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Delação da Odebrecht e quadros técnicos em secretarias: erros de Eduardo Paes no RJTV

por Leandro Resende e Plínio Lopes
13.set.2018 | 18h25 |

Eduardo Paes, candidato ao governo do Rio de Janeiro pelo DEM, foi entrevistado nesta quinta-feira (11) no RJTV 1ª edição. Na segunda, o convidado foi Anthony Garotinho (PRP). Na terça, Tarcísio Motta (PSOL).  Na quarta, Indio da Costa. Confira a checagem da Lupa:

“Nunca fui condenado a nada”
Eduardo Paes, candidato do DEM ao governo do RJ, em entrevista concedida ao RJTV 1 no dia 13 de setembro de 2018

DE OLHO

Em dezembro de 2017, o Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) condenou, por unanimidade, o ex-prefeito do Rio Eduardo Paes (MDB) e o deputado federal Pedro Paulo Carvalho (MDB), que concorreu à Prefeitura do Rio em 2016, por abuso de poder político-econômico e conduta vedada a agente público, pelo uso do “Plano Estratégico Visão Rio 500”, contratado e custeado pelo município, como plano de governo na campanha eleitoral de 2016. Com a decisão, os dois ficaram inelegíveis por oito anos e deveriam pagar, cada um, multa de 100 mil UFIRs (cerca de R$ 106,4 mil). Eles recorreram ao Tribunal Superior Eleitoral, em Brasília. Em maio deste ano, o ministro Jorge Mussi concedeu uma liminar aos dois políticos e suspendeu o processo, o que permite que Paes concorra agora ao cargo de governador, e Paulo ao de deputado federal. A liminar vale até que o TSE julgue o caso – o que não tem prazo para ocorrer.

Atualização feita às 20h30min do dia 13 de setembro de 2018: procurada, a assessoria de Paes afirmou que com a suspensão do processo, não há condenações contra o candidato. A Lupa atualizou a etiqueta de “falso” para “de olho”, até que o TSE tome sua decisão definitiva. O título da checagem também foi atualizado.


“Não há nenhuma acusação de propina
Eduardo Paes, candidato do DEM ao governo do RJ, em entrevista concedida ao RJTV 1 no dia 13 de setembro de 2018

FALSO

Benedicto Barbosa da Silva Júnior, ex-presidente da Odebrecht Infraestrutura e homem forte do Departamento de Propinas da empresa declarou, em delação premiada feita à Procuradoria-Geral da República, que o grupo empresarial repassou mais de R$ 15 milhões ao ex-prefeito do Rio Eduardo Paes (MDB), o ‘Nervosinho’, ‘ante seu interesse na facilitação de contratos relativos às Olimpíadas de 2016’. As solicitações teriam sido feitas em 2012. “Dessa quantia, R$ 11 milhões foram repassados no Brasil e outros R$ 5 milhões por meio de contas no exterior”, relatou o ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF) em decisão de 4 de abril que mandou investigar Eduardo Paes. Na época, Paes classificou como “absurda e mentirosa” a acusação de negou veementemente ter aceitado propina para facilitar ou beneficiar os interesses da Odebrecht. O inquérito 4435 continua aberto e tramita no STF.

Atualização feita às 20h30min do dia 13 de setembro de 2018: a assessoria de Paes reafirmou, citando trechos de delações, que não há acusações contra ele. Segundo a assessoria, o “próprio MPF (…) reconheceu que (…) não houve ato de corrupção”.


“Olha para o governo que eu fiz [em 2013]. Só quadros técnicos”
Eduardo Paes, candidato do DEM ao governo do RJ, em entrevista concedida ao RJTV 1 no dia 13 de setembro de 2018

FALSO

Dos 26 secretários que tomaram posse em 1º de janeiro de 2013, no início do segundo mandato de Eduardo Paes à frente da Prefeitura do Rio, pelo menos 14 eram políticos eleitos, já tinham sido candidatos por partidos que compunham a coligação do prefeito ou eram do próprio PMDB, partido de Paes à época.

Um deles era Indio da Costa, empossado secretário de Esportes e Lazer, e que hoje disputa o governo do RJ pelo PSD. Outro era Wagner Montes Filho, que na disputa de 2012 não conseguiu se eleger vereador e foi empossado secretário de Abastecimento e Segurança Alimentar.

Entre as indicações políticas, quatro nomes eram quadros do PMDB: os deputados federais Pedro Paulo Carvalho (Casa Civil), Rodrigo Bethlem (governo), Carlos Roberto Osório (Transportes) e Carlos Alberto Vieira Muniz (Meio Ambiente).

Além do partido de Paes, legendas como o PTB, que teve a deputada federal Cristiane Brasil indicada para a secretaria de Envelhecimento Saudável e Qualidade de Vida, e o PT também foram contemplados na administração de Paes.

Atualização feita às 20h30min do dia 13 de setembro de 2018: procurada, a assessoria disse que Paes se referia às secretarias estratégicas, como “Saúde, Educação, Fazenda, Administração, Empresa Olímpica Municipal e Cultura.”


“Aumentou o número de ônibus com ar condicionado [no Rio]”
Eduardo Paes, candidato do DEM ao governo do RJ, em entrevista concedida ao RJTV 1 no dia 13 de setembro de 2018

VERDADEIRO, MAS

A frota de ônibus com ar condicionado realmente cresceu de 2009 a 2016, durante a gestão de Eduardo Paes à frente da Prefeitura do Rio. Em 2011, 17,1% dos ônibus da cidade tinham refrigeração. Em 2014, eram 25,4%. Em 2017, a Secretaria Municipal de Transportes do Rio de Janeiro informou à Lupa que 3.590 dos 8.342 ônibus tinham ar – o equivalia à 43% da frota total.

Mas a meta da prefeitura, durante a gestão de Paes, era de que todos os ônibus da frota tivessem ar condicionado. O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) multou o ex-prefeito em R$ 200 mil por não ter adotado medidas efetivas para que a meta de 100% fosse alcançada.

Atualização feita às 20h30min do dia 13 de setembro de 2018: a assessoria de Paes afirmou que o plano da prefeitura foi fazer com que as linhas que transportavam mais passageiros fossem atendidas com prioridade. “A Prefeitura do Rio (2009-2016) não poupou esforços para elevar o percentual de ônibus refrigerados na cidade do Rio. Até dezembro de 2016 havia 3.200 climatizados, o que representava 42% da frota e 70% das viagens feitas em ônibus climatizados”, disse, em nota.


“Eu assumi a responsabilidade [após o acidente na ciclovia Tim Maia]”
Eduardo Paes, candidato do DEM ao governo do RJ, em entrevista concedida ao RJTV 1 no dia 13 de setembro de 2018

VERDADEIRO

No dia 21 de abril de 2016, duas pessoas morreram após o desabamento de parte da ciclovia Tim Maia, em São Conrado, na Zona Sul do Rio. Dois dias depois, em entrevista coletiva, Paes afirmou que era “totalmente responsável” pelo acidente.

Editado por: Cristina Tardáguila

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VERDADEIRO
A informação está comprovadamente correta
VERDADEIRO, MAS
A informação está correta, mas o leitor merece mais explicações
AINDA É CEDO PARA DIZER
A informação pode vir a ser verdadeira. Ainda não é
EXAGERADO
A informação está no caminho correto, mas houve exagero
CONTRADITÓRIO
A informação contradiz outra difundida antes pela mesma fonte
SUBESTIMADO
Os dados são mais graves do que a informação
INSUSTENTÁVEL
Não há dados públicos que comprovem a informação
FALSO
A informação está comprovadamente incorreta
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