A PRIMEIRA AGÊNCIA DE FACT-CHECKING DO BRASIL

Mitos e verdades sobre novo surto de sarampo, doença ‘altamente contagiosa’

por Cristina Tardáguila e Chico Marés
04.jul.2018 | 06h00 |

Na última terça-feira (3), os estados de Roraima e Amazonas declararam situação de emergência pelo prazo de 180 dias por conta de um surto de sarampo. Juntas, as duas unidades da federação já têm mais de 500 casos confirmados da doença que havia sido extinta no país. O Rio Grande do Sul já computa seis registros. O Rio de Janeiro, uma suspeita. Veja a seguir uma série de mitos e verdades sobre esse surto da doença:

“Copa do Mundo aumenta risco de surto de sarampo no Brasil”

VERDADEIRO

O Hospital Sírio-Libanês informa que, de janeiro a abril deste ano, a Rússia identificou 1.149 casos de sarampo e que 42% deles foram em adultos. Lembra que cerca de 65 mil brasileiros viajaram para acompanhar os jogos da Copa do Mundo em território russo. Logo, há risco real de algumas pessoas acabarem “importando” a doença no retorno ao Brasil. A Secretaria de Saúde de São Paulo também recomendou a vacinação da doença para turistas que vão à Rússia.


“O surto de sarampo está ligado à crise venezuelana”

VERDADEIRO

O Ministério da Saúde relata que, em Roraima e Amazonas, unidades da federação que declararam situação de emergência nos últimos dias, há casos de sarampo relacionados a refugiados da Venezuela. De acordo com a Organização Mundial de Saúde, em 2017, quatro países notificaram a ocorrência de casos confirmados de sarampo na América: Argentina (três registros), Canadá (45), Estados Unidos (120) e Venezuela (727). Ainda segundo a entidade, até 12 de março deste ano, o Brasil tinha confirmado 14 casos da doença – todos relacionados a cidadãos venezuelanos não-vacinados. Análise da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) mostrou que o sarampo identificado nesses casos era do tipo D8 – o mesmo visto na Venezuela no ano passado.


“O sarampo estava extinto no Brasil”

VERDADEIRO

A Organização Mundial da Saúde (OMS) decretou o Brasil território livre de sarampo em 2016. Mas a doença estava controlada bem antes disso. O último surto autóctone – quando as contaminações ocorrem dentro do próprio país – ocorreu em 2000, segundo o Ministério da Saúde. Entretanto, até a última segunda-feira (2), já havia surtos de sarampo em Roraima (200 casos confirmados, 177 sob investigação) e no Amazonas (263 casos confirmados, 1.368 sob investigação), além de seis casos confirmados no Rio Grande do Sul. No Rio de Janeiro, havia uma suspeita e, em São Paulo, a Secretaria de Saúde editara um alerta em nível 3, o mais alto da escala, para o risco de surto da doença.


“A vacina é o único meio eficaz de evitar o sarampo”

VERDADEIRO

O Ministério da Saúde destaca em seu site que a vacina contra o sarampo é a única maneira de prevenir a doença. No atual calendário de vacinação usado no Brasil, uma dose da tríplice viral é aplicada aos 12 meses de idade e a outra aos 15 meses. Ainda vale ressaltar que não existe tratamento específico para o sarampo, só formas de aliviar os sintomas. Entre elas: alimentação leve, ingestão de muito líquido e repouso.


“Sarampo só se pega uma vez na vida”

VERDADEIRO

Assim como acontece com a catapora, a rubéola e outras doenças típicas da infância, quando um indivíduo contrai sarampo, o corpo gera anticorpos que impedem que, em caso de nova contaminação, a doença se desenvolva.


“Todos devem tomar a vacina contra o sarampo”

FALSO

O Hospital Sírio-Libanês indica que, diante do risco de surto de sarampo, a recomendação é que os pais não deixem de imunizar seus filhos e que os adultos que não sabem se tomaram ou não a vacina também sejam imunizados. Essa recomendação, no entanto, é válida para pessoas com até 49 anos. A partir dessa idade, a vacinação deve ser avaliada caso a caso. O Ministério da Saúde destaca, por sua vez, que pessoas com suspeita de sarampo, gestantes, crianças com menos de 6 meses de idade e imunocomprometidos não devem tomar a vacina.


“Só pego sarampo se encostar em alguém com a doença”

FALSO

O Ministério da Saúde classifica o sarampo como uma doença altamente contagiosa e informa que ela é transmitida por meio de secreções mucosas, como a saliva, de indivíduos doentes para outros não-imunizados. A pasta ressalta que as gotículas de secreções podem ser inaladas e, por isso, recomenda o uso de máscara quando houver aproximação de menos de dois metros do doente.


“Sarampo não é perigoso”

FALSO

O Ministério da Saúde considera o sarampo uma doença infecciosa aguda, de natureza viral, grave, transmissível e extremamente contagiosa. Ela normalmente não causa complicações, mas há casos em que pode evoluir para encefalite (inflamação no cérebro), pneumonia e lesão cerebral. A Organização Mundial de Saúde estima que sarampo tenha causado 90 mil mortes em 2016.


“Mulheres pegam mais sarampo do que homens”

FALSO

O Ministério da Saúde informa que o sarampo afeta, igualmente, ambos os sexos. A incidência, a evolução clínica e a letalidade da doença são influenciadas, segundo a pasta, pelas condições socioeconômicas, nutricionais e imunitárias das pessoas – e não pelo gênero. Aglomerações em lugares públicos e em pequenas residências também podem facilitar a transmissão da doença, de acordo com o ministério.

*Esta reportagem foi publicada na versão impressa do jornal Folha de S.Paulo do dia 4 de julho de 2017.

Editado por: Natalia Leal

O conteúdo produzido pela Lupa é de inteira responsabilidade da agência e não pode ser publicado, transmitido, reescrito ou redistribuído sem autorização prévia.

A Agência Lupa é membro verificado da International Fact-checking Network (IFCN). Cumpre os cinco princípios éticos estabelecidos pela rede de checadores e passa por auditorias independentes todos os anos

Esse conteúdo foi útil?

1 2 3 4 5

Você concorda com o resultado desta checagem?

Sim Não

Leia também

Etiquetas
VERDADEIRO
A informação está comprovadamente correta
VERDADEIRO, MAS
A informação está correta, mas o leitor merece mais explicações
AINDA É CEDO PARA DIZER
A informação pode vir a ser verdadeira. Ainda não é
EXAGERADO
A informação está no caminho correto, mas houve exagero
CONTRADITÓRIO
A informação contradiz outra difundida antes pela mesma fonte
INSUSTENTÁVEL
Não há dados públicos que comprovem a informação
FALSO
A informação está comprovadamente incorreta
DE OLHO
Etiqueta de monitoramento
Seções
Arquivo