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Debate da Band: Erros, exageros e contradições dos candidatos ao governo de SP

Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
17.ago.2018 | 18h03 |

Os candidatos ao governo de São Paulo participaram na noite da última quinta-feira (16) do primeiro debate de TV desta eleição, na Band. Sete postulantes ao cargo estiveram no programa. A Lupa checou algumas das frases ditas por eles. Veja o resultado a seguir:

“Temos [em SP] a polícia que mais mata e a que mais morre”
Professora Lisete (PSOL)

FALSO

A polícia que mais mata e que mais morre em confrontos é a do RJ – não a de SP, de acordo com o Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2018, divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Em 2017, 1.127 pessoas morreram em confrontos com a polícia no Rio de Janeiro. Em São Paulo, foram 940. No mesmo ano, 104 policiais – entre civis e militares – foram mortos no RJ. Em SP, foram 60. A taxa de mortes de policiais (calculada sobre o efetivo total ) em São Paulo, em 2017, foi de 0,5 a cada mil em serviço. A mais alta do país foi a do Pará: 2 a cada mil em serviço.

Procurada, Lisete não retornou.


“[Com o Corujão da Saúde] reduzimos uma fila de 478 mil pessoas. Em 83 dias, zeramos essa fila”
João Doria (PSDB)

EXAGERADO

Em seu 83º dia à frente da prefeitura de São Paulo, João Doria anunciou que havia praticamente zerado a fila de exames da cidade. A Lupa checou esta informação na época: dos 485 mil exames que aguardavam para serem feitos na capital paulista até o fim de 2016, apenas 1.706 (0,35%) não haviam sido atendidos. Mas, enquanto a prefeitura sanava a fila antiga, uma nova se formou: a de pessoas que buscavam realizar exames na rede municipal a partir de janeiro de 2017. No dia 2 de abril daquele ano, por exemplo, já havia 95.777 procedimentos esperando agendamento. Na ocasião, a prefeitura reconheceu a existência da nova fila e disse que ela estava “dentro da normalidade”.

Em nota, a assessoria do candidato declarou que “ a atual demanda de exames está normalizada, com a capacidade de atendimento maior do que o número de procedimentos recebidos”.


“Eu não proibi caça nenhuma de javali”
Márcio França (PSB)

EXAGERADO

O Projeto de Lei 299/18, que proíbe a caça de animais em SP, de autoria do deputado Roberto Tripoli (PV), foi aprovado por unanimidade na Assembleia Legislativa. De acordo com o texto, fica proibida a caça “em todas as suas modalidades, sob qualquer pretexto, forma e para qualquer finalidade, em todo o Estado de São Paulo”. O governador Márcio França tinha duas opções: vetar ou sancionar o projeto. No dia 28 de junho de 2018, ele o sancionou, transformando-o na Lei Estadual 16.784. Em entrevista concedida à época, França afirmou que a lei era “um marco importante para a luta contra a violência animal”.

Procurado, o atual governador não retornou.


“Em SP, um professor em início de carreira tem salário de R$ 2.200, enquanto em outros estados, como o Maranhão (…), o piso é de R$ 5 mil”
Marcelo Cândido (PDT)

EXAGERADO

Desde janeiro de 2018, o salário inicial de um professor que ingressa na rede estadual de ensino de SP é de R$ 2.585. Apesar de o valor ser maior do que o mencionado pelo candidato, um levantamento feito pelo site Professores de Educação Básica do Estado de São Paulo, com base em dados de todos os estados brasileiros, indica que SP paga o 5º menor salário inicial para professores da rede estadual de educação  No Maranhão, de acordo com a Secretaria de Educação do estado, o salário inicial é de R$ 5.750. Em ambos os casos, a jornada semanal é de 40 horas de trabalho.

Procurado, Cândido não respondeu.


“Eu não aceitei coligações porque as coligações são troca-troca (…) Eu preferi não ter compromisso para poder montar o melhor governo que SP já viu”
Paulo Skaf (MDB)

CONTRADITÓRIO

Durante a pré-campanha, Skaf chegou a dizer publicamente que estava aberto a negociar a formação de coligações, desde que ele próprio fosse o cabeça de chapa. Em março, no lançamento de sua pré-candidatura, disse que poderia até mesmo se aliar ao PSDB. “Se o PSDB tiver intenção de uma coligação, nós estamos de braços abertos [nessas condições]”, disse. Também em março, em entrevista à Rádio Cruzeiro, de Sorocaba, ele declarou estar aberto a realização de alianças, “desde que sejam pessoas corretas e honestas”.

Procurado, Skaf não retornou.


“Em nenhum momento o nosso partido [PRTB] teve alguma acusação [na Lava Jato]”
Rodrigo Tavares (PRTB)

FALSO

Segundo denúncia contra o ex-senador Gim Argello (PTB-DF), apresentada pelo Ministério Público Federal (MPF) durante a operação Lava Jato, o PRTB foi um dos partidos beneficiados com propinas da construtora UTC. A denúncia diz que Argello, o ex-presidente da UTC, Ricardo Pessoa, e outros quatro réus “ocultaram e dissimularam a origem, a natureza, localização, disposição, movimentação e a propriedade de R$ 5 milhões” por meio de doações para partidos da coligação União e Força, nas eleições de 2014 no Distrito Federal. O PRTB fazia parte dessa coligação, e teria recebido R$ 1,750 milhão em cinco repasses distintos. Quatro pessoas foram condenadas nesse processo, mas nenhuma delas ligada ao partido.

Procurado, Tavares não retornou.


“Fui ministro do Trabalho (…) e foi o período em que mais geramos emprego nesse país”
Luiz Marinho (PT)

FALSO

Marinho foi ministro do Trabalho e Emprego de agosto de 2005 a março de 2007. Segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), neste período, o Brasil gerou 1,8 milhão de empregos, uma média de cerca de 90 mil novos postos por mês. Ao longo do governo Lula, que durou oito anos, a média de empregos criados por mês foi de 117,4 mil, e, durante o primeiro mandato de Dilma, essa média foi de 99,8 mil. Logo, sua passagem como ministro não foi o período no qual mais empregos foram gerados no país.

Procurado, Marinho não retornou.

Editado por: Cristina Tardáguila e Natália Leal

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