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Foto: Reprodução
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Sabatina Folha, UOL e SBT: Alckmin erra ao falar sobre passado de adversários

por Chico Marés, Clara Becker e Leandro Resende
11.set.2018 | 15h14 |

Na manhã desta terça-feira (11), Geraldo Alckmin, candidato à Presidência da República pelo PSDB, foi sabatinado por Folha, UOL e SBT. A série de entrevistas com os principais postulantes ao Planalto começou na semana passada. Ciro Gomes, Marina Silva, Guilherme Boulos e Alvaro Dias já foram ouvidos. Hoje, a Lupa checou algumas das declarações do tucano, veja o resultado:

“Ciro sempre [foi] aliado do PT”
Geraldo Alckmin, candidato à presidência da República pelo PSDB, em sabatina de Folha, UOL e SBT no dia 11 de setembro de 2018

FALSO

Ciro Gomes não apoiou o PT em duas das sete eleições presidenciais feitas desde a redemocratização. Em 1989, o hoje candidato à Presidência pelo PDT era filiado ao PSDB e apoiou Mário Covas no primeiro turno. No segundo turno, votou em Lula (PT), e fez críticas explícitas ao apoio dado pelos tucanos ao petista, que acabou perdendo para Fernando Collor, então do PRN.

Em 1994, Ciro ainda era tucano e defendeu a campanha vitoriosa de Fernando Henrique Cardoso. Em 1998, ele próprio foi candidato à Presidência pelo PPS. Terminou atrás tanto de FHC, que foi reeleito no primeiro turno, quanto de Lula. Quatro anos depois, voltou a concorrer ao Planalto pelo PPS e ficou de fora do segundo turno. Esta foi a primeira vez em que Ciro decidiu apoiar o PT publicamente. Depois saiu em defesa de Dilma Rousseff em 2010 e em 2014.

Procurada, a assessoria do candidato declarou que Alckmin mantém o que disse. “Embora Ciro tenha mudado de legenda várias vezes o suficiente para provocar confusão, ele foi ministro de Lula e defendeu reiteradas vezes a soltura do ex-presidente”.


“Marina [ficou] 25 anos no PT”
Geraldo Alckmin, candidato à presidência da República pelo PSDB, em sabatina de Folha, UOL e SBT no dia 11 de setembro de 2018

VERDADEIRO

Candidata da Rede à Presidência, Marina Silva se filiou ao PT, no Acre, no dia 7 de dezembro de 1985 e deixou o partido no dia 26 de agosto de 2009, segundo informações do sistema do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Ou seja, esteve na legenda por 23 anos e 8 meses.


“Os votos [de Jair Bolsonaro] foram sempre juntinhos com o PT”
Geraldo Alckmin, candidato à presidência da República pelo PSDB, em sabatina de Folha, UOL e SBT no dia 11 de setembro de 2018

EXAGERADO

Nas principais votações de projetos de lei feitas na Câmara dos Deputados durante o governo Michel Temer, Jair Bolsonaro, candidato do PSL à Presidência da República, não se alinhou aos deputados do PT. Nas votações da Reforma Trabalhista, da PEC do Teto de Gastos e da Reforma do Ensino Médio, a bancada petista se posicionou de forma contrária ao texto. Bolsonaro, por sua vez, foi favorável a todas elas.

Durante os três primeiros governos petistas, os votos de Bolsonaro coincidiram com a orientação da liderança do governo em menos da metade das vezes. De um total de 1.091 votações analisadas nesse período, o deputado votou junto com o PT em 418 ocasiões, 38,3%. Já o PSDB de Alckmin, em média, votou junto com o governo petista em 24% das ocasiões. No primeiro governo Dilma, Bolsonaro foi mais “oposicionista” do que os tucanos: foi a favor do governo do PT em apenas 22,8% das votações, contra 29,4% do partido de Alckmin.

A assessoria do candidato declarou que a “guinada liberal” de Bolsonaro é recente.


“[Bolsonaro] votou contra o Plano Real, […] contra quebra monopólio petróleo, contra a quebra do monopólio de telecomunicações e contra cadastro positivo.”
Geraldo Alckmin, candidato à presidência da República pelo PSDB, em sabatina de Folha, UOL e SBT no dia 11 de setembro de 2018

VERDADEIRO

O deputado Jair Bolsonaro (PSL) votou, de fato, contra o Plano Real, contra a quebra de monopólio do petróleo, contra a quebra do monopólio de telecomunicações e contra o cadastro positivo.


“[Vou] ampliar o Sisfron [Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras], o Sipam [Sistema de Proteção da Amazônia]”
Geraldo Alckmin, candidato à presidência da República pelo PSDB, em sabatina de Folha, UOL e SBT no dia 11 de setembro de 2018

DE OLHO

No plano de governo que registrou no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Geraldo Alckmin não cita nem Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras (Sisfron) nem o Sipam, hoje chamado Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam). O candidato também não detalhou ações para as fronteiras. Afirmou apenas que vai combater o crime organizado e o tráfico com a “interação da inteligência de todas as polícias” e que vai criar uma policia militar federal que possa atuar em todo o território. Em sua única referência à Amazônia, disse que a floresta “receberá especial atenção”.

A assessoria de Alckmin declarou que “o documento entregue ao TSE contém as diretrizes, e não o detalhamento de suas propostas”.


“A média [da aposentadoria] do Legislativo federal é R$ 27 mil”
Geraldo Alckmin, candidato à presidência da República pelo PSDB, em sabatina de Folha, UOL e SBT no dia 11 de setembro de 2018

VERDADEIRO

O Relatório da Avaliação Atuarial do Regime Próprio de Previdência Social – RPPS da União, documento anexado à proposta de Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2019, mostra que o Legislativo federal tem 8.805 inativos com aposentadoria média de R$ 26.823,48.

Editado por: Cristina Tardáguila

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VERDADEIRO
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VERDADEIRO, MAS
A informação está correta, mas o leitor merece mais explicações
AINDA É CEDO PARA DIZER
A informação pode vir a ser verdadeira. Ainda não é
EXAGERADO
A informação está no caminho correto, mas houve exagero
CONTRADITÓRIO
A informação contradiz outra difundida antes pela mesma fonte
SUBESTIMADO
Os dados são mais graves do que a informação
INSUSTENTÁVEL
Não há dados públicos que comprovem a informação
FALSO
A informação está comprovadamente incorreta
DE OLHO
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