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Laços com Cabral e prisão de Fernandinho Beira-Mar: os erros de Garotinho no RJTV

por Leandro Resende, Nathália Afonso e Plínio Lopes
10.set.2018 | 17h30 |

A Lupa checou declarações de Anthony Garotinho, candidato do PRP ao governo do Rio de Janeiro, na entrevista concedida na tarde desta segunda-feira (10) ao RJTV 1ª edição. Veja o resultado:

“Eu rompi com ele [Sérgio Cabral] antes da posse [dele como governador do RJ]”
Anthony Garotinho, candidato ao governo do Rio de Janeiro pelo PRP, em entrevista concedida ao RJTV 1, no dia 10 de setembro de 2018

FALSO

Sérgio Cabral disputou as eleições de 2006 com o apoio explícito de Anthony Garotinho, então secretário de segurança pública do RJ, e de sua esposa, a governadora Rosinha Matheus. Os três eram filiados ao MDB. Cabral tomou posse no dia 1º de janeiro de 2007, e o casal Garotinho participou da cerimônia sem que tivesse feito qualquer menção pública de rompimento com o novo governador.

A animosidade entre Cabral e Anthony Garotinho veio a público semanas mais tarde. Em fevereiro daquele ano, os dois trocaram farpas durante a escolha do presidente nacional do MDB. Cabral apoiava o ex-ministro Nelson Jobim, enquanto Garotinho defendia a candidatura do então deputado federal Michel Temer. Ainda naquele ano, ambos divergiram sobre o nome do partido para concorrer à prefeitura do Rio de Janeiro nas eleições de 2008.

O rompimento entre os dois só ocorreu de fato em junho de 2009, quando Garotinho acusou Cabral de ter acabado com programas sociais de seu governo e de ter “dividido o PMDB [à época] em dois”. Garotinho só deixou a sigla naquele ano. 

Procurado, o candidato reafirmou que rompeu com Cabral antes da posse dele como governador. “Cabral chegou a convidar a Clarissa, minha filha, para  compor com o governo, mas ela se negou”, diz a nota.


“Quem prendeu Fernandinho Beira-Mar fui eu”
Anthony Garotinho, candidato ao governo do Rio de Janeiro pelo PRP, em entrevista concedida ao RJTV 1, no dia 10 de setembro de 2018

FALSO

O traficante Luiz Fernando da Costa, mais conhecido como Fernandinho Beira-Mar, foi preso no dia 21 de abril de 2001. Nessa época, Anthony Garotinho era o governador do Rio de Janeiro. Porém, a prisão dele não foi feita pela polícia fluminense. Beira-Mar foi capturado pelas Forças Armadas da Colômbia, em solo colombiano, e a investigação contou com a participação da Polícia Federal brasileira. Posteriormente, ele foi transferido para o Brasil.

Procurado, Garotinho informou que a investigação, e não a prisão do traficante, foi feita pela Polícia Civil do Rio. Em nota, o candidato relembrou que houve uma disputa entre seu governo e o governo federal pela custódia do preso. Leia a íntegra da nota aqui.


“Foi mostrado o Facebook do relator [de processo contra Garotinho] fazendo campanha para outro candidato a governador”
Anthony Garotinho, candidato ao governo do Rio de Janeiro pelo PRP, em entrevista concedida ao RJTV 1, no dia 10 de setembro de 2018

VERDADEIRO

O desembargador Marcello Granado, que foi relator do caso que levou à condenação de Anthony Garotinho pelo crime de quadrilha armada no Tribunal Regional Federal da 2ª Região, compartilhou, no último dia 3, um post feito por um procurador de Justiça do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro. Nele, via-se uma imagem que reproduzia uma entrevista dada por Wilson Witzel, candidato do PSC ao governo do RJ, ao jornal O Globo. A legenda, que não foi escrita pelo desembargador, dizia o seguinte: “até que enfim um candidato a governador do Rio de Janeiro que conhece o Código Penal”. Nos comentários, alguns amigos de Granado elogiaram o candidato do PSC.

Procurado, Granado preferiu não se manifestar.


“O Eduardo Paes está concorrendo com uma liminar”
Anthony Garotinho, candidato ao governo do Rio de Janeiro pelo PRP, em entrevista concedida ao RJTV 1, no dia 10 de setembro de 2018

VERDADEIRO

Em dezembro de 2017, o Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) condenou o ex-prefeito Eduardo Paes (DEM) e o deputado federal Pedro Paulo (MDB) por abuso de poder político-econômico. Com isso, ambos se tornaram inelegíveis por oito anos. Em maio deste ano, no entanto, o ministro Jorge Mussi concedeu uma liminar aos dois políticos, o que permite que Paes concorra ao cargo de governador e Paulo, ao de deputado federal. Essa liminar vale até que o TSE julgue novamente o caso – o que não tem prazo para ocorrer.  


“Assim que tomou conhecimento, ela [a vereadora Maria Landerleide de Assis Duarte (PRP), candidata a vice-governadora na chapa de Garotinho] demitiu [a assessora ligada a Fernandinho Beira-Mar]”
Anthony Garotinho, candidato ao governo do Rio de Janeiro pelo PRP, em entrevista concedida ao RJTV 1, no dia 10 de setembro de 2018

VERDADEIRO

Em maio de 2107, a Polícia Federal deflagrou uma operação que revelou que Thuany Moraes da Costa, filha de Fernandinho Beira-Mar, e outras pessoas próximas ao traficante preso tinham cargos na Câmara de Vereadores de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. Segundo o inquérito, analisado pelo jornal O Globo nesta segunda-feira (10), tratavam-se de funcionárias fantasmas do gabinete de Maria Landerleide de Assis Duarte, vereadora e hoje vice na chapa de Garotinho.

Uma consulta à edição do Diário Oficial de Duque de Caxias do dia 25 de maio de 2017 mostra que Thuany Moraes da Costa foi exonerada do posto de “assistente do presidente da comissão” a partir do dia 30 daquele mês. O requerimento foi feito em 24 de maio. Procurada pelo Globo, a vereadora informou que o assunto já havia sido esclarecido e que não tinha mais nada a acrescentar. A defesa de Beira-Mar não quis comentar.

Editado por: Cristina Tardáguila e Natália Leal

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