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No DF, Ibaneis e Rollemberg passam ao 2º turno. Releia algumas checagens

| Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
07.out.2018 | 18h56 |

Por volta das 18h40 deste domingo (7), o Distrito Federal determinou que Ibaneis Rocha (MDB) e Rodrigo Rollemberg (PSB) disputarão o segundo turno da eleição deste ano, ao alcançar 42,01% e 13,93% dos votos válidos, respectivamente. Veja a seguir checagens feitas pela Lupa desde o início da campanha eleitoral:

IBANEIS

“O Plano Piloto é onde você tem a menor densidade populacional do Distrito Federal”
Ibaneis Rocha, candidato do MDB ao governo do DF, em entrevista ao DF1

EXAGERADO

Considerando as áreas totais das regiões administrativas, o Plano Piloto tem a 19ª maior densidade entre 31 subdivisões do Distrito Federal. Segundo a Pesquisa Distrital por Amostra de Domicílios (Pdad), da Codeplan, o Plano Piloto tem uma população de 210 mil habitantes. O Estudo Urbano e Ambiental Consolidado do Distrito Federal, por sua vez, mostra que a área da região é de 409,8 km². Isso quer dizer que a densidade populacional da região é de 512 pessoas por km².

Mesmo que Ibaneis estivesse se referindo à densidade urbana, que calcula a população sobre a área urbana, estaria exagerando. Segundo o mesmo estudo urbano e ambiental, o Plano Piloto tem a 26ª menor densidade urbana (2.031 por km²) entre 31 regiões administrativas, ou seja, há outros cinco locais com densidade urbana menor. São eles: SIA, Park Way, Lago Sul, Lago Norte e Jardim Botânico.

Por meio de de sua assessoria, o candidato pontuou que “das regiões adensadas, o Plano Piloto, até por causa das limitações do tombamento, tem uma das menores taxas do Distrito Federal”, e disse que não estava falando especificamente de regiões administrativas.


“Temos a melhor rede hoteleira [do país]”
Ibaneis Rocha (MDB) em debate promovido pelo portal Metrópoles

INSUSTENTÁVEL

O Ministério do Turismo afirma que não há estudos que mostrem qual é a melhor rede hoteleira do Brasil. O que existe é a Pesquisa de Serviço de Hospedagem (PSH) 2016, do IBGE em convênio com a pasta. O levantamento tem dados quantitativos e “não diz respeito a classificação de qual estado seria ‘melhor’ que o outro”, segundo o instituto.

De acordo com o IBGE, o DF lidera apenas a “proporção de estabelecimentos de grande porte”, com 36,3% das hospedagensdentro desse parâmetro. No ranking sobre o número total de estabelecimentos, o DF ocupa a 24ª colocação, com 279 locaisdisponíveis para hospedagem – à frente apenas de Acre (110), Amapá (72) e Roraima (60). Já em relação à quantidade de leitos disponíveis, o DF está em 16º lugar, com 39.424 leitos.  

Procurado, Ibaneis Rocha não retornou.


ROLLEMBERG

“No nosso governo, nós investimos quase R$ 3 bilhões com recursos de financiamentos”
Rodrigo Rollemberg, governador de candidato à reeleição PSB, em entrevista ao DF 1

EXAGERADO

Segundo os Relatórios Resumidos de Execução Fiscal (RREO), do Distrito Federal, o governo distrital investiu, de janeiro de 2015 a junho de 2018, R$ 2,2 bilhões (em valores efetivamente pagos). Os relatórios não distinguem investimentos realizados a partir de financiamentos externos e investimentos feitos com dinheiro do próprio caixa. Ainda assim, o valor total é R$ 800 milhões inferior ao citado pelo governador.

Atualização do dia 11 de outubro de 2018: Em nota, a assessoria da Secretaria de Planejamento do Distrito Federal pontuou que, entre janeiro de 2015 e agosto de 2018, o investimento total superou os R$ 3,3 bilhões quando considerados os valores empenhados, e solicitou alteração na etiqueta utilizada. A reportagem, entretanto, considerou os valores pagos, que não atingem esse montante. Há uma diferença importante nessas duas categorias: valores empenhados significam somente a criação de uma obrigação de pagamento – que pode, em situações excepcionais, ser cancelada  –, e não um pagamento em si.


“Hoje, Brasília é a cidade em que você abre a empresa no período mais rápido [de tempo] do Brasil”
Rodrigo Rollemberg (PSB) em debate promovido pelo portal Metrópoles

FALSO

O estudo “Índice de cidades empreendedoras 2017”, elaborado e divulgado pela Endeavor Brasil , mostra que Brasília é a 20ª cidade no ranking que mede o tempo necessário para a abertura de empresas – ou seja, em 19 municípios o prazo para isso é menor do que na capital federal. Em 2017, demorava-se 57 dias para abrir uma empresa em Brasília. Em Cuiabá, cidade que lidera o ranking, se levava 20 dias em 2017. Naquele ano, a média do tempo de abertura de uma empresa no país era de 62 dias. Foram analisadas 32 cidades de 22 estados. Veja a posição de cada uma delas aqui. Procurado, Rollemberg não retornou.

Reveja as checagens sobre o primeiro turno do Distrito Federal aqui.

Editado por: Equipe Lupa

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EXAGERADO
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CONTRADITÓRIO
A informação contradiz outra difundida antes pela mesma fonte
SUBESTIMADO
Os dados são mais graves do que a informação
INSUSTENTÁVEL
Não há dados públicos que comprovem a informação
FALSO
A informação está comprovadamente incorreta
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