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Foto: Guilheme Britto/PR
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Em peça publicitária, governo federal erra ao falar sobre saúde e educação

Repórter | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
23.jun.2018 | 06h00 |

Na última sexta-feira (15), o governo federal publicou uma peça publicitária, de oito páginas intitulada “Brasil avança em todas as direções”, encartada no jornal O Estado de S.Paulo. Esse documento apresenta uma série de dados e informações positivas sobre a atual gestão. E a Lupa decidiu verificar algumas delas. Veja o resultado abaixo:

“Saúde (…) investe mais na Atenção Básica”
Página 3 da peça publicitária “Brasil avança em todas as direções”, publicada pelo governo federal no jornal O Estado de S.Paulo em 15 de junho de 2018

FALSO

De acordo com os dados do Portal da Transparência, o valor repassado pelo governo federal à atenção básica em saúde vem caindo desde 2014. Naquele ano, foram gastos R$ 26,6 bilhões (em valores corrigidos pelo IPCA). Em 2015, o montante diminuiu para R$ 24,5 bilhões e se manteve em 2016. Em 2017, voltou a cair, chegando a R$ 23,7 bilhões.

Dentro destes valores estão o Piso de Atenção Básica Fixo (PAB Fixo) e o Piso de Atenção Básica Variável (PAB Variável). O primeiro diz respeito a um valor fixo que deve ser repassado aos municípios de acordo com uma classificação que leva em conta, por exemplo, o tamanho da população e o PIB per capita de cada cidade. Já o PAB Variável é destinado a programas e estratégias específicas do governo federal na área de atenção básica.

Esses valores também diminuíram. Em 2017, R$ 15,3 bilhões foram repassados aos estados e municípios nessas duas rubricas. De 2012 a 2015, o governo gastou mais do que isso em todos os anos (entre R$ 16,6 bilhões e R$ 19,7 bilhões).

Procurado, o governo federal não respondeu.


“Depois de sete anos de congelamento, a União aumentou a verba destinada à alimentação escolar em 2017”
Página 3 da peça publicitária “Brasil avança em todas as direções”, publicada pelo governo federal no jornal O Estado de S.Paulo em 15 de junho de 2018

EXAGERADO

O Portal da Transparência mostra que, em 2017, o governo federal gastou R$ 3,9 bilhões com o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE). Considerando valores corrigidos pela inflação, esse montante é menor do que o transferido para o PNAE em seis dos sete anos anteriores. Entre 2010 e 2014, o gasto com esse programa oscilou entre R$ 4,4 bilhões e R$ 4,6 bilhões. Em 2015 e 2016, as transferências caíram para R$ 4,1 bilhões e 3,2 bilhões, respectivamente.

Procurado, o governo federal não respondeu.


“As cinco maiores empresas controladas pela União [Banco do Brasil, BNDES, Caixa, Eletrobras e Petrobras] (…) em 2015 haviam registrado um prejuízo somado de R$ 32 bilhões”
Página 7 da peça publicitária “Brasil avança em todas as direções”, publicada pelo governo federal no jornal O Estado de S.Paulo em 15 de junho de 2018

EXAGERADO

A soma do resultado financeiro das cinco empresas a que o governo se refere foi de R$ 22 bilhões – e não de R$ 32 bilhões – em 2015. Naquele ano, a Petrobras e a Eletrobras tiveram prejuízo de R$ 34,8 bilhões e R$ 15 bilhões, respectivamente. Já BNDES, Caixa e Banco do Brasil registraram lucro de R$ 6,2 bilhões, R$ 14,4 bilhões e R$ 7,2 bilhões, respectivamente. Somados esses valores, chega-se a um total de R$ 22 bilhões negativos.

Procurado, o governo federal não respondeu.


“[As cinco maiores empresas controladas pela União] Fecharam 2017 com um lucro somado de R$ 28,4 bilhões”
Página 7 da peça publicitária “Brasil avança em todas as direções”, publicada pelo governo federal no jornal O Estado de S.Paulo em 15 de junho de 2018

VERDADEIRO, MAS

Em 2017, a soma dos resultados das cinco empresas citadas (Banco do Brasil, BNDES, Caixa, Eletrobras e Petrobras) chega a um valor próximo do afirmado pelo governo: R$ 27,7 bilhões. Mas vale destacar que duas delas tiveram prejuízo em 2017: a Petrobras (R$ 446 milhões) e a Eletrobras (R$ 1,7 bilhão). Tiveram lucro o BNDES (R$ 6,2 bilhões), a Caixa (R$ 12,5 bilhões) e o Banco do Brasil (R$ 11,1 bilhões).


“Passamos a ocupar o oitavo lugar entre as nações com maior capacidade instalada de energia eólica”
Página 6  da peça publicitária “Brasil avança em todas as direções”, publicada pelo governo federal no jornal O Estado de S.Paulo em 15 de junho de 2018

VERDADEIRO

Segundo a última edição do relatório estatístico anual do Conselho Global de Energia Eólica (GWEC), publicado em 2017, o Brasil ultrapassou o Canadá e se tornou o oitavo país com a maior capacidade instalada para produção de energia eólica no planeta: 12.763 MW.

*Esta reportagem foi publicada pela versão impressa do jornal Folha de S.Paulo no dia 23 de junho de 2018.

Editado por: Natália Leal e Cristina Tardáguila

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VERDADEIRO
A informação está comprovadamente correta
VERDADEIRO, MAS
A informação está correta, mas o leitor merece mais explicações
AINDA É CEDO PARA DIZER
A informação pode vir a ser verdadeira. Ainda não é
EXAGERADO
A informação está no caminho correto, mas houve exagero
CONTRADITÓRIO
A informação contradiz outra difundida antes pela mesma fonte
SUBESTIMADO
Os dados são mais graves do que a informação
INSUSTENTÁVEL
Não há dados públicos que comprovem a informação
FALSO
A informação está comprovadamente incorreta
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