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Foto: TV Cultura / Reprodução
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Amoêdo diz que cota não levou mais mulheres às câmaras municipais. Será?

Repórter | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
23.maio.2018 | 19h30 |

Na última segunda-feira (21), o pré-candidato do Novo à Presidência da República, João Amoêdo, foi entrevistado pelo Roda Viva. O programa da TV Cultura vem realizando uma série de sabatinas com presidenciáveis e, até o momento, já ouviu Marina Silva (Rede) e Guilherme Boulos (PSOL). A Lupa checou algumas das declarações que Amoêdo deu ao programa. Confira abaixo:

“Nós temos hoje uma presidência que custa quase R$ 600 milhões por ano”
João Amoêdo, pré-candidato à Presidência da República pelo Novo, em entrevista ao Roda Viva, no dia 21 de maio de 2018

VERDADEIRO

O Orçamento para a Presidência da República em 2018, desconsiderando órgãos vinculados à ela (como institutos e secretarias), prevê um gasto de R$ 603 milhões. Esse número consta no Volume I da Lei Orçamentária Anual (LOA).


“Nós temos um Congresso (…) que custa R$ 28 milhões por dia”
João Amoêdo, pré-candidato à Presidência da República pelo Novo, em entrevista ao Roda Viva, no dia 21 de maio de 2018

VERDADEIRO

O Orçamento de 2018 prevê uma despesa de R$ 6,1 bilhões para a Câmara e de R$ 4,4 bilhões para o Senado, o que soma R$ 10,5 bilhões. Esses números constam no Volume I da LOA. E esse total corresponde a R$ 28,7 milhões por dia.

Em 2017, a Câmara gastou R$ 5,3 bilhões, e o Senado, R$ 4,1 bilhões – um total de R$ 9,4 bilhões ou R$  25,7 milhões por dia.


“O fato é que o número de assassinatos no Brasil cresceu (…) com o estatuto do desarmamento em vigor”
João Amoêdo, pré-candidato à Presidência da República pelo Novo, em entrevista ao Roda Viva, no dia 21 de maio de 2018

VERDADEIRO, MAS

Segundo o Mapa da Violência de 2016, publicado pela Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso), entre 1980 e 2003, ano em que o estatuto do desarmamento entrou em vigor, o número de homicídios por arma de fogo no Brasil crescia, em média, 8,1% ao ano. Entre 2003 e 2014, esse crescimento foi menor: de 2,1%.

Ainda de acordo com o mesmo relatório, nos cinco primeiros anos em que o estatuto esteve vigente, houve uma redução nas ocorrências. Esse número voltou a crescer a partir de 2012.

Os dados mais recentes sobre criminalidade estão no Anuário da Violência de 2017, do Fórum Nacional de Segurança Pública. Em 2016, foram 61,3 mil mortes violentas no país. Mas não há dados históricos nesse anuário que cobrem o período anterior ao estatuto do desarmamento.

Em nota, a assessoria do pré-candidato reafirmou o que o pré-candidato disse e pontuou que os homicídios cresceram de forma mais rápida do que a população, aumentando, portanto, a taxa de mortes por 100 mil habitantes o que é verdadeiro.

A assessoria afirmou também que “de 2003 a 2015, de acordo com o Global Health Data Exchange, o total de homicídios no mundo caiu de 408.691,81 para 388.120,33”. Esses números estão corretos. Mas eles englobam os assassinatos por arma de fogo, por objetos cortantes e por outros meios. Os homicídios causados exclusivamente por armas de fogo foram os únicos que cresceram nesse mesmo período também no mundo. Os outros diminuíram.

Além disso, a nota diz ainda que “em relação ao resto do mundo, a participação de homicídios do Brasil aumentou de 13,4% [em 2003] para 15,3% [em 2015]”, o que também é verdade. Porém, mais uma vez, os números consideram as três classificações de assassinato utilizadas pela Global Health Data Exchange. Quando analisados apenas os homicídios por arma de fogo – relação feita por Amôedo na frase avaliada – a participação do Brasil é praticamente a mesma: 25,06% em 2003 e 25,5% em 2015.


“A quantidade de mulheres eleitas nas câmaras municipais hoje é menor do que antes da cota [de 30%, no mínimo, para cada sexo]”
João Amoêdo, pré-candidato à Presidência da República pelo Novo, em entrevista ao Roda Viva, no dia 21 de maio de 2018

FALSO

O número de mulheres eleitas vereadoras cresceu desde a adoção da cota, em 2009. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em 2008, 6.504 mulheres (12,5% do total) foram eleitas. Nas primeiras eleições municipais seguintes, em 2012 – já com a cota valendo, foram 7.656 (13,3% do total). Em 2016, houve nova alta: 7.810 mulheres eleitas, ou 13,5% do total. Veja o levantamento aqui.

Desde 2009, por conta da Lei 12.034, todos os partidos e coligações para eleições proporcionais (deputados e vereadores) são obrigados a ter pelo menos 30% de candidatos de cada sexo. Na prática, como historicamente a maioria dos candidatos é homem, os partidos transformaram essa medida numa espécie de cota feminina.

Em nota, a assessoria do pré-candidato disse que Amoêdo “quis dizer que a quantidade de​ vereadoras eleitas em relação ao total de candidatas diminuiu de 9% em 2008 para ​5,1%​ em 2016”. Os números citados estão corretos, segundo a base de dados do TSE. Vale, no entanto, ressaltar, que a frase analisada não faz essa relação.


“No Brasil estamos falando, em média, 107 dias [para abrir uma empresa]”
João Amoêdo, pré-candidato à Presidência da República pelo Novo, em entrevista ao Roda Viva, no dia 21 de maio de 2018

EXAGERADO

Dados do relatório Doing Business 2018, do Banco Mundial, mostram ainda que o tempo médio para abertura de empresas no Brasil era de 79,5 dias em junho do ano passado. Apenas seis países são piores do que o Brasil nesse quesito.

Em nota, a assessoria do pré-candidato disse que “a fonte é o próprio Doing Business 2018 do Banco Mundial, mas o número é de 101,5 dias”. A Lupa voltou ao documento e constatou que esse número se refere somente à cidade de São Paulo – não ao Brasil, como citou o pré-candidato.

Editado por: Natália Leal e Cristina Tardáguila

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VERDADEIRO
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AINDA É CEDO PARA DIZER
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EXAGERADO
A informação está no caminho correto, mas houve exagero
CONTRADITÓRIO
A informação contradiz outra difundida antes pela mesma fonte
SUBESTIMADO
Os dados são mais graves do que a informação
INSUSTENTÁVEL
Não há dados públicos que comprovem a informação
FALSO
A informação está comprovadamente incorreta
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