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Erros e acertos dos candidatos ao governo de São Paulo no SPTV

Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
18.set.2018 | 07h01 |

Cinco candidatos ao governo de São Paulo foram entrevistados no SPTV1 entre os dias 10 e 14 de setembro. Márcio França (PSB), Professora Lisete (PSOL), João Doria (PSDB), Luiz Marinho (PT) e Paulo Skaf (MDB) falaram sobre propostas de governo e polêmicas. Veja as informações que a Lupa checou:

“São Paulo tem 5 mil escolas, 3,5 milhões de alunos (…). [O custo mensal é de] R$ 250 por aluno”

Márcio França, candidato ao governo de SP pelo PSB, em entrevista concedida ao SPTV 1, no dia 10 de setembro de 2018

SUBESTIMADO

Na realidade, o custo de cada aluno do ensino básico na rede estadual de São Paulo é maior do que o citado pelo candidato. Segundo a Sinopse Estatística da Educação Básica de 2017, 3,855 milhões de alunos estavam matriculados nas escolas do estado. O Portal da Transparência de São Paulo mostra que, naquele ano, o governo gastou R$ 17,8 bilhões com subfunções relacionadas ao ensino básico (em valores pagos, incluindo restos a pagar do orçamento de 2016). Isso representa um gasto de R$ 383,77 por aluno.

Procurado, Márcio França afirmou que utilizou dados mais recentes da Secretaria de Estado de Educação de São Paulo. Apesar do pedido da Lupa, o candidato não enviou essas informações à agência.


“Eu fui prefeito [de São Vicente] e fui reeleito com 93% dos votos”

Márcio França, candidato ao governo de SP pelo PSB, em entrevista concedida ao SPTV 1, no dia 10 de setembro de 2018

VERDADEIRO

França foi eleito prefeito de São Vicente, no litoral paulista, em 1997, com 50.371 votos – 44,3% do total. Em 2000, quando se reelegeu, teve, de fato, 93% dos votos – totalizando 139.581 votos nominais. O atual governador de SP comandou São Vicente até o final de 2004.  


“25% dos nossos presos e presas estão há mais de dois anos sem nenhum julgamento”

Professora Lisete, candidata ao governo de SP pelo Psol, em entrevista concedida ao SPTV 1, no dia 11 de setembro de 2018

INSUSTENTÁVEL

O Ministério Extraordinário da Segurança Pública (Mesp), o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e o Fórum Brasileiro de Segurança Pública afirmam que não há levantamentos sobre a quantidade de presos que está há dois anos sem julgamento em São Paulo. O Supremo Tribunal Federal  e o Tribunal de Justiça de São Paulo também afirmaram não ter estudos sobre o assunto.

Segundo o Levantamento Nacional de Informações Penitenciárias (Infopen), do Ministério da Justiça, em 2016, 47% dos presos de São Paulo aguardavam julgamento e sentença havia mais de 90 dias (página 16). O percentual de detentos sem condenação no estado era um pouco menor: 32% (página 15)

Procurada, a candidata não retornou.


“A juventude não se interessa mais em ser professor ou professora”

Professora Lisete, candidata ao governo de SP pelo Psol, em entrevista concedida ao SPTV 1, no dia 11 de setembro de 2018

VERDADEIRO

O relatório Políticas Eficientes para Professores, publicado pela OCDE neste ano, mostrou que só 2,4% dos jovens brasileiros de 15 anos desejam seguir a carreira de professor. Segundo a organização, esse percentual era maior há 10 anos: 7,5% dos jovens. Além disso, um levantamento feito pela ONG Todos pela Educação mostra que 49% dos professores brasileiros não recomendam a profissão.


“[O governo do PT deixou] 5 milhões [de desempregados] no estado de São Paulo”

João Doria, candidato ao governo de SP pelo PSDB, em entrevista concedida ao SPTV 1, no dia 12 de setembro de 2018

FALSO

Em nenhum momento da série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua Trimestral, do IBGE – 2012 a 2018 – houve 5 milhões de desempregados em São Paulo. O recorde foi no 1º trimestre de 2017, quando o estado registrou 3,5 milhões de pessoas desocupadas. De acordo com a PnadC/T mais recente, no 2º trimestre deste ano, 3,4 milhões de pessoas estavam desempregadas em SP.

Procurado, Doria reconheceu que o número de desempregados é de 3,4 milhões, mas afirmou que também há 2,2 milhões de pessoas ocupadas em trabalhos precários sem registro formal de emprego no estado. No entanto, essas pessoas não são consideradas desempregadas pelo IBGE.


“[Com o Corujão da Saúde] Em 83 dias zeramos um déficit de 476 mil [exames a serem realizados]”

João Doria, candidato ao governo de SP pelo PSDB, em entrevista concedida ao SPTV 1, no dia 12 de setembro de 2018

VERDADEIRO, MAS

A gestão do ex-prefeito João Doria (PSDB), de fato, praticamente zerou a fila de exames a serem realizados na capital paulista nos primeiros 83 dias de mandato. Dos 485 mil procedimentos que aguardavam para serem feitos até o fim de 2016, apenas 1.706 (0,35%) não tinham sido realizados até abril de 2017.

Porém, enquanto a prefeitura tentava acabar com a fila já existente, uma nova foi formada: 95.777 novos exames esperavam agendamento em abril do ano passado. À época, a prefeitura reconheceu a existência da nova fila e disse que estava “dentro da normalidade”. Ou seja, o déficit de 485 mil foi zerado, mas um novo déficit foi criado.

Atualmente, de acordo com a Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo, há 216 mil exames agendados aguardando realização pelo Corujão da Saúde. Outros 67.879 procedimentos esperam agendamento pelo programa.


“Comecei uma campanha [em 2008] com 3% das intenções de votos, os meu adversários tinham 38%, outro tinha 26%”

Luiz Marinho, candidato ao governo de SP pelo PT, em entrevista concedida ao SPTV 1, no dia 13 de setembro de 2018

FALSO

Todos os números na frase de Marinho são imprecisos. A primeira pesquisa Ibope registrada para as eleições municipais de São Bernardo do Campo, de 18 de julho de 2008, mostrava Luiz Marinho (PT) com 13% das intenções de voto, uma diferença de 10 pontos percentuais para o informado pelo candidato. Os adversários também tinham um percentual menor de intenções de voto: Orlando Morando (PSDB) aparecia com 30%, e Alex Manente (PPS), com 21%. Ou seja, a diferença entre Marinho e os seus adversários era menor do que o afirmado pelo petista – 17%, e não de 35%, para Morando, e 8%, e não de 23%, para Manente.

Pesquisas do Ibope posteriores mostraram o petista subindo para 26% e depois para 38%. Ele passou ao segundo turno com 48,3% dos votos e venceu a eleição com 58% dos votos. O Datafolha não realizou pesquisas de intenção de voto para São Bernardo do Campo nas eleições de 2008.

Procurado, Marinho afirmou que os dados são de pesquisas internas realizadas pelo partido.


“Se você comparar o salário de educação do estado de São Paulo com um estado (…) como (…) o Maranhão, o salário é muito baixo”  

Luiz Marinho, candidato ao governo de SP pelo PT, em entrevista concedida ao SPTV 1, no dia 13 de setembro de 2018

VERDADEIRO

Os dados das secretarias de Educação do Maranhão e de São Paulo mostram que remuneração dos professores no estado nordestino é, de fato, maior que a dos profissionais de SP. No Maranhão, um professor do estado ganha R$ 5.750,83. Em SP, R$ 2.585,00. As duas remunerações equivalem a uma carga horária de 40 horas semanais para professores da educação básica.


“O presidente [Michel Temer] foi convidado [para a convenção do MDB-SP] e tinha uma viagem para o exterior naquele dia”
Paulo Skaf, candidato ao governo de SP pelo MDB, em entrevista concedida ao SPTV 1, no dia 14 de setembro de 2018

FALSO

De acordo com os registros públicos do Palácio do Planalto, não havia compromissos públicos na agenda do presidente Michel Temer no dia 28 de julho – data em que o MDB de São Paulo oficializou o nome de Paulo Skaf para concorrer ao governo do estado. No dia 27 de julho, a agenda oficial da Presidência informava que Temer havia retornado de um encontro com líderes dos Brics, em Joanesburgo, na África do Sul.

Em nota, Skaf reafirmou que Temer foi convidado para a convenção do partido e que não compareceu “provavelmente porque chegou à Brasília na véspera do evento”.


“Em 2014, a minha campanha teve quase 500 doadores entre pessoas físicas e pessoas jurídicas”
Paulo Skaf, candidato ao governo de SP pelo MDB, em entrevista concedida ao SPTV 1, no dia 14 de setembro de 2018

VERDADEIRO, MAS

Candidato ao governo de SP em 2014, Skaf arrecadou R$ 29,2 milhões, distribuídos em 491 doações, número próximo ao mencionado durante a entrevista. Mas essas doações não vieram de “quase 500”, e sim de 374 doadores. Naquele pleito, o maior doador da campanha de Skaf foi Abdo Antonio Hadade, que atualmente ocupa o cargo de diretor do comitê de desburocratização da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e contribuiu com R$ 6,03 milhões para a campanha. Veja a lista completa das doações aqui.

Editado por: Natália Leal

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EXAGERADO
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SUBESTIMADO
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