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Gabarito dos erros e acertos dos candidatos ao governo de São Paulo

Repórter | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
06.out.2018 | 08h00 |

Há alguns meses, a Lupa checa frases ditas pelos candidatos ao governo de São Paulo. Durante a campanha, o foco foram os debates e sabatinas promovidos por diferentes veículos de comunicação do país. Selecionamos algumas falas de João Doria (PSDB), Luiz Marinho (PT), Marcelo Candido (PDT), Márcio França (PSB), Paulo Skaf (MDB), Professora Lisete (Psol) e Rodrigo Tavares (PRTB).

A Lupa disponibiliza a seguir um gabarito do quiz dos candidatos ao governo de São Paulo. Veja o resultado:

“Reduzimos de 126 dias, que era o tempo para abrir uma empresa na gestão do seu amigo Fernando Haddad, (…) para quatro dias”

João Doria, candidato ao governo de SP pelo PSDB, no debate Folha,UOL e SBT no dia 19 de setembro de 2018

EXAGERADO

Em 2016, último ano de Haddad à frente da prefeitura de São Paulo, era necessário, em média, 136 dias para abrir uma empresa na cidade, segundo a Endeavor Brasil, ONG de referência em empreendedorismo. Já em 2017, primeiro ano de Doria na prefeitura e último dado disponível pela organização, eram necessários 74 diaspara abrir uma empresa.

O estudo da Endeavor destaca o programa Empreenda Fácil, mencionado por Doria no debate. No entanto, esse projeto só atendia, até 2017, empresas de baixo risco. Segundo o documento, o tempo médio para abrir esse tipo de empresa na cidade naquele ano era de 5,5 dias.


“[Com o Corujão da Saúde] Em 83 dias zeramos um déficit de 476 mil [exames a serem realizados]”

João Doria, candidato ao governo de SP pelo PSDB, em entrevista concedida ao SPTV 1 no dia 12 de setembro de 2018

VERDADEIRO, MAS

A gestão do ex-prefeito João Doria (PSDB), de fato, praticamente zerou a fila de exames a serem realizados na capital paulista nos primeiros 83 dias de mandato. Dos 485 mil procedimentos que aguardavam para serem feitos até o fim de 2016, apenas 1.706 (0,35%) não tinham sido realizados até abril de 2017.

Porém, enquanto a prefeitura tentava acabar com a fila já existente, uma nova foi formada: 95.777 novos exames esperavam agendamento em abril do ano passado. À época, a prefeitura reconheceu a existência da nova fila e disse que estava “dentro da normalidade”. Ou seja, o déficit de 485 mil foi zerado, mas um novo déficit foi criado.

Atualmente, de acordo com a Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo, há 216 mil exames agendados aguardando realização pelo Corujão da Saúde. Outros 67.879 procedimentos esperam agendamento pelo programa.


“Em nenhuma citação [em delações da Lava Jato] foi falado que eu tenha recebido ou pago qualquer recurso ilegal”

Paulo Skaf, candidato ao governo de SP pelo MDB, no debate Folha,UOL e SBT no dia 19 de setembro de 2018

FALSO

Em sua colaboração premiada, o empresário Marcelo Odebrecht disse que doou R$ 2,5 milhões à campanha de Paulo Skaf ao governo de São Paulo em 2010, a pedido do empresário Benjamin Steinbruch. À época, Skaf concorreu pelo PSB. Esse dinheiro teria sido doado sem registro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ou seja, de forma ilegal.  Skaf negou a existência da doação. A Polícia Federal abriu inquérito para investigar o candidato em outubro de 2017.

A assessoria do candidato afirma que “todas as doações recebidas pela campanha de Paulo Skaf em 2014 estão devidamente registradas na Justiça Eleitoral, que aprovou sua prestação de contas sem qualquer reparo de mérito” e que o fato citado pela Lupa segue em investigação.


“Da estação de tratamento de água até a sua casa, um terço da água vaza”

Paulo Skaf, candidato ao governo de SP pelo MDB, no debate da TV Globo no dia 02 de outubro de 2018

VERDADEIRO

Dados do Instituto Trata Brasil, organização que reúne sociedade e empresas privadas para monitorar avanços no saneamento, mostram que, em 2016, a rede de saneamento teve 36,12% de perdas de água.


“Os índices [de segurança pública], em quatro meses que estou no governo, todos eles melhoraram”

Márcio França, governador de São Paulo e candidato ao governo de SP pelo PSB no debate da RedeTV!, no dia 25 de agosto de 2018

FALSO

Um análise dos dados mais recentes disponíveis no sistema da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, referentes aos meses de abril, maio e junho deste ano (ou seja, três dos quatro meses da gestão França), mostram que, em relação ao início deste ano, o número de roubos em SP teve alta de 2%. Passou de uma média mensal de 22,6 mil para 23,1 mil. No mesmo período, a média de homicídios culposos no trânsito por mês passou de 232 para 280. Em relação ao mesmo período do ano passado e a 2017 como um todo, houve um crescimento no número de estupros, especialmente de vulneráveis. Os demais indicadores de segurança pública realmente tiveram melhora em relação ao início do ano, ao mesmo período de 2017 e a 2017 como um todo. Procurado, França não retornou.


“USP, Unicamp e Unesp (…) abrem 20, 21 mil vagas de vestibular por ano”

Márcio França, governador de São Paulo e candidato à reeleição pelo PSB, em sabatina feita por SBT/Folha/UOL no dia 30 de maio de 2018

VERDADEIRO

As três universidades estaduais citadas por França abriram, juntas, 21.852 vagas em 2018. No vestibular para ingresso neste ano, a USP foi a que mais disponibilizou vagas: 11.147. A Unicamp, por sua vez, abriu 3.340 vagas, e a Unesp, 7.365.


“Temos [em SP] a polícia que mais mata e a que mais morre [no Brasil]”

Professora Lisete, candidata ao governo de SP pelo PSOL, no debate da Band no dia 17 de agosto de 2018

FALSO

A polícia que mais mata e que mais morre em confrontos é a do RJ – não a de SP, de acordo com o Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2018, divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Em 2017, 1.127 pessoas morreram em confrontos com a polícia no Rio de Janeiro. Em São Paulo, foram 940. No mesmo ano, 104 policiais – entre civis e militares – foram mortos no RJ. Em SP, foram 60. A taxa de mortes de policiais (calculada sobre o efetivo total ) em São Paulo, em 2017, foi de 0,5 a cada mil em serviço. A mais alta do país foi a do Pará: 2 a cada mil em serviço. Procurada, Lisete não retornou.


“Nós [São Paulo] temos reservados R$ 23 bilhões para desonerações”

Professora Lisete, candidata ao governo de SP pelo PSOL, no debate da TV Globo no dia 02 de outubro de 2018

VERDADEIRO, MAS

O Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2019, apresentado pelo governo paulista em abril de 2018, traz uma previsão de R$ 23 bilhões em renúncias fiscais, mas somente com o ICMS. Se considerado também o IPVA, o valor sobe para R$ 24,2 bilhões.


“Fui ministro do Trabalho (…) e foi o período em que mais geramos emprego nesse país”

Luiz Marinho, candidato ao governo de SP pelo PT, no debate da Band no dia 17 de agosto de 2018

FALSO

Marinho foi ministro do Trabalho e Emprego de agosto de 2005 a março de 2007. Segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), neste período, o Brasil gerou 1,8 milhão de empregos, uma média de cerca de 90 mil novos postos por mês. Ao longo do governo Lula, que durou oito anos, a média de empregos criados por mês foi de 117,4 mil, e, durante o primeiro mandato de Dilma, essa média foi de 99,8 mil. Logo, sua passagem como ministro não foi o período no qual mais empregos foram gerados no país. Procurado, Marinho não retornou.


“O que [Paulo Skaf] fez foi implantar cobrança [nas escolas] no Sesi, que não tinha antes de sua presidência”

Luiz Marinho, candidato ao governo de SP pelo PT, no debate da Record no dia 29 de setembro de 2018

VERDADEIRO

O Serviço Social da Indústria (Sesi) passou a cobrar taxas escolares no estado de São Paulo em 2007. Paulo Skaf (MDB) é presidente do Sesi desde 2004 – ele se licenciou do cargo para concorrer ao governo do estado. Ou seja, a cobrança só começou durante o mandato de Skaf à frente da entidade.


“[De 2005 a 2012] a redução [das mortes] da população não-negra é de 12%”

Marcelo Candido, candidato ao governo de SP pelo PDT, no debate da TV Globo no dia 02 de outubro de 2018

EXAGERADO

De acordo com o Atlas da Violência, produzido pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), 16.056 pessoas não negras foram mortas em 2005. Esse número diminuiu para 14.816 em 2012. Ou seja, reduziu cerca de 8% – e não 12% como afirmado pelo candidato.


“O sistema carcerário de São Paulo é um dos que mais abrigam pessoas”

Marcelo Candido, candidato ao governo de SP pelo PDT, no debate da Record no dia 29 de setembro de 2018

VERDADEIRO

Dados do sistema Geopresídios, mantido pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), mostram que São Paulo é o estado com o maior número de presos do país – 228.694 dos 690.899, ou 33% do total. Em segundo está Minas Gerais com 73.346 presos (10% do total). De acordo com o Levantamento Nacional de Informações Penitenciárias(Infopen) mais recente, em julho de 2016, São Paulo abrigava 240 mil dos 727 mil presos do Brasil. O levantamento foi feito pelo Ministério da Justiça.


“Em nenhum momento o nosso partido [PRTB] teve alguma acusação [na Lava Jato]”

Rodrigo Tavares, candidato ao governo de SP pelo PRTB, no debate da Band no dia 17 de agosto de 2018

FALSO

Segundo denúncia contra o ex-senador Gim Argello (PTB-DF), apresentada pelo Ministério Público Federal (MPF) durante a operação Lava Jato, o PRTB foi um dos partidos beneficiados com propinas da construtora UTC. A denúncia diz que Argello, o ex-presidente da UTC, Ricardo Pessoa, e outros quatro réus “ocultaram e dissimularam a origem, a natureza, localização, disposição, movimentação e a propriedade de R$ 5 milhões” por meio de doações para partidos da coligação União e Força, nas eleições de 2014 no Distrito Federal. O PRTB fazia parte dessa coligação, e teria recebido R$ 1,750 milhão em cinco repasses distintos. Quatro pessoas foram condenadas nesse processo, mas nenhuma delas ligada ao partido. Procurado, Tavares não retornou.


“A recomposição inflacionária não vem sendo paga [aos policiais] pelo estado de São Paulo”

Rodrigo Tavares, candidato ao governo de SP pelo PRTB, no debate da TV Globo no dia 02 de outubro de 2018

VERDADEIRO

Segundo a Associação dos Funcionários da Polícia Civil, em agosto de 2014, o salário de um investigador de polícia de 3ª classe, o cargo mais baixo na hierarquia civil, era de R$ 3.474,90 – incluindo o salário base e a Gratificação pelo Regime Especial de Trabalho Policial (RETP). Hoje, esse cargo recebe R$ 3.743,98, um aumento nominal de apenas 8% em quatro anos. Os policiais militares tiveram um aumento ainda menor. Em 2014, um soldado de 2ª classe ganhava R$ 2.357,76, considerando o salário base e a RETP. Hoje, ganham R$ 2.452,06, um aumento de 4%. O IPCA no período foi de 27,4%

Editado por: Natália Leal

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