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Covas: gasto com previdência equivale a 90% do IPTU em São Paulo. Será?

Repórter | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
27.abr.2018 | 12h00 |

Bruno Covas (PSDB) assumiu a prefeitura de São Paulo no último dia 6, após a renúncia de João Dória (PSDB), que disputará o governo do estado. Dez dias depois, o novo prefeito concedeu entrevista ao programa É Notícia, da RedeTV. A Lupa checou algumas das declarações. Confira abaixo o resultado:

“Nesse ano de 2018, se você somar [o que a prefeitura paga como] a contribuição patronal com o que ela coloca para cobrir o rombo [da previdência municipal], dá 90% [da receita com] do IPTU”
Bruno Covas (PSDB), prefeito de São Paulo, em entrevista ao programa É Notícia, da RedeTV, dia 16 de abril de 2018O orçamento de 2018 da Prefeitura de São Paulo prevê despesas da ordem de R$ 7,5 bilhões com aposentadorias, sendo R$ 2,6 bilhões pagos pelo próprio fundo de previdência, como contribuição patronal, e R$ 4,8 bilhões pagos diretamente pela prefeitura. Nos demonstrativos gerais apresentados pela prefeitura junto com a proposta de orçamento enviada à Câmara para 2018, a expectativa de arrecadação com o IPTU é de R$ 9,1 bilhões. Ou seja, o gasto da prefeitura com previdência é equivalente a 82,5% da arrecadação com IPTU.

Em nota, a prefeitura respondeu que a previsão atualizada do gasto com aposentadorias é de R$ 7,9 bilhões, o que elevaria a relação para 87% – próximo do número citado por Covas.


“Em 2017, nós tínhamos R$ 350 milhões para fazer a zeladoria da cidade de São Paulo [em referência às prefeituras regionais]”
Bruno Covas (PSDB), prefeito de São Paulo, em entrevista ao programa É Notícia, da RedeTV, dia 16 de abril de 2018O orçamento de 2017 da cidade de São Paulo previa R$ 563,7 milhões para Infra-Estrutura Urbana e Serviços Urbanos – o equivalente orçamentário à “zeladoria” – nas prefeituras regionais (então chamadas de subprefeituras). O valor, portanto, supera em R$ 200 milhões o que foi citado por Covas.

A previsão ainda destina R$ 585,4 milhões à administração geral das prefeituras regionais, totalizando um orçamento de R$ 1,1 bilhão.

Em nota, a prefeitura de São Paulo declarou que foram consideradas as rubricas “Conservação de Vias e Logradouros (R$ 165,7 milhões), Áreas Ajardinadas (R$ 69,4 milhões) e Conservação de Galerias e Outros (R$ 84,9 milhões)”. A reportagem procurou essas três rubricas no detalhamento da despesa do orçamento de 2017, publicado no site da prefeitura, e não encontrou qualquer referência a elas. As rubricas também não constam no arquivo de dados disponibilizado pelo município.


“Nós estamos hoje com o menor número da série histórica de crianças aguardando uma vaga em creche [44 mil, mencionados pela entrevistadora]”
Bruno Covas (PSDB), prefeito de São Paulo, em entrevista ao programa É Notícia, da RedeTV, dia 16 de abril de 2018Segundo dados da Secretaria Municipal de Educação de São Paulo, em dezembro de 2017 a demanda por vagas em creches era de 44,1 mil. É o menor número da série histórica divulgada pela secretaria e iniciada em 2006. Antes disso, o melhor momento havia sido em 2008, com 57,6 mil.


“O prefeito João Dória tinha a pretensão de acabar com a fila que ele recebeu da gestão Fernando Haddad, com 65 mil crianças aguardando”
Bruno Covas (PSDB), prefeito de São Paulo, em entrevista ao programa É Notícia, da RedeTV, dia 16 de abril de 2018De fato, a fila herdada pela gestão Dória era de 65 mil crianças. Porém, vale frisar que a gestão Haddad reduziu a fila. Em 2012, último ano da gestão Kassab, eram 97,2 mil crianças sem creche.

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