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A relação de Rodrigo Maia e Eduardo Paes: de ‘ingrato’ a aliado da vez

| Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
10.abr.2018 | 12h00 |

Na última sexta-feira (6), o ex-prefeito do Rio Eduardo Paes trocou o MDB pelo DEM. Na legenda, reencontrará o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, e seu pai, o ex-prefeito e atual vereador carioca Cesar Maia – com quem Paes deu seus primeiros passos na vida pública. Acompanhado por Pedro Paulo, deputado federal e candidato derrotado à prefeitura do Rio em 2016, Paes chega ao DEM após a prisão da cúpula do MDB fluminense, que esteve a seu lado nas eleições que venceu, e recorrendo no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de decisão judicial que o tornou inelegível por 8 anos. O reencontro, às vésperas das eleições, é mais um capítulo em uma relação marcada por contradições.

“É um político que nega seu passado, é ingrato. Não tenho nada a elogiá-lo”

Rodrigo Maia, então candidato à prefeitura do Rio de Janeiro pelo DEM, em setembro de 2012, ao portal SRZD

Seis anos depois de dizer que não tinha “nada a elogiar” em Eduardo Paes, Rodrigo Maia parece ter mudado de opinião. Em nota, Paes confirmou que irá “apoiar a candidatura do deputado Rodrigo Maia para a presidência da República e esclarece que não é pré-candidato a qualquer cargo eletivo”. Procurado, Rodrigo Maia não se manifestou. Em entrevista ao jornal O Dia publicada nesta segunda-feira (09), o presidente da Câmara afirmou que é grande a probabilidade de uma eventual candidatura de Paes ao governo do Rio “estar no segundo turno”.

Em 2012, Maia foi derrotado por Paes nas eleições municipais (teve apenas 2,94% dos votos). Após um dos debates, disse existir uma “distinção entre o Rio de verdade e o Rio de mentira que aparece na propaganda do Eduardo”. Quando disse que o ex-prefeito negava seu passado, Rodrigo Maia fez menção ao fato de Paes ter iniciado a carreira política com o apoio de Cesar Maia, pai de Rodrigo e prefeito do Rio em três mandatos.

Eduardo Paes começou a vida pública como subprefeito da Zona Oeste, nomeado em 1993 por Cesar Maia. Ficou no cargo até 1996. No segundo mandato de Maia, Paes se tornou secretário de Meio Ambiente, entre 2001 e 2002 – chegou a dizer que “Maia foi o melhor prefeito que o Rio já teve”. Mas em 2008, ano em que concorreu e venceu a corrida pela prefeitura do Rio pela primeira vez, criador e criatura romperam relações.

Em 2012, ano em que Rodrigo Maia perdeu a disputa pela prefeitura, Cesar se tornou vereador com a promessa de ser um fiscal da gestão de Paes. Durante o mandato, chegou a chamar o ex-pupilo de “cachorro morto”, ironizando suas pretensões eleitorais.

Em 2014, um acordo reaproximou PMDB e DEM: Cesar Maia se tornou candidato ao Senado na chapa que buscava a reeleição de Luiz Fernando Pezão ao governo do Rio – e que era apoiada por Paes. Mas isso não aproximou mestre e pupilo, pelo contrário. Com a entrada do DEM – alinhado ao PSDB na eleição presidencial – na coligação, se fortaleceu no Rio o movimento que pregava voto em Pezão e em Aécio Neves. Paes foi duro e emitiu nota dizendo que a aliança representava um “bacanal eleitoral”, já que o PMDB apoiava a candidatura de Dilma Rousseff (PT).

Em dezembro de 2017, mais um capítulo da conturbada relação da família Maia com Eduardo Paes. Em entrevista à BBC, Cesar disse ser “muito difícil” manter proximidade com o ex-MDB, mas destacou que ele e Rodrigo são “muito amigos”. “Eu deixei de ser. O Eduardo Paes está exageradamente calado num momento em que aconteceu o que aconteceu com o grupo diretivo do PMDB do Rio”, declarou Cesar Maia. Procurado, ele não retornou.

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