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Bob Woodward revela plano da Casa Branca para checar tuítes de Trump

Fundadora | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
17.set.2018 | 15h00 |

“Fear”, livro que o consagrado jornalista americano Bob Woodward lançou no último dia 11 nos Estados Unidos e que fala sobre a presidência de Donald Trump, traz um relato claro sobre a preocupação dos funcionários da Casa Branca com a checagem de fatos. Segundo Woodward, em junho de 2017, Hope Hicks, a então diretora de comunicação do governo Trump, sugeriu que todos os tuítes do presidente fossem submetidos à checagem prévia para que o republicano deixasse de ser um “canhão incontrolável no Twitter”. Não deu certo.

Reportagem publicada pelo USA Today esmiúça esse episódio, voltando ao dia em que o presidente dos Estados Unidos atacou Mika Brzezinski, apresentadora do programa de TV “Morning Joe” da MSNBC, via Twitter, dizendo que ela tinha baixo Q.I e que havia feito uma terrível cirurgia plástica no rosto.

De acordo com o livro de Bob Woodward, aquele episódio foi o estopim para que a chefona da comunicação da Casa Branca soltasse uma bronca danada em Trump: “Estão te massacrando por coisas assim. Você está atirando no próprio pé. Está cometendo grandes erros”. Junto a outros três membros do alto escalão do governo, ela sugeriu, então, a criação de um comitê para analisar os tuítes do presidente.

Woodward apurou e descreveu no livro como funcionaria essa instância de checagem: “Se o presidente tivesse vontade de tuitar algo, escreveria o conteúdo num papel e passaria a um dos membros desse grupo. Eles analisariam a frase. O conteúdo estava certo? A ortografia correta? Fazia sentido?”. Caso positivo, o presidente estaria liberado para tuitar.

Ainda de acordo com o jornalista americano, Trump concordou com a tese e com a criação do grupo diversas vezes, mas jamais colocou em prática esse modelo de auto-checagem. Levantamento feito pelo The Washinton Post Fact Checker mostra que, até o último dia 7, o presidente dos Estados Unidos havia dito/escrito mais de 5 mil frases com algum grau de erro.

Enquanto isso, na África…

Do outro lado do oceano Atlântico, o oposto ocorreu. O governo da África do Sul deu ouvidos ao trabalho dos checadores do Africa Check e retificou dados oficiais de criminalidade.

No último dia 11, enquanto os Estados Unidos viviam a comoção do lançamento de “Fear”, o Serviço Sul-Africano de Polícia (South African Police Service) anunciou que, entre 1º de abril de 2017 e 31 de março de 2018, o país tinha registrado 20.336 assassinatos. Ao calcular a taxa por 100 mil habitantes, no entanto, o órgão utilizou a população de junho de 2018, ou seja, de um período diferente. Como se tratava de um conjunto populacional maior, o número final ficaria um pouco menor do que o real, puxando para baixo a criminalidade – algo que os políticos sempre admiram. Os fact-checkers sul-africanos foram para cima. Emitiram o alerta e conseguiram que o órgão se retratasse.

E, na Europa?

Bom, para quem acha que notícia falsa só ganha tração em países de baixa escolaridade, estudo recém-publicado pelo Oxford Internet Institute mostra que, ao menos no Twitter, as eleições realizadas na Suécia no último dia 9 só perderam para a dos Estados Unidos no quesito “junk news” (notícia distorcida, fora de contexto e/ou incorreta).

O levantamento foi feito com base em 275 mil tuítes postados entre os dias 8 e 17 de agosto e concluiu que 22% das URLs compartilhadas pelos suecos no Twitter usando hashtags políticas levavam a conteúdos de baixa qualidade. Outro dado interessante: oito de cada dez desses links tinham sido produzidos na própria Suécia.

“A maior parte desse conteúdo estava de alguma forma relacionada à imigração, islamofobia ou xenofobia”, disse um dos pesquisadores ao site Euronews. O fact-checking foi vital por lá também.

*Este artigo foi publicado pelo site da revista Época em 17 de setembro de 2018.

Editado por: Natália Leal

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