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Empregos, universidades e apoio às medidas de Temer: como foi o ‘Debate com Lula’

Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
14.ago.2018 | 07h00 |

Esta publicação foi corrigida às 15h08 do dia 15 de agosto de 2018. Veja abaixo.

Enquanto oito candidatos à Presidência participavam do debate na Band, na última quinta-feira (9), Fernando Haddad, oficializado como vice na chapa de Lula, e Manuela D’Ávila (PCdoB) fazia o seu próprio debate, com participação da presidente do PT, Gleisi Hoffmann. A Lupa checou:

“Os governos do PT geraram 20 milhões de empregos no país”
Fernando Haddad, candidato à vice-presidência da República pelo PT, em “Debate com Lula” no dia 9 de agosto

VERDADEIRO, MAS

Segundo a Relação Anual de Informações Sociais (Rais), do Ministério do Trabalho, a diferença entre o número total de pessoas empregadas entre 2002, último ano antes de Lula tomar posse, e 2015, último ano completo do PT no governo, era de 19,4 milhões.

Já o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), também do Ministério do Trabalho, mostra que, durante os governos do PT, 14,1 milhões de empregos foram criados. O número é o resultado da soma dos empregos gerados entre o primeiro mês do governo Lula (janeiro de 2003) e o último mês completo do governo Dilma Rousseff (abril de 2016).

Há diferenças importantes entre essas duas fontes oficiais que explicam a diferença nos números. Primeiro, o escopo. O Caged mostra apenas empregos no setor privado, enquanto a Rais também contabiliza empregados na administração pública. Entre 2002 e 2015, a administração pública criou 2,4 milhões de novos postos de trabalho.

Além disso, a periodicidade de atualização das duas fontes é diferente. Como o nome diz, a Rais é anual, enquanto o Caged é publicado todo mês. Por causa disso, pela Rais, não é possível saber quantos empregos foram perdidos entre janeiro e abril de 2016, últimos meses de Dilma no comando do país, enquanto no Caged esse dado está disponível.

Correção feita às 15h10 do dia 15 de agosto de 2018: anteriormente, a Lupa havia considerado apenas o Caged para determinar o saldo de empregos no país. A agência consultou os dados da Rais e concluiu que os números citados por Haddad são corretos. Diante disso, a etiqueta “exagerado” foi modificada para “verdadeiro, mas”. O texto foi atualizado.

(Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho, mostram que, durante os governos do PT, 14,1 milhões de empregos foram criados. O número é o resultado da soma dos empregos gerados entre o primeiro mês do governo Lula (janeiro de 2003) e o último mês completo do governo Dilma Rousseff (abril de 2016). Somente no governo Lula (de 2003 a 2010) houve um saldo de 11,3 milhões de empregos. Por telefone, Haddad disse que se referia aos três primeiros mandatos do PT – de janeiro de 2003 a dezembro de 2014. No período, o saldo foi de 16,1 milhões de empregos, segundo o Caged. Haddad alegou que o cadastro só conta empregos privados.)


“90% dos deputados do PMDB e do PSDB (…) aprovaram  as medidas do Temer”
Fernando Haddad, candidato à vice-presidência da República pelo PT, em “Debate com Lula” no dia 9 de agosto

VERDADEIRO, MAS

Na votação da PEC do Teto de Gastos Públicos, proposta pelo Executivo, 100% dos 46 deputados do PSDB e dos 64 do PMDB que estavam na Câmara votaram a favor da medida. A proposta, que limitou por 20 anos as despesas do governo, foi aprovada na Câmara no dia 26 de outubro de 2016 e no Senado no dia 16 de dezembro de 2016. Mas na reforma trabalhista, o percentual foi menor entre os deputados do PMDB: 86% dos 59 parlamentares que estavam na sessão do dia 26 de abril de 2017 votaram a favor da reforma. Já entre os tucanos, 98% dos 44 presentes foram favoráveis: apenas a catarinense Geovânia de Sá votou contra.


“[Lula] Foi o presidente que mais criou universidades”
Fernando Haddad, candidato à vice-presidência da República pelo PT, em “Debate com Lula” no dia 9 de agosto

VERDADEIRO

Dados do Censo do Ensino Superior do Inep mostram que, durante a gestão de Lula (2003 a 2010), foram criadas 15 universidades federais. Durante a gestão de Fernando Henrique Cardoso (PSDB, 1995 a 2002), foram quatro e no governo de Dilma Rousseff (PT, 2011 a 2016), cinco. Se contarmos o número total de universidades criadas, incluindo privadas, estaduais e municipais, Lula também fica na frente: 28, contra 27 durante o governo Fernando Henrique e sete no governo Dilma.


“Tem vários ministros tucanos no governo [Temer]”
Fernando Haddad, candidato à vice-presidência da República pelo PT, em “Debate com Lula” no dia 9 de agosto

EXAGERADO

Atualmente, apenas um ministério do governo Temer é chefiado por alguém do PSDB: o das Relações Exteriores, sob comando do senador licenciado Aloysio Nunes Ferreira. Ele ocupa vaga da cota pessoal do presidente. Aloysio e Luislinda Valois, que comandava a pasta dos Direitos Humanos, foram os únicos tucanos a permanecerem no governo depois que o PSDB se retirou da base, em dezembro de 2017. Luislinda foi demitida em fevereiro deste ano. O PSDB chegou a ocupar quatro ministérios: além dos citados, comandou as pastas da Justiça e das Cidades.

Por telefone, Haddad disse que se referia aos tucanos que já haviam passado pelo governo, e não à situação atual.


“[Alvaro Dias] aprovou no congresso [o pacote de medidas proposto pelo governo Michel Temer]. Alvaro Dias votou tudo, então ele não pode nem falar do outro [Henrique Meirelles]”
Gleisi Hoffmann, presidente nacional do PT, em “Debate com Lula” no dia 9 de agosto

EXAGERADO

Alvaro Dias, senador pelo Paraná, votou favoravelmente apenas à PEC do Teto dos Gastos Públicos, aprovada no Senado em dezembro de 2016. Em setembro do ano passado, Dias foi contra a reforma trabalhista – também aprovada pelo Senado. Em sabatina na Globonews, no último dia 30 de julho, ele declarou que foi um voto de protesto, apenas porque sabia que a reforma seria aprovada.

Procurada, Gleisi não respondeu.

* Esta reportagem foi publicada pela versão impressa do jornal Folha de S.Paulo no dia 14 de agosto de 2018.

Editado por: Chico Marés e Natália Leal

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