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Confira o gabarito o quiz ‘Adivinhe a etiqueta – Presidenciáveis’

Repórter | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
06.out.2018 | 17h00 |

Confira o gabarito do quiz Adivinhe a etiqueta – Presidenciáveis, sobre as etiquetas das frases ditas pelos candidatos ao Planalto e checadas pela Lupa:

“O Brasil sequer tem satélite de comunicação”
Cabo Daciolo (Patriota), em debate na RecordTV, dia 30 de setembro de 2018

FALSO

O primeiro e único Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC) – de uso militar e civil e operado inteiramente por brasileiros – entrou em órbita em maio de 2017. O SGDC foi lançado por encomenda da Telebras S.A. e tem por objetivo garantir uma comunicação segura por satélite das Forças Armadas e do governo. O Exército utiliza 30% da capacidade do satélite para garantir sua comunicação em áreas de fronteira, por exemplo, entre outros serviços.

Ao mesmo tempo, o equipamento deveria fornecer serviços de comunicação de banda larga a territórios isolados do Brasil. Mas uma disputa judicial envolvendo a Telebras e a Viasat, empresa americana contratada para instalar os pontos de conexão, impede o funcionamento pleno. O caso está no Supremo Tribunal Federal.


“Meirelles [está] gastando R$ 43 milhões [na campanha]. Nós gastamos R$ 700”
Cabo Daciolo (Patriota), em debate Folha, Uol e SBT, dia 26 de setembro de 2018

VERDADEIRO

A campanha de Henrique Meirelles (MDB) à Presidência da República já tem R$ 43,3 milhões em despesas contratadas. Deste montante, já foram pagos R$ 31 milhões, de acordo com a prestação de contas feita pelo candidato ao portal do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O próprio Meirelles doou R$ 45 milhões. Já Daciolo gastou R$ 738,37 em sua campanha. O valor é referente à taxa de administração de um financiamento coletivo.


“Eu, praticamente, tripliquei o número de universitários no Brasil”
Fernando Haddad (PT), em debate na RecordTV, 30 de setembro de 2018

FALSO

Haddad foi ministro da Educação de junho de 2005 a janeiro de 2012. Em 2004, antes de ele assumir a pasta, havia 2.369.717 matrículas nas universidades brasileiras, segundo a Sinopse Estatística da Educação Superior do Inep. Em 2011, último ano dele à frente do ministério, o número de matrículas tinha subido para 2.933.555. Assim, o crescimento foi de 563.838 matrículas – um aumento de 23%. No total – entre universidades, centros universitários, faculdades e centros e faculdades de tecnologia -, o número de matrículas no ensino superior cresceu de 4.163.733, em 2004, para 5.746.762 em 2011 – um crescimento de 38%.


“Teto de gastos [foi] aprovado (…) com apoio do PSDB”
Fernando Haddad (PT), em debate na RecordTV, dia 30 de setembro de 2018

VERDADEIRO

Em 10 de outubro, a Câmara votou a PEC 241, que estabelecia um teto de gastos para o país – posteriormente, a proposta se tornou a Emenda Constitucional 95, em vigor desde dezembro de 2016. À época da apreciação do assunto na Câmara, 47 deputados do PSDB votaram, e todos eles foram favoráveis à aprovação da PEC. No Senado, dois meses depois, 12 senadores tucanos votaram, e todos eles também foram favoráveis ao teto de gastos.


“Meu estado, o Ceará, tem a menor mortalidade infantil do Brasil”
Ciro Gomes (PDT),  em debate Folha, Uol e SBT, dia 26 de setembro de 2018

FALSO

De acordo com o IBGE, o Ceará ocupa o 11º lugar no ranking de mortalidade infantil – com 14,4 mortes a cada 100 mil habitantes, em 2016. Dez estados têm taxas menores: Espírito Santo (8,8), Santa Catarina (9,2), Paraná (9,3), Rio Grande do Sul (9,6)São Paulo (9,9), Distrito Federal (10,5), Minas Gerais (10,9), Rio de Janeiro (11,5), Pernambuco (12,7) e Mato Grosso do Sul (14).


“Hoje o Brasil tem 63 milhões de pessoas com nome sujo”
Ciro Gomes (PDT), em debate da Band, dia 9 de agosto de 2018

VERDADEIRO

Dados apurados em pesquisa do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) indicaram, em julho de 2018, que o Brasil tem 63,6 milhões de consumidores inadimplentes, que atrasaram o pagamento de suas contas.


“Fomos nós [do governo de SP] que descobrimos [a máfia da merenda]”
Geraldo Alckmin (PSDB),  em debate Folha, Uol e SBT, dia 26 de setembro de 2018

FALSO

O esquema de corrupção que ficou conhecido como Máfia da Merenda – superfaturamento e pagamento de propina em contratos de entrega de merenda para escolas paulistas, revelado em 2016 – não foi resultado de investigações comandadas pelo governo de SP. O esquema foi descoberto quando membros da Cooperativa Orgânica Agrícola Familiar (Coaf) fizeram denúncias de que políticos recebiam propina para liberar contratos com o governo de SP e outras prefeituras. Depois, a Polícia Civil e o Ministério Público deflagraram a  Operação Alba Branca, destinada a investigar os envolvidos. O presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo, Fernando Capez (PSDB), acusado de desviar R$ 1,1 milhão no esquema, chegou a ser denunciado pelo Ministério Público, virou réu por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, mas a ação foi trancada em junho deste ano por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF).


“O Bolsonaro votou no Lula, declarou no Plenário [da Câmara]”
Geraldo Alckmin (PSDB), em debate na RecordTV, dia 30 de setembro de 2018

VERDADEIRO

Em outubro de 2002, após as eleições, Jair Bolsonaro (à época deputado federal pelo PPB-RJ) admitiu que votou em Lula no segundo turno das eleições daquele ano. No discurso, ele se referiu ao presidente eleito como “companheiro, já que está na moda” e, em seguida, elogiou a escolha de José Genoino para ocupar o Ministério da Defesa. Ainda no período pós-eleitoral de 2002, Bolsonaro afirmou que Lula representava uma “esperança” e que admirava e respeitava o petista por seu “passado e conquista”.


“Três pessoas irão morrer por hepatite C [durante as três horas deste debate]”
Marina Silva (Rede), em debate na TV Aparecida, dia 20 de setembro de 2018

FALSO

De acordo com o Boletim Epidemiológico de Hepatites Virais, do Ministério da Saúde, 50.179 pessoas tiveram morte associada à hepatite C entre 2000 e 2016. Isso equivale a 3.136 mortes por ano, cerca de 8,6 por dia e 0,36 por hora. Ou seja, nas três horas de debate, uma pessoa provavelmente morrerá de hepatite – não três, como mencionado pela candidata. De acordo com o relatório, o número de mortes vem aumentando ao longo dos anos em todas as regiões do Brasil.


“40% dos lares brasileiros [são] liderados por mulheres”
Marina Silva (Rede), em debate Folha, Uol e SBT, dia 26 de setembro de 2018

VERDADEIRO

De acordo com a pesquisa “Retrato das Desigualdades de Gênero e de Raça”, produzida pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), 40,5% das famílias são chefiadas por mulheres. Os dados são de 2015.


“Aqueles que se aposentam mais cedo são aqueles que ganham mais”
Henrique Meirelles (MDB), em debate Folha, Uol e SBT, dia 26 de setembro de 2018

VERDADEIRO

Segundo o Boletim Estatístico da Previdência (BEP) de julho de 2018, o valor médio das aposentadorias por idade é de R$ 969,64 por mês. Já as aposentadorias por tempo de contribuição têm um valor médio de R$ 1.986,08. Foram considerados os benefícios emitidos em julho.


“[O Brasil recebeu] Menos de 100 mil [venezuelanos]. A Colômbia recebeu 700 mil”
Henrique Meirelles (MDB), em debate na Band, dia 9 de agosto de 2018

FALSO

Na verdade, segundo dados do Governo Federal, o Brasil recebeu mais do que 100 mil venezuelanos: foram 127.778 pessoas cruzando a fronteira em 2017 e 2018. A Colômbia recebeu, na contagem mais recente, 870 mil.


“O foro privilegiado (…) é guarda-chuva protetor de mais de 55 mil autoridades neste país”
Alvaro Dias (Podemos), em debate na TV Aparecida, dia 20 de setembro de 2018

VERDADEIRO

Segundo o estudo “Foro, Prerrogativa e Privilégio: Quais e quantas autoridades têm foro no Brasil?”, publicado pelo Senado Federal em 2017, 54.490 autoridades gozam de foro privilegiado no país. Isso inclui ocupantes de cargos no Executivo, no Legislativo e no Judiciário, além do Ministério Público, dos Tribunais de Contas e, em alguns estados, da Defensoria Pública. Um total de 38.431 dessas prerrogativas está previsto na Constituição Federal. Outras 16.559 nas constituições estaduais.


“Gastamos mais em segurança do que todos os países da OCDE”
Alvaro Dias (Podemos), em debate na Band, dia 9 de agosto de 2018

FALSO

De acordo com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, em 2016, o Brasil gastou R$ 81 bilhões em segurança pública. O valor representou 1,6% do PIB do país.  Em 2016, a média de gasto com financiamento em segurança dos 34 países membros da OCDE foi de 4,5% do PIB. Dos 34 países, apenas Australia (1,1%), Estados Unidos (1,4%) e Alemanha (1,5%) gastaram menos do que o Brasil. Todos os outros 31 gastaram mais.


“Isso [63 mil mortes violentas registradas no Brasil no último ano] é mais, proporcionalmente, do que a Síria, que é um país que está em guerra”
Guilherme Boulos (PSOL), em debate na TV Aparecida, dia 20 de setembro de 2018

FALSO

Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2018, 63,9 mil pessoas foram mortas no Brasil em 2017. Isso representa 30,8 mortos a cada 100 mil habitantes. Já a guerra na Síria resultou na morte de 33,4 mil pessoas, segundo estimativa da Observatório Sírio de Direitos Humanos. Como a população estimada do país é de 18 milhões de habitantes, isso representa 185,5 mortes para cada 100 mil habitantes. Ou seja, em números absolutos, mais pessoas morreram no Brasil do que na Síria, mas proporcionalmente, como disse Boulos, mais sírios morreram.


“O investimento em inteligência [em segurança pública] foi de R$ 250 [neste ano, no Rio de Janeiro]”
Guilherme Boulos (PSOL), em debate na Band, dia 9 de agosto de 2018

VERDADEIRO

De acordo com o Portal da Transparência, até setembro de 2018, o Rio de Janeiro tinha gastado R$ 258 em “informação e inteligência” na área de segurança pública. O orçamento previsto para o ano é de R$ 3,5 mil. Em 2017, o estado gastou R$ 2,5 mil dos R$ 5 mil orçados. Em 2016, não utilizou verba nesta função.


“No referendo de 2005, [o Brasil] foi desarmado”
Jair Bolsonaro (PSL), em debate na Band, dia 9 de agosto de 2018

FALSO

O referendo de 2005 não “desarmou” o Brasil. A discussão daquele ano, feita por plebiscito, foi sobre a venda de armas e munições, sob os critérios estabelecidos no próprio Estatuto do Desarmamento, e não debateu o porte ou a posse de armas. Os eleitores foram questionados da seguinte forma: “O comércio de armas de fogo e munição deve ser proibido no Brasil?”. A maioria da população respondeu “não”.  Assim, a manifestação da população foi favorável à manutenção da comercialização desses artigos.

De acordo com o estatuto, em vigor desde 2003, só profissionais que trabalham com segurança pública têm autorização para portar armas. Aos cidadãos comuns, é permitida a posse de armas, mas elas só podem ser utilizadas em casa ou no local de trabalho. O estatuto também tornou mais rígidas as regras para a compra de armas e garantiu uma recompensa em dinheiro para aqueles que entregassem sua arma à Polícia Federal.

Tanto o Brasil não foi desarmado após o referendo que, desde 2004, mais de 800 mil armas foram vendidas legalmente no país, segundo dados do Exército obtidos pelo Instituto Sou da Paz via Lei de Acesso à Informação. Também desde 2004, mais de 220 mil novos registros de arma foram concedidos a cidadãos comuns para defesa pessoal. Atualmente, já é possível comprar até seis armas, desde que dentro dos parâmetros estabelecidos pela legislação. Segundo o último levantamento do Datafolha sobre o tema, publicado em janeiro deste ano, 56% dos brasileiros são contrários à extensão do porte legal de armas a todos os cidadãos.


“Cotão: usei metade disso [do valor a que tinha direito]”
Jair Bolsonaro (PSL), em debate na Band, dia 9 de agosto de 2018

VERDADEIRO

Todos os deputados federais têm direito a receber a chamada Cota para exercício da atividade parlamentar, conhecida como Cotão. É uma verba destinada a custear os “gastos dos deputados exclusivamente vinculados ao exercício da atividade parlamentar”. Deputados do Rio de Janeiro podem gastar até R$ 429.108 por ano em passagens aéreas, telefonia, manutenção de escritórios, alimentação, locação ou fretamento de aeronaves e automóveis, contratação de consultoria, entre outros – o que equivale a um gasto mensal de R$ 35.759. Em 2017, Bolsonaro gastou R$ 222.949. O valor é R$ 8.395 acima do que o parlamentar diz ter gasto. Ele é o 47º no ranking dos parlamentares fluminenses que mais usaram o cotão: Veja aqui a lista completa.

Editado por: Natália Leal

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