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Foto: Alan Santos/PR
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Temer acertou ao dizer que desemprego subiu porque mais gente busca emprego?

Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
10.maio.2018 | 06h00 |

Desemprego, déficit e PIB têm sido assuntos recorrentes nas falas do presidente Michel Temer (MDB). Na última sexta-feira (4), em palestra na Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), em São Paulo, ele mencionou que a alta na taxa de desemprego neste ano está relacionada ao fato de que mais pessoas estão buscando emprego. Mas… será? A Lupa checou essa e outras afirmações que Temer fez também em entrevistas à CBN, ao programa Poder em Foco, do SBT e em um evento do MDB. Veja abaixo o resultado:

“Sabe por que [o desemprego] aumentou? (…) Quando a economia melhora, as  pessoas que estavam desalentadas (…) começam a buscar emprego”
Michel Temer, presidente da República, em entrevista à Rádio CBN, no dia 7 de maio de 2018

FALSO

Pela metodologia do IBGE, uma pessoa só é considerada desocupada quando está ativamente em busca de emprego. Se ela deixa de procurar emprego, deixa de ser considerada parte da força de trabalho  e se torna “desalentada”. Então, é possível que o número de desempregados aumente porque mais pessoas passaram a procurar emprego.

Mas não é isso que acontece hoje no Brasil. Se houvesse um fluxo de desalentados buscando emprego, logicamente a força de trabalho cresceria. Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua Mensal (Pnadc/M), esse número oscilou negativamente entre o último trimestre do ano passado e o primeiro desse ano: de 104,4 milhões para 104,2 milhões.

Como a força de trabalho ficou relativamente estável e o número de desocupados aumentou (de 12,3 milhões para 13,7 milhões), logicamente, o número de pessoas ocupadas no Brasil caiu: de 92,1 milhões para 90,6 milhões.

Procurada, a Presidência da República disse que não comentaria esta checagem.


“Quando assumimos, [o desemprego] estava em 14,5 milhões”
Michel Temer, presidente da República, em palestra na faculdade de Relações Internacionais da ESPM, em São Paulo, no dia 04 de maio de 2018

FALSO

Temer assumiu a presidência, ainda de forma interina, no dia 12 de maio de 2016. No trimestre imediatamente anterior, composto por fevereiro, março e abril daquele ano, o número de desempregados era de 11,4 milhões, segundo a Pnadc/M. Esse número só ultrapassou a marca dos 14 milhões – citada pelo presidente – no primeiro trimestre de 2017, já na gestão Temer.

Procurada, a Presidência da República disse que não comentaria esta checagem.


“Quando apanhamos o governo, num primeiro momento, o déficit era de R$279 bilhões. No ano seguinte [2017], R$159 bilhões. (…) Ou seja: está diminuindo”
Michel Temer, presidente da República, em palestra na faculdade de Relações Internacionais da ESPM, em São Paulo, no dia 04 de maio de 2018

EXAGERADO

De fato, o déficit primário no Brasil diminuiu de 2016 para 2017. Os números citados por Temer, porém, estão equivocados. Ao assumir o governo federal em maio de 2016, o déficit acumulado nos 12 meses anteriores era de R$ 139 bilhões (considerando abril, o mês imediatamente anterior). No final de 2016, o déficit atingiu R$ 161,3 bilhões. No ano passado, o governo fechou o ano com um déficit primário de R$ 124,2 bilhões. Os dados são do Tesouro Nacional.

Procurada, a Presidência da República disse que não comentaria esta checagem.


Anulação da checagem: A Lupa se equivocou ao publicar a checagem. Ouvimos especialistas da PUC e do Ibmec e eles divergiram na interpretação da frase analisada. Logo não é possível afirmar que ela é verdadeira como foi feito originalmente neste post.

(“Precisamos lembrar que, no ano passado, [a variação do] o PIB era de 3,6% negativo. No ano próximo, foi 1,1% positivo, significando 4,7 [pontos percentuais] de desenvolvimento”
Michel Temer, presidente da República, em entrevista à Rádio CBN, no dia 7 de maio de 2018.

VERDADEIRO

Segundo o IBGE, a variação do PIB em 2016 foi de -3,5% e em 2017, de 1% positivo.

Atualização das 17h55 de 10/5/2018: De fato, a diferença entre esses dois números é de 4,7. Mas esses números não indicam um crescimento de 4,7% do PIB. Trata-se apenas da diferença entre os valores de 2016 e 2017.)

(*Elisângela Mendonça, especial para a Lupa, sob supervisão de Natália Leal)

Editado por: Natália Leal

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A Agência Lupa é membro verificado da International Fact-checking Network (IFCN). Cumpre os cinco princípios éticos estabelecidos pela rede de checadores e passa por auditorias independentes todos os anos

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VERDADEIRO
A informação está comprovadamente correta
VERDADEIRO, MAS
A informação está correta, mas o leitor merece mais explicações
AINDA É CEDO PARA DIZER
A informação pode vir a ser verdadeira. Ainda não é
EXAGERADO
A informação está no caminho correto, mas houve exagero
CONTRADITÓRIO
A informação contradiz outra difundida antes pela mesma fonte
SUBESTIMADO
Os dados são mais graves do que a informação
INSUSTENTÁVEL
Não há dados públicos que comprovem a informação
FALSO
A informação está comprovadamente incorreta
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