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SobreElas: MG promove ações contra violência, mas feminicídio aumenta  

Repórter | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
29.mar.2018 | 12h01 |

Eleito em 2014, o governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel (PT), registrou em seu programa de governo apenas uma promessa para as mulheres – mas ela não era voltada só para elas. Essa proposta incluía também o combate à violência e à discriminação de negros, população LGBTF, quilombolas e indígenas mineiros. Os casos de violência doméstica contra mulher caíram, mas as taxas de homicídio voltaram a aumentar.

Já o atual prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PHS), não registrou nenhuma proposta específica para suas eleitoras em seu plano de governo. Questionada, a prefeitura enviou uma série de ações voltadas para mulheres que não constaram no programa de governo.

No mês em que se celebra o Dia Internacional da Mulher, a Lupa volta às promessas feitas às eleitoras nas campanhas de 2014 e 2016 para ver se saíram ou não do papel. É a série SobreElas. A seguir, o resultado da análise sobre Minas Gerais:

“Garantia do combate efetivo a atos que caracterizem violência e discriminação para as mulheres”
Página 13 do programa de governo de Fernando Pimentel (PT), governador de Minas GeraisO número de vítimas de violência doméstica diminuiu na gestão de Fernando Pimentel, segundo os dados do relatório Diagnósticos de Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher em MG, da Secretaria de Estado de Segurança Pública de Minas Gerais. Em 2015, primeiro ano de governo, foram registradas 148.320 ocorrências desse tipo no estado. No ano seguinte, o número caiu para 145.645. Em 2017, nova queda: 145.029 vítimas.

Mas esse foi o único índice relacionado à violência contra mulher que retrocedeu de forma recorrente em Minas Gerais entre 2015 e 2017. As taxas de homicídio a cada 100 mil mulheres oscilaram. Após uma melhora de 2015 (2,65) para 2016 (2,18), tiveram nova alta em 2017 (2,42).

Os casos de feminicídio tiveram aumento constante. Foram 335 casos em 2015, 397 em 2016 e 433 em 2017. Os registros se referem a crimes consumados e tentados. Os números de lesões fatais contra mulheres em MG também cresceram: de 93 em 2015 para 112 em 2016 e 127 no ano passado.

Procurado, o governo de Minas Gerais alegou que o enfrentamento à violência contra as mulheres é uma das suas prioridades e citou ações feitas nos últimos três anos. Em nota, afirmou que órgãos de segurança estaduais também vem sendo capacitados para o atendimento à mulher desde 2015 e que 70% dos 6 mil atendimentos feitos pelo Programa de Mediação de Conflitos, que busca a resolução pacífica de litígios, em 2017 foram de mulheres.

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