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SobreElas: prefeito de Manaus não construiu casa de passagem que prometeu

Repórter | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
30.mar.2018 | 12h01 |

Quando foi eleito pela primeira vez como prefeito de Manaus, em 2012, Arthur Virgílio Neto (PSDB) não fez nenhuma promessa direcionada às mulheres no documento que registrou junto ao Tribunal Superior Eleitoral. Na época, ele destacou ações que beneficiariam jovens, idosos e deficientes – esquecendo-se das políticas voltadas para suas eleitoras. Em 2016, quando estava concorrendo pela segunda vez ao cargo, prometeu criar uma casa de passagem para famílias (mulheres e seus filhos) vítimas de violência. Contudo, essa promessa ainda não saiu do papel.

Já para o estado do Amazonas, não houve promessas registradas no TSE pelo atual governador, Amazonino Mendes (PDT). Ele foi escolhido em eleição suplementar, realizada no ano passado. O governo não respondeu às solicitações feitas sobre o assunto.

No mês em que se celebra o Dia Internacional da Mulher, a Lupa volta às promessas feitas às eleitoras nas campanhas de 2014 e 2016 para ver se saíram ou não do papel. É a série SobreElas. A seguir, o resultado da análise sobre Manaus:

“Meu Cantinho: casa de passagem para famílias (mulheres e filhos) vítimas de diferentes violações, inclusive violência de gênero”
Página 6 do programa de governo de Arthur Virgílio Neto (PSDB), prefeito de ManausA atual prefeitura ainda não construiu nenhuma casa de passagem em Manaus. A cidade tem apenas um local que recebe mulheres em situação de risco junto com seus filhos, segundo a Secretaria Municipal de Políticas Afirmativas para as Mulheres. Mas essa casa foi erguida em novembro de 2007 e é mantida pelo governo estadual.

Atualmente, oito mulheres e quatro crianças estão no local. Contudo, o número varia conforme a quantidade de mulheres em risco na cidade. No fim do ano passado, por exemplo, chegou a 30, entre mulheres e crianças, segundo a Secretaria Executiva de Políticas para Mulheres (SEPM). A Casa Abrigo oferece atendimentos psicológico, pedagógico e social.

Além disso, os dados da Secretaria de Segurança Pública do Amazonas mostram que de janeiro de 2017 a 20 de fevereiro de 2018 foram registrados 21.977 casos de mulheres vítimas de violência na área urbana de Manaus. O bairro Cidade de Deus, na zona norte, é o que tem os maiores índices de violência contra a mulher, com 2.091 casos.  Os dados são do Tribunal de Justiça do Amazonas.

A SEPM afirma que boa parte das mulheres que procuram a Casa Abrigo solicitou ou já tem uma medida protetiva ativa contra o companheiro, o que impede que ele se aproxime dela – mas nem sempre é garantia disso. Segundo o Tribunal de Justiça do Estado do Amazonas, só em janeiro e fevereiro de 2018 foram solicitadas 1.281 medidas protetivas de urgência para mulheres – uma média de 640 casos por mês. O número é quase o dobro da média mensal do ano passado, que ficou em 343 – em 2017, a Justiça recebeu 4.120 pedidos de medidas de proteção no Estado.  

Procurado, Arthur Virgílio não respondeu.

Atualização das 14:45 do dia 04 de abril: Depois da publicação da reportagem, a prefeitura de Manaus se manifestou pelo twitter. Segundo ela, o projeto ainda não foi construído “por conta do quadro de crise econômica dos últimos anos”. Além disso, a prefeitura afirmou que Manaus tem avançado no atendimento às mulheres vítimas de violência.      

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