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Foto: Felipe Pontes / Agência Brasil
Foto: Felipe Pontes / Agência Brasil

Garotinho prega ‘compromisso com a verdade’, mas erra ao falar de seu governo

| Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
04.maio.2018 | 11h00 |

Esta publicação foi corrigida às 16h31 do dia 25 de maio de 2018. Veja abaixo.

Dezesseis anos depois de deixar o governo do Estado do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho está novamente em ritmo de campanha. Em sua página oficial no Facebook, publicou um vídeo no qual resgata supostas conquistas de seu governo (1999-2002). A Lupa checou algumas das informações do vídeo descrito pela frase: “Compromisso com a verdade”. Veja a seguir o resultado:

“Quem viabilizou a indústria automobilística do Estado? Governo Garotinho”
Anthony Garotinho, ex-governador e pré-candidato ao governo do RJ pelo PRP, em vídeo publicado no Facebook no dia 26 de abril de 2018

FALSO

A fábrica de automóveis MAN SE (Volkswagen) foi inaugurada em 1996, em Resende, três anos antes de a gestão de Garotinho no estado começar. A informação consta no site da empresa e também em uma linha do tempo da história da indústria automobilística publicada pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos (Anfavea). Da mesma forma, a PSA (Peugeot Citroën) informa em sua página que chegou ao Brasil em 1997, antes, portanto, da gestão Garotinho.

Procurado, o ex-governador não retornou.


“Quem trouxe a Thyssen [Krupp] para a Zona Oeste do Rio de Janeiro? [O governo de Anthony Garotinho]”
Anthony Garotinho, ex-governador e pré-candidato ao governo do RJ pelo PRP, em vídeo publicado no Facebook no dia 26 de abril de 2018

FALSO

De acordo com a própria empresa, a ThyssenKrupp se instalou no Rio de Janeiro em 1920, com a fundação da Companhia Thyssen do Brasil. A empresa considera que já atuava no país desde 1837, com o fornecimento de cilindros para cunhagem de moedas pela Krupp. As duas empresas – Thyssen e Krupp – se fundiram em 1999, dando origem à atual. Em 2006, no governo de Rosinha Garotinho, a companhia alemã lançou a pedra fundamental da Companhia Siderúrgica do Atlântico, no Distrito Industrial de Santa Cruz, na Zona Oeste do Rio de Janeiro. A planta, o maior investimento da ThyssenKrupp fora da Alemanha, entrou em operação em 2010. (em 1999, quando adquiriu a empresa brasileira Elevadores Sûr, com sede em Guaíba (RS). O grupo de origem alemã, líder mundial na produção de elevadores, lançou a pedra fundamental de sua fábrica no Rio de Janeiro em setembro de 2006, durante o governo de Rosinha Garotinho – não de seu marido.)

Procurado, o ex-governador não retornou.


“O legado econômico [do governo Anthony Garotinho]: saneei as finanças do Estado”
Anthony Garotinho, ex-governador e pré-candidato ao governo do RJ pelo PRP, em vídeo publicado no Facebook no dia 26 de abril de 2018

EXAGERADO

Em 1999, quando Garotinho assumiu o governo, o Balanço Orçamentário do Estado do Rio de Janeiro indicava um déficit de R$ 1.072.315.956,44. Quando ele deixou o cargo para concorrer à presidência, em 2002, o déficit era de R$ 1.192.054.656,34. Esse valor é menor do que o de 1999 corrigido pela inflação – R$ 1.385.156.844,98. Ou seja: quando Garotinho saiu do governo, o déficit era menor do que quando ele entrou, mas ainda existia.

Segundo o economista Gilberto Braga, do Ibmec, apesar de as análises orçamentárias de um governo estadual serem complexas, pode-se considerar o balanço das contas como um indicador do desempenho financeiro. O fato de o déficit ter diminuído mostra uma ligeira melhora nas contas do Estado, mas, de acordo com Braga, isso não significa que as finanças tenham sido saneadas, como o ex-governador fala.

Procurado, o ex-governador não retornou.


“[A indústria naval] Tinha 500 empregos [quando Garotinho assumiu o governo do RJ], hoje tem 70 mil”
Anthony Garotinho, ex-governador e pré-candidato ao governo do RJ pelo PRP, em vídeo publicado no Facebook no dia 26 de abril de 2018

EXAGERADO

De acordo com o Sindicato Nacional da Indústria Naval (Sinaval), em 1999, quando Garotinho assumiu o governo do Rio de Janeiro, de fato, o setor respondia por apenas 500 empregos no estado. No entanto, quando ele deixou o Palácio da Guanabara, em 2002, menos de 10 mil postos de trabalho do RJ eram da indústria naval – número bem inferior ao mencionado por ele.

O crescimento no setor ocorreu a partir de 2006. O sindicato informa que, em 2012 – já no governo Sérgio Cabral -, o número de postos de trabalho chegou a 70 mil. Mas, com a crise, o setor voltou a demitir e, hoje, a indústria naval responde por cerca de 45 mil empregos no RJ.

Procurado, o ex-governador não retornou.


“Quem trouxe para o Rio de Janeiro o Polo Gás Químico? Quem tirou do papel e botou em Duque de Caxias? [O governo Anthony Garotinho]”
Anthony Garotinho, ex-governador e pré-candidato ao governo do RJ pelo PRP, em vídeo publicado no Facebook no dia 26 de abril de 2018

VERDADEIRO

A pedra fundamental do Polo Gás Químico foi lançada em janeiro de 2000, nos primeiros anos do governo de Anthony Garotinho. O polo foi inaugurado em 2005, durante o governo de sua mulher, Rosinha Garotinho.


“Quem reabriu os estaleiros do Rio? Governo Garotinho”
Anthony Garotinho, ex-governador e pré-candidato ao governo do RJ pelo PRP, em vídeo publicado no Facebook no dia 26 de abril de 2018

VERDADEIRO

Durante a gestão Garotinho, o governo ofereceu isenções fiscais para que seis  estaleiros de grande porte no estado fossem reabertos. As empresas começaram a atender a novas demandas da Petrobras, que passou a adotar uma política de conteúdo local para a construção de plataformas e de outros equipamentos destinados à produção de petróleo.


“Quem trouxe o Comperj? Garotinho”
Anthony Garotinho, ex-governador e pré-candidato ao governo do RJ pelo PRP, em vídeo publicado no Facebook no dia 26 de abril de 2018

EXAGERADO

O Projeto do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj) é um projeto do Governo Federal e não do governo estadual. O Governo do Estado teve sua participação na medida em que fez pressão para que ele acontecesse, apoiando a campanha “A Refinaria é nossa”, da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan). Mas esse movimento foi criado em 2002, nos últimos dias do governo Garotinho.

Procurado, o ex-governador não retornou.

(Elisângela Mendonça, especial para a Lupa, sob supervisão de Natália Leal)

Editado por: Natália Leal

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