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Doria, Skaf, França e Marinho: onde erram os quatro grandes de SP

Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
24.jul.2018 | 06h00 |

João Doria (PSDB), Paulo Skaf (MDB), Márcio França (PSB) e Luiz Marinho (PT), os quatro pré-candidatos mais bem colocados na última pesquisa Datafolha sobre o governo de São Paulo, têm dado entrevistas a diferentes meios de comunicação e falado sobre  segurança, desemprego e campanha. A Lupa analisou algumas das frases ditas por eles. Veja a seguir o resultado:

“Prendemos naquele dia [da operação para dar fim à Cracolândia, no Centro de São Paulo] mais de 200 traficantes”
João Doria, pré-candidato pelo PSDB ao governo de SP, em entrevista à Rádio Jovem Pan no dia 11 de julho de 2018

EXAGERADO
  

Segundo a Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP), no dia 21 de maio, a polícia apreendeu 53 pessoas na operação que buscava dar fim à Cracolândia no Centro de São Paulo. Delas, 48 eram adultas e foram detidas por tráfico de drogas. Três eram adolescentes e foram apreendidas pelo mesmo crime. Outras duas pessoas foram presas por roubo. Assim, não foram “mais de 200” detidos naquele dia, como disse Doria. O número citado pelo pré-candidato tucano representa, na verdade, quase metade dos presos por tráfico de drogas na Cracolândia ao longo de três meses. De acordo com a SSP, 446 pessoas detidas nessa região nesse período.

Procurado, Doria reconheceu que, no dia da operação, 53 pessoas foram presas. O ex-prefeito de São Paulo afirma ainda que, no balanço de um ano das ações de combate à Cracolândia, 1.625 traficantes foram presos na região.


“Eu tenho o dobro do índice [de intenção de voto] do [ex] governador [Geraldo] Alckmin na capital”
João Doria, pré-candidato pelo PSDB ao governo de SP, em entrevista à Rádio Jovem Pan no dia 11 de julho de 2018

VERDADEIRO, MAS
  

A pesquisa espontânea sobre o governo de SP divulgada pelo Datafolha no dia 16 de abril mostra que, na capital paulista, João Doria tinha 7% das intenções de voto. No cenário em que Geraldo Alckmin também aparecia, o ex-governador atingia 2%. Doria tinha, portanto, mais que o triplo das intenções de voto dos eleitores da capital, desconsiderada a margem de erro de dois pontos percentuais. Mas vale destacar que a pesquisa desconsiderou o fato de que Alckmin já cumpria seu segundo mandato e não poderia se reeleger. Além disso, ele pretende concorrer à Presidência da República – e não ao governo estadual.


“O alistamento civil (…) estava no plano de governo do Alckmin, mas não havia sido implementado”
Márcio França, pré-candidato pelo PSB ao governo de SP, em entrevista ao Roda Viva no dia 16 de julho de 2018

FALSO
  

O alistamento civil é um programa de cursos profissionalizantes para jovens de 16 a 18 anos. Eles recebem uma bolsa de R$ 500 e realizam serviços comunitários. Em dezembro de 2015, na gestão Alckmin, a Assembleia Legislativa de SP aprovou projeto de lei permitindo a implementação do alistamento civil. Na época, ele era conhecido como Via Rápida 18. Em julho de 2018, França assinou convênios para implementar o projeto em 16 municípios.

Não há citações explícitas nem ao Via Rápida 18 nem ao alistamento civil no programa de governo que Alckmin registrou no TSE em 2014. Na página 33 do documento, há a promessa de “fomentar a inserção profissional formal de jovens em situação de vulnerabilidade social”. Também não há menções a ambos no Plano Plurianual (PPA), lei que orienta os programas e ações governamentais de SP de 2016 a 2019.

Procurado, a assessoria de França defendeu que o alistamento constava na página 33 do programa de Alckmin, mesmo sem ter sido expressamente citado.


“Aqui em SP, (…) nós temos mais de 200 mil presos”
Márcio França, pré-candidato pelo PSB ao governo de SP, em entrevista ao Roda Viva no dia 16 de julho de 2018

VERDADEIRO
  

De acordo com o Levantamento Nacional de Informações Penitenciárias, SP é o estado com a maior quantidade de presos no país: 240.061 pessoas em cativeiro. Esse número representa 33,1% da população prisional brasileira.


“Estávamos já com 14 milhões de desempregados [quando a Fiesp decidiu apoiar o impeachment de Dilma Rousseff]”
Paulo Skaf, pré-candidato ao governo de SP pelo MDB, em entrevista ao programa É Notícia, da Rede TV, no dia 3 de julho de 2017

EXAGERADO
  

A Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp) declarou apoio formal ao impeachment em 14 de dezembro de 2015. À época, Skaf presidia a instituição. Hoje, está licenciado do cargo. Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua Trimestral (Pnadc/T), no último trimestre de 2015, o Brasil tinha 9,1 milhões de desempregados. No primeiro trimestre de 2016, o último antes do afastamento de Dilma, eram 11,1 milhões. O Brasil só atingiu a marca de 14 milhões de desempregados no primeiro trimestre de 2017, já na gestão do presidente Michel Temer.

Procurada, a assessoria de Skaf disse que não responderia.


“[João Doria] Aparece nas pesquisas [com] em torno de 20% [das intenções de voto], da mesma forma que eu apareço [com] em torno de 20%, [estamos] praticamente empatados”
Paulo Skaf, pré-candidato ao governo de SP pelo MDB, em entrevista ao programa É Notícia, da Rede TV, no dia 3 de julho de 2017

VERDADEIRO, MAS
 

Skaf e Doria aparecem empatados apenas na pesquisa Ibope divulgada no dia 30 de junho. O pré-candidato do PSDB tem 19% das intenções de voto, enquanto o presidente licenciado da Fiesp aparece com 17%. Ou seja: há um empate dentro da margem de erro, que é de dois pontos percentuais.

Mas as outras duas pesquisas mais recentes sobre as intenções de voto para o governo de SP mostram índices diferentes. No Datafolha, divulgado em 16 de abril, Doria tinha 29%, e Skaf, 20%. Já o levantamento do Paraná Pesquisas do dia 19 de junho mostra Doria com 33,3% e Skaf com 21,5%.  


“[O governo Lula gerou] 22 milhões de empregos com carteira assinada”
Luiz Marinho, pré-candidato pelo PT ao governo de SP, em entrevista ao Roda Viva no dia 4 de julho de 2018

EXAGERADO
  

Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho, mostram que, durante o governo Lula (2003 a 2010), houve um saldo positivo de cerca de 11,3 milhões de empregos criados – pouco mais da metade do total citado por Marinho.

Procurado, o pré-candidato afirmou que se referia aos empregos criados durante os governos petistas, o que incluiria os mandatos de Dilma. Mas, de 2011 a abril de 2016, foram gerados 2,8 milhões de empregos. Sendo assim, o saldo total dos governos do PT foi de 14,1 milhões de vagas criadas – não 22 milhões.  

Atualização do dia 15 de agosto de 2018, às 14h40: Segundo a Relação Anual de Informações Sociais (Rais), do Ministério do Trabalho, a diferença entre o número total de pessoas empregadas entre 2002, último ano antes de Lula tomar posse, e 2010, último ano de Lula no governo, era de 15,4 milhões. Se considerarmos 2015, último ano do PT no governo, este número sobe para 19,4 milhões.


“Se você olhar o Ideb de quando assumi [a prefeitura de São Bernardo do Campo], em 2008, era de 5,4. Deixei com 6,8”
Luiz Marinho, pré-candidato pelo PT ao governo de SP, em entrevista ao Roda Viva no dia 4 de julho de 2018

VERDADEIRO
  

Luiz Marinho assumiu a prefeitura de São Bernardo do Campo em 2009, mas não houve avaliação do Índice de Desenvolvimento de Educação Básica (Ideb) naquele ano. Na avaliação imediatamente anterior, realizada em 2007, a cidade recebeu nota 5,1 para os anos iniciais do ensino fundamental. Essa nota aumentou para 6,8 em 2015, penúltimo ano do segundo mandato de Marinho e último dado disponível para consulta. Não há avaliação para a rede municipal de ensino de São Bernardo do Campo nas outras duas faixas de ensino analisadas pelo Ideb – anos finais do ensino fundamental e ensino médio.

Editado por: Cristina Tardáguila e Natália Leal

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