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Erros e acertos de Fernando Haddad no Jornal Nacional

Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
14.set.2018 | 23h27 |

Na noite da sexta-feira (14), Fernando Haddad, candidato do PT à Presidência da República, foi entrevistado pelo Jornal Nacional, da TV Globo. A Lupa checou algumas de suas falas.

A assessoria de imprensa de Haddad foi avisada sobre as checagens da agência e poderá enviar seus comentários para esta reportagem a qualquer momento. Veja a seguir o resultado da verificação:

“[Em 2016] o PSDB era de santos, o PMDB era de santos, o PP era de santos”
Fernando Haddad, candidato à Presidência da República pelo PT, em entrevista ao Jornal Nacional, da TV Globo, no dia 14 de setembro de 2018

FALSO

Ao ser questionado sobre o motivo de sua não reeleição, Haddad afirmou que, em 2016, só o PT era alvo de denúncias e notícias negativas. Em suas palavras, o PT tinha virado “o demônio do país”.

No período eleitoral de 2016, no entanto, já era pública a primeira “Lista do Janot”, como ficou popularmente conhecida a lista de políticos que a Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu que fossem investigados por suposto envolvimento nos esquemas descobertos na Operação Lava Jato. A PGR, à época comandada por Rodrigo Janot, pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) a abertura de inquérito contra 47 políticos, sendo sete deles do MDB, 32 do PP e um do PSDB. Ainda completavam a lista seis parlamentares do PT e um do PTB.

Procurado, Haddad não retornou.


“[O Brasil tinha] 4,9% de desemprego em dezembro de 2014”
Fernando Haddad, candidato à Presidência da República pelo PT, em entrevista ao Jornal Nacional, da TV Globo, no dia 14 de setembro de 2018

VERDADEIRO, MAS

Segundo a Pesquisa Mensal de Emprego (PME), do IBGE, a taxa de desemprego no mês de dezembro de 2014 foi de 4,3%, um pouco menor do que total citado por Haddad. A taxa média anual foi de 4,8%.

Mas vale destacar que essa pesquisa foi descontinuada em fevereiro de 2016 e substituída pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PnadC), que tem metodologia distinta. Entre janeiro de 2012 e fevereiro de 2016, as duas foram realizadas paralelamente. Na edição da PnadC do último trimestre de 2014, a taxa de desemprego no país era de 6,5%, a segunda menor da série iniciada em 2012.


“Tasso Jereissati falou: ‘nós cometemos três erros: (…) questionamos o resultado eleitoral (…). Aprovamos uma pauta em que nós não acreditávamos para prejudicar o PT (…). Embarcamos no governo Temer”
Fernando Haddad, candidato à Presidência da República pelo PT, em entrevista ao Jornal Nacional, da TV Globo, no dia 14 de setembro de 2018

VERDADEIRO

Em entrevista concedida ao jornal O Estado de S. Paulo no dia 13, o presidente do PSDB, Tasso Jereissati, disse o seguinte: “O partido cometeu um conjunto de erros memoráveis. O primeiro foi questionar o resultado eleitoral. (…) O segundo erro foi votar contra princípios básicos nossos, sobretudo na economia, só para ser contra o PT. Mas o grande erro, e boa parte do PSDB se opôs a isso, foi entrar no governo Temer”. Ele afirmou, ainda, que os “problemas” de Aécio foram também “a gota d’água”.


“Entreguei [a Prefeitura de São Paulo] com R$ 5,5 bilhões em caixa e R$ 2,2 bilhões para pagar”
Fernando Haddad, candidato à Presidência da República pelo PT, em entrevista ao Jornal Nacional, da TV Globo, no dia 14 de setembro de 2018

VERDADEIRO

O Relatório anual de fiscalização das contas mostra que o caixa bruto da Prefeitura de São Paulo era de R$ 5,34 bilhões no final de 2016, quando Haddad concluiu sua gestão. As despesas que deveriam ser quitadas em curto prazo somavam R$ 2,19 bilhões.

*Ao contrário dos demais candidatos à Presidência que falaram ao Jornal Nacional – entre os dias 28 e 31 de agosto -, Fernando Haddad não foi entrevistado pelo Jornal das 10, da Globonews. 

Editado por: Cristina Tardáguila e Natália Leal

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VERDADEIRO, MAS
A informação está correta, mas o leitor merece mais explicações
AINDA É CEDO PARA DIZER
A informação pode vir a ser verdadeira. Ainda não é
EXAGERADO
A informação está no caminho correto, mas houve exagero
CONTRADITÓRIO
A informação contradiz outra difundida antes pela mesma fonte
SUBESTIMADO
Os dados são mais graves do que a informação
INSUSTENTÁVEL
Não há dados públicos que comprovem a informação
FALSO
A informação está comprovadamente incorreta
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