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No RJ, Witzel e Paes passam ao 2º turno. Releia algumas checagens

| Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
07.out.2018 | 20h50 |

Por volta das 21h deste domingo (7), o Rio de Janeiro determinou que Wilson Witzel (PSC) e Eduardo Paes (DEM) disputarão o segundo turno da eleição deste ano, ao alcançar 41,25% e 19,51% dos votos válidos, respectivamente. Veja a seguir checagens feitas pela Lupa desde o início da campanha eleitoral:

WILSON WITZEL

“A construção civil é a principal empresa [setor] que emprega no estado do Rio de Janeiro”
Wilson Witzel (PSC), em debate da TV Globo no RJ, no dia 2 de outubro de 2018

FALSO

Ao menos três setores empregam mais moradores do RJ do que a construção civil, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PnadC) do IBGE. No segundo trimestre de 2018, o setor empregou 525 mil trabalhadores no estado, atrás dos serviços domésticos (573 mil), da indústria (681 mil) e do comércio, reparação de veículos e motocicletas (1.317 mil).

Procurada, a assessoria do candidato afirmou que “o setor de construção civil é o que tem maior capacidade de rápida geração de empregos”. Acrescentou que, “diante da crise de corrupção nas três esferas de governo, houve a paralisação de grandes obras, o que contribuiu para o desemprego em maior escala no estado do Rio de Janeiro’.


“[Garotinho está condenado] Por desvio de R$ 3 milhões da JBS”
Wilson Witzel (PSC), em Debate Folha, UOL e SBT, 20 de setembro de 2018

FALSO

Witzel errou ao listar os processos aos quais seu rival, Anthony Garotinho (PRP), responde na Justiça. Garotinho e sua esposa, a ex-governadora do RJ e ex-prefeita de Campos dos Goytacazes, Rosinha Matheus, foram presos preventivamente em novembro do ano passado, acusados de terem usado recursos ilícitos em suas campanhas eleitorais. De acordo com a denúncia, feita pelo Ministério Público Eleitoral, o casal teria recebido R$ 3 milhões para suas campanhas de forma ilícita, a partir de uma doação feita pelo grupo J&F, dono da JBS. Mas, ao contrário do que disse Witzel no debate, Garotinho ainda não foi condenado pelo processo. Em maio deste ano, o Tribunal Superior Eleitoral manteve revogada a prisão preventiva do casal. Procurado, Witzel informou que se referia a uma acusação contra Garotinho.


“Romario nomeou um (…) miliciano para seu gabinete no senado”
Wilson Witzel  (PSC), em debate da TV Record, dia 28 de setembro de 2018

FALSO

Witzel falava sobre um ex-assessor de Romário no Senado que é hoje réu por quatro homicídios, ocultação de cadáver, tortura e formação de quadrilha. Wilson Mussauer Júnior deverá ser julgadoneste ano por ter, segundo o Ministério Público, cometido esses crimes em 2004 a mando do jogo do bicho. Não há, no entanto, qualquer informação sobre envolvimento de Júnior com organizações de milicianos no Rio de Janeiro. Em entrevista concedida ao RJTV neste mês, Romário afirmou que Wilson é seu amigo “há muitos anos” e que foi afastado de suas funções ao ser indiciado por esses crimes. Durante o debate da Record, Romário negou que Wilson tivesse envolvimento com milícias. Procurado, Witzel não retornou.


EDUARDO PAES

“Vou pedir que [as Forças Armadas] permaneçam sob o meu comando”
Eduardo Paes (DEM), em Debate Folha, UOL e SBT, 20 de setembro de 2018    

FALSO

A Constituição define que o comando das Forças Armadas é de responsabilidade do Presidente da República – ou seja, o governador de um estado não pode nem sequer solicitar comandá-las. Governadores podem apenas requisitar tropas para operações de Garantia da Lei e da Ordem, que também dependem da decisão do Presidente.

O artigo 142 da Constituição estabelece que “as Forças Armadas, constituídas pela Marinha, pelo Exército e pela Aeronáutica, são instituições nacionais permanentes e regulares, organizadas com base na hierarquia e na disciplina, sob a autoridade suprema do Presidente da República”. Ainda de acordo com a Constituição, compete à União decretar o estado de sítio, o estado de defesa e a intervenção federal. Procurado, Paes não retornou.


“Quanto mais avança para o interior, [mais os] índices de homicídios vão aumentando”
Eduardo Paes (DEM), em debate da TV Record, dia 28 de setembro de 2018

EXAGERADO

Dados do Instituto de Segurança Pública mostram que, entre janeiro e agosto deste ano, os municípios do interior do Rio de Janeiro foram responsáveis por 27,02% dos registros de mortes por letalidade violenta no estado. O índice é o resultado da soma dos casos de homicídios dolosos, latrocínios, lesões corporais seguidas de morte e homicídios decorrentes de intervenção policial. Baixada Fluminense (29,65%) e capital (31,54%) responderam por um percentual maior de casos violentos no estado. No total, ocorreram 4.693 episódios de letalidade violenta nos primeiros oito meses de 2018. Veja os números aqui.


“Não deixei nenhuma dívida na prefeitura”
Eduardo Paes (DEM), em debate da TV Globo no RJ, no dia 2 de outubro de 2018

AINDA É CEDO PARA DIZER

Eduardo Paes é réu em uma ação por improbidade administrativa movida pelo Ministério Público por suposto prejuízo de R$ 144,8 milhões causado aos cofres cariocas em decorrência de ações tomadas por ele em 2016, em seu último mês de mandato. De acordo com a denúncia, a prefeitura cancelou empenhos de até R$ 1,4 bilhão referentes a despesas rotineiras que não foram pagas nem inscritas como restos a pagar. A conclusão foi tomada pela Controladoria Geral do Município. Em junho deste ano, o Tribunal de Contas do Município do Rio de Janeiro (TCM-RJ) concluiu que a operação não causou danos aos cofres da cidade, mas o processo tramita no Tribunal de Justiça do RJ e aguarda para ser julgado.

Procurado, o candidato informou que “a ação que tramita na Justiça foi movida antes de o relatório do TCM ser concluído”

Reveja as checagens sobre o primeiro turno do Rio de Janeiro aqui.

Editado por: Equipe Lupa

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VERDADEIRO, MAS
A informação está correta, mas o leitor merece mais explicações
AINDA É CEDO PARA DIZER
A informação pode vir a ser verdadeira. Ainda não é
EXAGERADO
A informação está no caminho correto, mas houve exagero
CONTRADITÓRIO
A informação contradiz outra difundida antes pela mesma fonte
SUBESTIMADO
Os dados são mais graves do que a informação
INSUSTENTÁVEL
Não há dados públicos que comprovem a informação
FALSO
A informação está comprovadamente incorreta
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