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Palácio da Liberdade, sede do governo mineiro. Foto: Agência Brasil
Palácio da Liberdade, sede do governo mineiro. Foto: Agência Brasil

Pré-candidatos ao governo de MG, Anastasia, Pimentel e Pacheco exageram dados

| Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
26.maio.2018 | 10h00 |

Antonio Anastasia (PSDB), Fernando Pimentel (PT) e Rodrigo Pacheco (DEM) já confirmaram suas pré-candidaturas ao governo de Minas Gerais. O petista é o atual governador. O tucano comandou MG entre 2011 e 2014, e o democrata, recém-chegado na política, virou deputado federal em 2015. Nas últimas semanas, os três falaram sobre suas gestões e sobre a atual situação do estado. A Lupa checou algumas de suas falas. Veja o resultado a seguir:

“Quando nós deixamos o governo, ao final de 2014, [a Cidade das Águas, em Frutal] eram obras em andamento”
Antonio Anastasia, senador e pré-candidato ao governo de MG pelo PSDB, no evento de lançamento de sua pré-candidatura, no dia 14 de maio de 2018, em Contagem

FALSO

A Fundação Centro Internacional de Educação, Capacitação e Pesquisa Aplicada em Águas (Hidroex), conhecida como Cidade das Águas, em Frutal, teve as obras iniciadas em 2009 e paralisadas em 2014, ainda no governo Antonio Anastasia. Em 2016, a Controladoria Geral do Estado investigou a construção por conta do alto custo de instalação, das obras inacabadas e do espaço ocioso – avaliados em R$ 200 milhões. O Ministério Público de Minas Gerais denunciou o ex-secretário de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior de Anastasia, Nárcio Rodrigues, e outras 14 pessoas, por organização criminosa, fraude em licitação, obtenção de vantagem indevida, lavagem de dinheiro, peculato e obstrução de justiça. O Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais (TJMG) condenou o grupo, que recorre.

A fundação foi extinta por lei, em setembro de 2016. O atual governo de MG informa, por sua vez, que “a Universidade do Estado de Minas Gerais (Uemg) assumiu as responsabilidades e obrigações da Hidroex quanto aos programas, projetos, contratos e convênios celebrados”. Também foram transferidos para a universidade os arquivos e a execução dos contratos, convênios, acordos e outras modalidades de ajustes celebrados pela instituição, bem como os bens imóveis, revertidos ao patrimônio do Estado.

Procurado, Anastasia não comentou o caso. Afirmou apenas que “quanto às investigações, defende, como sempre defendeu, que quaisquer denúncias devam ser rigorosamente apuradas pelos órgãos competentes e julgadas na forma da lei”.


“Fui eleito […] sem ajuda de partido”
Rodrigo Pacheco, pré-candidato ao governo de Minas Gerais pelo DEM, em entrevista ao jornal Estado de Minas, no dia 21 de maio

FALSO

Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram que Rodrigo Pacheco foi eleito deputado federal em 2014 com 92.743 votos e que, para fazer sua campanha, recebeu quatro repasses de dinheiro oriundos de dois partidos. O PT doou R$ 751,33. O PMDB, legenda de Pacheco à época, fez três doações que juntas somam R$ 53.716,39

Procurada, a assessoria de Pacheco afirmou, em nota, que os valores repassados pelos partidos são “doações estimadas de material de propaganda”. A nota afirma ainda que o dinheiro que Pacheco recebeu é menos do que sua campanha destinou a campanhas parceiras de deputados estaduais.


“Quando chegamos [ao governo, em 2015], (…) [MG] já tinha um déficit de R$ 8 bilhões”
Fernando Pimentel, governador de Minas Gerais, em entrevista ao MGTV, em 15 de maio de 2018, em Uberlândia

EXAGERADO

A Secretaria de Estado da Fazenda de Minas Gerais informa que o déficit orçamentário herdado pela atual gestão foi de R$ 7,3 bilhões – R$ 700 milhões a menos do que o citado por Pimentel. Segundo a secretaria, os cálculos foram refeitos pela atual gestão, por que “foi apurado, no início de 2015, que, no relatório fiscal de 2014, as despesas estavam subestimadas e as receitas superestimadas”.

Por telefone, a assessoria do governo afirmou que, durante o programa ao vivo, Pimentel arredondou os números por facilidade, mas que os dados estão muito próximos.


“Durante nosso mandato [2011-2014], (…) Minas Gerais [ficou] em primeiro lugar na educação brasileira”
Antonio Anastasia, senador e pré-candidato ao governo de MG pelo PSDB, no evento de lançamento de sua pré-candidatura, no dia 14 de maio de 2018, em Contagem

EXAGERADO

O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), ligado ao Ministério da Educação, divulgou duas edições do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) que cobrem o período em que Antonio Anastasia foi governador do Minas: a de 2011 e a de 2013. Observando as duas, constata-se que Minas Gerais apareceu em “primeiro lugar” em três dos seis cenários avaliados – ou seja, em 50% dos casos.

Procurada, a assessoria de comunicação do atual senador sustentou a informação. Em nota também destacou que Minas ocupou “o primeiro lugar em outros rankings, ano após ano, como no da Olimpíada Brasileira de Matemática”.


“[Minas Gerais tem] projeção [do déficit público] que supera os R$ 10 bilhões para 2019”
Rodrigo Pacheco, pré-candidato ao governo de Minas Gerais pelo DEM, em entrevista ao jornal Estado de Minas, no dia 21 de maio

AINDA É CEDO PARA DIZER

De acordo com a Secretaria de Estado da Fazenda de Minas Gerais (SEF-MG), o déficit orçamentário previsto para este ano é de R$ 8 bilhões e a estimativa para 2019 é de R$ 5,6 bilhões. Estas informações, no entanto, só poderão ser confirmadas com o fechamento dos orçamentos, que ocorre no início do próximo ano.  

Em nota, a assessoria de Rodrigo Pacheco afirmou que as informações da SEF-MG do atual governo não são confiáveis e que “as projeções são feitas a partir dos indicadores econômicos e estudos da equipe econômica da pré-candidatura”, que fazem parte de informações estratégicas e não podem ser divulgadas. Indicariam, sim, uma “piora do déficit para o ano seguinte considerando a crise nacional”.

(Izabella Bontempo, especial para a Lupa, sob supervisão de Natália Leal e Clara Becker)

Editado por: Natália Leal e Cristina Tardáguila

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