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Impeachment: um quarto dos vereadores contra Crivella fizeram campanha para elegê-lo

| Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
12.jul.2018 | 19h55 |

Quatro dos 16 vereadores que votaram a favor da abertura de um processo de impeachment contra o prefeito do Rio de Janeiro Marcelo Crivella (PRB) fizeram campanha para o político nas eleições de 2016. Na tarde desta quinta-feira (12), a Câmara de Vereadores da capital fluminense rejeitou a possibilidade de afastar o prefeito, por 29 votos a 16. Crivella é acusado de ter prometido benefícios a fiéis e pastores evangélicos em reunião na semana passada. O Ministério Público o denunciou por improbidade administrativa.

A Lupa verificou as mudanças de posição dos vereadores. Veja a checagem a seguir.

CONTRADITÓRIO

Rosa Fernandes (MDB)

Vereadora mais votada do MDB, partido que comandou a prefeitura do Rio por oito anos, com Eduardo Paes, Rosa Fernandes ficou ao lado do candidato da sigla, Pedro Paulo Carvalho, no primeiro turno das eleições de 2016. Mas, no segundo turno, apoiou Crivella, e chegou a gravar um vídeo defendendo a candidatura do atual prefeito.

“O senador já está sabedor de todas as nossas demandas, da continuidade dos nossos projetos, na área da saúde. O senador é sensível a tudo aquilo que nós trouxemos de interesse da população do subúrbio do Rio”, dizia Rosa no vídeo. “Decidimos apoiar o senador Crivella, porque ele assumiu esse compromisso de dar continuidade às obras e investir em novas conquistas”, completava a vereadora.

Na tarde desta quinta-feira, Rosa Fernandes votou a favor da saída de Crivella, e se justificou à Lupa. “Crivella era a opção que tinha. Não era meu candidato, mas desde que ele assumiu, eu tento dar o meu melhor para a cidade, para que não chegasse ao ponto que chegou. Tenho uma relação de pessoas que estão com catarata”, afirmou ela, em crítica à oferta de cirurgias de catarata que o prefeito fez a líderes religiosos em reunião no Palácio da Cidade, na semana passada.


Teresa Bergher (PSDB)

Além de ter feito campanha para Crivella no segundo turno das eleições, Teresa Bergher foi secretária de Assistência Social e Direitos Humanos da prefeitura de janeiro a setembro de 2017. Em julho do ano passado, a prefeitura iniciou a construção de um memorial para vítimas do Holocausto, idealizado pelo já falecido deputado estadual Gerson Bergher, marido de Teresa.

Para justificar sua passagem de secretária da prefeitura à apoiadora de um processo de impeachment, a vereadora disse que não concordou com a proposta da prefeitura de aumento do IPTU. “Já me considero uma vereadora de oposição, em função das atitudes recentes do prefeito”, declarou.


Zico (PTB)

Nas eleições de 2016, o PTB, do vereador Zico, fez parte da coligação de partidos que esteve ao lado de Pedro Paulo Carvalho (candidato pelo MDB, agora no DEM). No segundo turno, Zico passou a apoiar a candidatura de Crivella. Participou, inclusive, de uma gravação de programa eleitoral do atual prefeito, durante o segundo turno das eleições.

Antes de votar a favor da abertura do processo de impeachment, justificou sua mudança de posição à Lupa: “É o desejo das ruas, da população. Os moradores me cobram, eu sei o que está acontecendo. A votação é para discutir, para investigar”, afirmou.


Rafael Aloísio Freitas (MDB)

Sétimo vereador mais votado do MDB nas eleições de 2016, Rafael Aloísio Freitas também participou de gravações da campanha de Crivella durante o segundo turno. Quando o atual prefeito foi anunciado vencedor, Rafael publicou, no Facebook, uma foto em que aparecia ao lado de Crivella. Na publicação, Freitas celebrava o resultado. “Agora é o momento de acompanhar de perto a transição do governo para que as propostas sejam executadas ao longo dos próximos quatro anos”, escreveu, ainda em outubro de 2016.

Hoje favorável à abertura do processo de impeachment contra Crivella, Rafael justificou sua mudança de posição com base em “decisões erradas” tomadas pela atual prefeitura. “Foi muito ruim a discussão do orçamento neste ano. A coisa está definhando”, afirmou o vereador.


Além dos quatro vereadores que apoiaram tanto a eleição de Crivella quanto a abertura do processo de impeachment, outra mudança de lado chamou atenção na tarde desta quinta-feira na Câmara do Rio. Vereador em primeiro mandato, Professor Adalmir (PSDB) foi um dos 17 parlamentares que assinaram documento pela reabertura da Câmara, em meio ao recesso, para discussão da possibilidade de um pedido de afastamento de Crivella. Mas hoje foi um dos que votaram contra o prosseguimento do processo.

“Faltava só uma assinatura para que a Câmara fosse reaberta. Mesmo sendo da base do governo, achava que era necessário discutir e questionar. Mas minha convicção foi sempre a mesma: os argumentos não são suficientes para continuarmos o rito”, afirmou à Lupa.

Veja como cada vereador votou 

Contra a abertura da investigação
Alexandre Isquierdo (DEM)
Carlo Caiado (DEM)
Cláudio Castro (PSC)
Daniel Martins (PDT)
Dr. Carlos Eduardo (SD)
Dr. Jairinho (MDB)
Dr. Jorge Manaia (SD)
Eliseu Kessler (PSD)
Felipe Michel (PSDB)
Inaldo Silva (PRB)
Italo Ciba (Avante)
Jair de Mendes Gomes (PMN)
Jones Moura (PSD)
Júnior da Lucinha (MDB)
Luiz Carlos Ramos Filho (Pode)
Marcelino D’almeida (PP)
Marcelo Arar (PTB)
Otoni de Paula (PSC)
Prof. Célio Lupparelli (DEM)
Prof. Adalmir (PSDB)
Rocal (PTB)
Tânia Bastos (PRB)
Thiago K. Ribeiro (MDB)
Tiãozinho do Jacaré (PRB)
Val Ceasa (Patri)
Vera Lins (PP)
Welington Dias (PRTB)
Willian Coelho (MDB)
Zico Bacana (PHS)

A favor da abertura da investigação
Babá (Psol)
Cesar Maia (DEM)
David Miranda (Psol)
Fernando Willian (PDT)
Leandro Lyra (Novo)
Leonel Brizola (Psol)
Luciana Novaes (PT)
Paulo Pinheiro (Psol)
Rafael Aloisio Freitas (MDB)
Reimont (PT)
Renato Cinco (Psol)
Rosa Fernandes (MDB)
Tarcísio Motta (Psol)
Teresa Bergher (Psdb)
Ulisses Marins (PMN)
Zico (PTB)

Ausentes
Chiquinho Brazão (Avante)
Carlos Bolsonaro (PSC)
Marcello Siciliano (PHS)
Verônica Costa (MDB)

Não votaram
Jorge Felippe (MDB, não vota por ser presidente da Câmara)
Átila Alexandre Nunes (MDB, por ter apresentado o pedido)

 

Editado por: Natália Leal e Chico Marés

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