A PRIMEIRA AGÊNCIA DE FACT-CHECKING DO BRASIL

Candidatos erram dados sobre o RJ, mas acertam informações ao trocar farpas

Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
29.set.2018 | 12h15 |

Sete candidatos ao governo do Rio de Janeiro participaram do debate promovido na tarde de sexta-feira (28) pela Record. A Lupa checou algumas de suas declarações. Veja a seguir o resultado.

“[Eduardo Paes] Está ajudando a financiar a campanha da filha do [Sérgio] Cabral, do [filho do] Picciani e da Danielle Cunha”
Tarcísio Motta (PSOL)

VERDADEIRO

Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram que o comitê de campanha de Eduardo Paes (DEM) doou R$ 5.978 às campanhas de filhos de caciques políticos do Rio de Janeiro. Marco Antônio Cabral (MDB), filho do ex-governador do Rio Sérgio Cabral, recebeu R$ 1.350. Leonardo Picciani (MDB), filho do ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio, Jorge Picciani, recebeu R$ 1.928. Danielle Cunha, filha do ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha, recebeu R$ 2.700. Cabral, Picciani e Cunha estão presos.

A Lupa procurou Eduardo Paes para que ele comentasse essa checagem, mas ele não retornou.

*Atualizaçaõ às 15h53 de 29/09/2018: em nota, Eduardo Paes informou que “os valores mencionados não são uma doação do candidato Eduardo Paes, e sim o pagamento de material de campanha efetuado pela coligação”. 


“Você [Indio da Costa] já foi secretário da maioria dos candidatos aqui”
Tarcísio Motta (PSOL)

FALSO

Entre os candidatos ao governo do Rio, Indio da Costa (PSD) só trabalhou com Eduardo Paes (DEM) quando ele era prefeito do Rio de Janeiro. Indio foi secretário de Esportes e Lazer de Paes de janeiro a dezembro de 2013. Além disso, o candidato do PSD foi secretário do ex-prefeito do Rio Cesar Maia, do ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral e fez parte do secretariado de Marcelo Crivella (PRB), atual prefeito do Rio.

Procurado, Tarcísio informou, em nota, que sua intenção era marcar o apoio de Indio a Bolsonaro por puro oportunismo”.


“Queimados é a cidade mais violenta do Brasil”
Indio da Costa (PSD)

VERDADEIRO

Segundo o Atlas da Violência 2018, Queimados, cidade da Baixada Fluminense, foi o município que registrou a maior taxa de mortes violentas em 2016: 134,9 casos a cada 100 mil habitantes.


“[Em 2016] Eu disputei a prefeitura [do Rio] sozinho”
Indio da Costa (PSD)

FALSO

Nas eleições municipais de 2016, o candidato Indio da Costa (PSD) teve apoio de outros dois partidos: PSB e PMB. Com a coligação “Juntos pelo carioca”, Indio conseguiu 8,99% dos votos. Atualmente, o candidato não tem coligação.

Procurado, Indio afirmou que, em 2016, “já havia rompido com aqueles políticos que, no Rio, optaram pelo lado do crime”.


“Mais de R$ 1 bilhão [são] gastos com cargos comissionados
Pedro Fernandes (PDT)

FALSO

Em 2017, o estado do Rio gastou R$ 335,6 milhões com o pagamento dos salários de servidores em cargos comissionados, nos cargos da administração direta e na administração indireta, de acordo com os registros do Caderno de Recursos Humanos da  Secretaria de Fazenda e Planejamento. A pasta confirmou os cálculos feitos pela reportagem.

Procurado, Fernandes não retornou.

*Atualização às 21h do dia 30/09/2018: em nota, Pedro Fernandes informou que “é preciso considerar gastos com décimo terceiro salário e férias dos comissionados, além de acrescentar gastos com gratificações especiais”. Dessa forma, segundo o candidato, o gasto com comissionados “ultrapassou R$800 milhões, segundo dados do SiafeRio”. 


“Temos quase 9 mil cargos comissionados”
Pedro Fernandes (PDT)

VERDADEIRO

De acordo com o último Caderno de Recursos Humanos da secretaria de Fazenda e Planejamento do RJ, referente a fevereiro deste ano, o estado contava com 8.579 cargos comissionados, sendo 5.033 em órgãos da administração direta, e 3.546 em órgãos da administração indireta.


“Romario nomeou um (…) miliciano para seu gabinete no senado”
Wilson Witzel  (PSC)

FALSO

Witzel falava sobre um ex-assessor de Romário no Senado que é hoje réu por quatro homicídios, ocultação de cadáver, tortura e formação de quadrilha. Wilson Mussauer Júnior deverá ser julgado neste ano por ter, segundo o Ministério Público, cometido esses crimes em 2004 a mando do jogo do bicho. Não há, no entanto, qualquer informação sobre envolvimento de Júnior com organizações de milicianos no Rio de Janeiro. Em entrevista concedida ao RJTV neste mês, Romário afirmou que Wilson é seu amigo “há muitos anos” e que foi afastado de suas funções ao ser indiciado por esses crimes. Durante o debate da Record, Romário negou que Wilson tivesse envolvimento com milícias.

Procurado, Witzel não retornou.


“Hudson Braga delatou você [Indio da Costa], dizendo que recebeu muito dinheiro, caixa 2”
Wilson Witzel  (PSC)

VERDADEIRO

Em abril de 2018, o ex-secretário de Obras do Rio de Janeiro Hudson Braga disse ter repassado dinheiro ao deputado federal Indio da Costa (PSD). O senador Romário (Podemos) também foi citado pelo ex-secretário. Além dos dois candidatos ao governo do RJ, segundo Braga, o atual governador do RJ, Luiz Fernando Pezão, também teria recebido mensalmente um total de R$ 100 mil.

No debate, Indio negou ter conhecimento dessa delação. Em seguida, ao ser procurado pela Lupa disse que a delação é “mentira”.


“Quanto mais avança para o interior, [mais os] indíce de homicídios vão aumentando”
Eduardo Paes (DEM)

EXAGERADO

Dados do Instituto de Segurança Pública mostram que, entre janeiro e agosto deste ano, os municípios do interior do Rio de Janeiro foram responsáveis por 27,02% dos registros de mortes por letalidade violenta no estado. O índice é o resultado da soma dos casos de homicídios dolosos, latrocínios, lesões corporais seguidas de morte e homicídios decorrentes de intervenção policial. Baixada Fluminense (29,65%) e capital (31,54%) responderam por um percentual maior de casos violentos no estado. No total, ocorreram 4.693 episódios de letalidade violenta nos primeiros oito meses de 2018. Veja os números aqui.

Procurado, Paes não retornou.

*Atualizaçaõ às 15h53 de 29/09/2018: em nota, Eduardo Paes informou que “fez uma referência ao fato de que quanto mais a violência no interior aumenta, mais os índices no estado como um todo pioram”. 


“Meu registro de candidatura] foi aprovado por unanimidade pelo Tribunal Regional Eleitoral”
Eduardo Paes (DEM)

VERDADEIRO, MAS

O registro de candidatura de Eduardo Paes (DEM) foi de fato aprovado pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RJ), mas ele só está na disputa por conta de uma decisão liminar do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que suspendeu uma condenação feita pelo TRE em 2017. Em dezembro, o tribunal condenou Paes e o deputado federal Pedro Paulo (DEM) por abuso de poder político-econômico. Com isso, ambos se tornaram inelegíveis por oito anos. A liminar vale até que o TSE julgue novamente o caso – o que não tem prazo para ocorrer.  

Procurado, o candidato não retornou.

*Atualizaçaõ às 15h53 de 29/09/2018: em nota, Eduardo Paes informou que “a decisão do TSE suspende a condenação do TRE”.  


“A Avenida Brasil até hoje [está] inacabada”
Romário (Podemos)

VERDADEIRO

O candidato do Podemos fez referência às obras do BRT TransBrasil, via expressa para ônibus que conectaria o Centro da cidade do Rio às zonas Norte e Oeste. O projeto previa faixa exclusiva para os coletivos e a construção de 28 estações para passageiros em toda a extensão da Avenida Brasil, uma das principais vias da cidade. Lançada por Eduardo Paes em sua campanha à prefeitura do Rio em 2012, a obra ainda não está pronta. A construção do corredor expresso foi iniciada em 2014, quando Paes ainda estava no comando da prefeitura do Rio, e foi interrompida em 2016. As obras foram retomadas em julho deste ano, já durante o mandato de Marcelo Crivella (PRB).

 


“Eu nunca disse que ele [Rodrigo Bethlem] não trabalha para mim”
Romário (Podemos)

CONTRADITÓRIO

No debate promovido pela Folha de S. Paulo, UOL e SBT, no último dia 20, Romário disse o oposto: afirmou que não havia escolhido Rodrigo Bethlem para sua campanha.

Bethlem foi secretário da administração Eduardo Paes (DEM) na prefeitura do Rio e, segundo o Ministério Público, desviou recursos de contratos celebrados entre empresas e a secretaria de Assistência Social do município do Rio. A empresa de Bethlem foi contratada por R$ 85 mil para atuar na campanha de Romário.

Procurado, o candidato não retornou.


“Na época do Lula, o RJ teve abertura de 1,5 milhão de postos de trabalho”
Marcia Tiburi (PT)

EXAGERADO

Durante o governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), de 2003 a 2010, foram gerados 1,011 milhão de empregos de carteira assinada no estado do Rio de Janeiro, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho. Veja os números completos dos oito anos mencionados aqui.

Procurada, a candidata afirmou que fazia referência aos governos do PT, entre 2003 e 2016.


“[Eduardo Paes] Defendeu a ‘polícia mineira’, chamada de milícia aqui no Rio de Janeiro”
Márcia Tiburi (PT)

VERDADEIRO

Em 2006, quando foi candidato ao governo do Rio de Janeiro pelo PSDB, Eduardo Paes defendeu a ação de milícias para a retomada de “territórios em que o governo do estado perdera sua soberania”. “Jacarepaguá é um bairro que a tal da polícia mineira, formada por policiais e bombeiros, trouxe tranqüilidade para a população. O Morro São José Operário era um dos mais violentos desse estado e agora é um dos mais tranqüilos”, afirmou Paes, em entrevista ao RJTV, da TV Globo. No começo deste mês, durante agenda de campanha em Jacarepaguá, bairro mencionado durante o pleito disputado 12 anos atrás, Eduardo Paes afirmou que o bairro “infelizmente tem uma ação muito forte das milícias”.

A Lupa procurou Eduardo Paes para que comentasse essa checagem, mas ele não retornou.

*Atualizaçaõ às 15h53 de 29/09/2018: em nota, Eduardo Paes informou que trata-se de uma entrevista concedida há 12 anos, que teve o conteúdo “deturpado”. “O que foi dito na época pelo candidato é que impressionava o fato de policiais quando estavam sem farda conseguirem dominar uma comunidade já dominada pelo crime e quando estavam fardados não”. 

Editado por: Cristina Tardáguila

O conteúdo produzido pela Lupa é de inteira responsabilidade da agência e não pode ser publicado, transmitido, reescrito ou redistribuído sem autorização prévia.

A Agência Lupa é membro verificado da International Fact-checking Network (IFCN). Cumpre os cinco princípios éticos estabelecidos pela rede de checadores e passa por auditorias independentes todos os anos

Esse conteúdo foi útil?

1 2 3 4 5

Você concorda com o resultado desta checagem?

Sim Não

Leia também

Etiquetas
VERDADEIRO
A informação está comprovadamente correta
VERDADEIRO, MAS
A informação está correta, mas o leitor merece mais explicações
AINDA É CEDO PARA DIZER
A informação pode vir a ser verdadeira. Ainda não é
EXAGERADO
A informação está no caminho correto, mas houve exagero
CONTRADITÓRIO
A informação contradiz outra difundida antes pela mesma fonte
SUBESTIMADO
Os dados são mais graves do que a informação
INSUSTENTÁVEL
Não há dados públicos que comprovem a informação
FALSO
A informação está comprovadamente incorreta
DE OLHO
Etiqueta de monitoramento
Seções
Arquivo