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Aposentadoria e fundo partidário, dois erros e dois acertos de Marina no Jornal da Globo

Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
22.set.2018 | 12h15 |

A candidata da Rede à Presidência da República, Marina Silva, concedeu entrevista ao Jornal da Globo na madrugada de sábado (22). Ciro Gomes (PDT) foi o primeiro sabatinado da série, que começou na segunda-feira. Geraldo Alckmin (PSDB) foi o segundo. Fernando Haddad (PT), o terceiro. Marina falou à jornalista Renata Lo Prete por 30 minutos, e a Lupa checou algumas de suas declarações. Veja a seguir o resultado:

“O Poder Executivo tem aposentadorias de até R$ 7 mil”
Marina Silva, candidata da Rede à Presidência da República, em entrevista concedida ao Jornal da Globo no dia 22 de setembro de 2018

SUBESTIMADO

Ao fazer uma análise comparativa das aposentadorias pagas hoje aos servidores dos três poderes, a candidata da Rede minimizou dado referente ao teto dos aposentados pelo Executivo.

Relatório da Avaliação Atuarial do Regime Próprio de Previdência Social – RPPS da União, anexado à proposta de Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2019, mostra que os 402.340 aposentados do Poder Executivo recebem um provento médio de R$ 8.477,59. Assim sendo, as aposentadorias do Executivo não são “de até R$ 7 mil” – como citado por Marina. Elas ultrapassam este valor.

Procurada, a candidata não retornou.


“PT, MDB e PSDB têm quase meio milhão [de reais] para fazer suas campanhas”

Marina Silva, candidata da Rede à Presidência da República, em entrevista concedida ao Jornal da Globo no dia 22 de setembro de 2018

SUBESTIMADO

Dados do TSE mostram que, do R$ 1,7 bilhão que forma o Fundo Eleitoral, o MDB teve direito à maior cota (13,65%) e recebeu R$ 234,2 milhões. Em seguida veio o PT, que recebeu R$ 212,2 milhões, e o PSDB, que aparece em terceiro lugar, com R$ 185,9 milhões.

Os três partidos juntos têm, portanto, R$ 632,3 milhões para fazer suas campanhas – valor 21% acima do mencionado por Marina na entrevista. A Rede Sustentabilidade recebeu R$10.639.200.

Procurada, a candidata não retornou.


“Eu tive que enfrentar uma greve no Ibama para criar o Serviço Florestal Brasileiro”

Marina Silva, candidata da Rede à Presidência da República, em entrevista concedida ao Jornal da Globo no dia 22 de setembro de 2018

VERDADEIRO

Servidores do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) de Brasília pararam por 24 horas em maio de 2005 em protesto contra o projeto de lei de gestão de florestas públicas.

O projeto havia sido encaminhado pelo governo do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de quem Marina Silva era ministra do Meio Ambiente, ao Congresso Nacional em fevereiro daquele ano para que fosse avaliado e votado. O texto previa a criação de um órgão federal capaz de fiscalizar a gestão das florestas nos moldes das agências reguladoras.

Na época, o então presidente da Associação dos Servidores do Ibama, Jonas Morais Corrêa, disse que a proposta não fortalecia o órgão e que a greve era uma forma de advertência. “Esse projeto não foi discutido com a sociedade, nem com os técnicos do Ibama. Ele favorece apenas as organizações não-governamentais e empresas de certificação”.

O Serviço Florestal Brasileiro acabou sendo instituído pela Lei nº 11.284 de 2006, durante a gestão de Marina, e é, até hoje, subordinado ao Ministério do Meio Ambiente


“Eu não quero a reeleição [presidencial]”

Marina Silva, candidata da Rede à Presidência da República, em entrevista concedida ao Jornal da Globo no dia 22 de setembro de 2018

VERDADEIRO

O programa de governo que Marina Silva registrou no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) é claro em relação a esse ponto: a candidata se apresenta para um governo federal de transição, que deverá durar quatro anos. “Por entendermos que o mandato eletivo é serviço e não profissão, nos posicionaremos pelo fim da reeleição”.

Ainda vale destacar que sua posição contrária à reeleição presidencial é antiga. Em 1997, Marina era senadora pelo PT do Acre e votou contra a emenda que acabou aprovando essa possibilidade.

Na entrevista dada ao Jornal da Globo, Marina ainda afirmou que a “alternância de poder é um valor na democracia” e que deseja a implantação de “um governo de 5 anos [de duração] a partir de 2022”, em substituição ao atual modelo: de dois mandatos de quatro anos. Essa proposta também consta no programa de governo enviado ao TSE.

Editado por: Cristina Tardáguila

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