 do programa de governo que Raimundo Colombo (PSD), governador de Santa Catarina, registrou no TSE em 2016Em 2015, o estado de Santa Catarina criou a Coordenadoria de DPCAMIs, as Delegacias de Proteção à Criança, ao Adolescente à Mulher e ao Idoso, que já existiam anteriormente. São 30 DPCAMIs sob o comando da coordenadoria. Segundo a 6ª Delegacia de Polícia, em 2014 existiam 29 psicólogos para atender as mulheres em situação de violência. Em 2015, mais 33 psicólogos foram contratados, chegando a 62 profissionais, o que se mantém hoje.

Além disso, no início deste ano, a Polícia Civil de Santa Catarina lançou o projeto “PC por Elas”. A ação visa acolher à princípio 15  mulheres em situação de vulnerabilidade social uma vez por semana. Elas receberão atendimento psicológico individual e farão parte de debates.

Mas apesar das ações, os números relacionados à violência contra mulher estão em alta em Santa Catarina. Segundo a Polícia Civil, no segundo mandato de Colombo, de 2015 para 2017, os casos de estupro cresceram 35,8% – de 131 para 178. O índice do ano passado é o maior registrado no Estado desde 2008.

Além disso, em 2017, os números de ameaça de mulheres em situação de violência doméstica atingiu seu recorde: 10.472 casos. No ano anterior, foram 9.429 casos. Isso representa um aumento de 11%. Depois de uma queda entre os anos de 2012 e 2014, os casos de ameaça à mulher também cresceram na segunda gestão Colombo: de 3.307 em 2015 para 3.862 em 2017

Procurado, Raimundo Colombo afirmou que o governo fez um esforço nos últimos sete anos para melhorar a segurança do estado. Ele destacou a criação das DPCAMI e o aumento de psicólogos policiais nas delegacias.

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