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Foto: José Cruz/Agência Brasil
Foto: José Cruz/Agência Brasil

Joaquín Ortega: Até que ‘fake news’ seja moda do passado, temos de seguir lutando

por Joaquín Ortega
08.out.2018 | 18h52 |

Uma sociedade polarizada é uma sociedade ferida, que geralmente encontramos quando algumas instituições, normalmente as mais importantes, falharam gravemente – às vezes, todas de uma só vez. E talvez como uma reação natural diante da sensação de injustiça, se buscam respostas radicais que nos tiram dos terrenos de convivência e nos aproxima da radicalização.

Nesse momentos críticos, os espaços menos militantes e mais neutros acabam esvaziados, ainda que sejam mais necessários do que nunca. Lógico: ninguém quer estar sozinho. Se diz que a primeira vítima da guerra é a verdade. E, seguindo a analogia, a primeira vítima da polarização é o jornalismo rigoroso. Não por falta de profissionais honestos, mas pelo desinteresse do público. Talvez, também, pela desconfiança.

No século 21 e, acima de tudo, com a popularização das redes sociais nas mãos de qualquer um que tenha um smartphone, os métodos para introduzir informações falsas na sociedade adquiriram uma nova dimensão – diferente e complexa, que gerou a propagação do termo “fake news”. Este termo delimita acertadamente um novo fenômeno de difusão de informação coletiva, que nada tem a ver com o anterior. Um fenômeno que requer um outro enfoque para contra-atacá-lo: o fact-checking.

Este trabalho é, inclusive, ainda mais essencial em sociedades politicamente muito divididas. O público deve ter a possibilidade de encontrar referências que zelem pela neutralidade, que ocupem as zonas que estão fora das trincheiras – que são os únicos locais onde se pode sentar e conversar sem ruído. Não estar nesses lugares não é uma opção. Sempre tem que existir uma fonte que garanta a confiabilidade dos dados, ainda que, às vezes, possa parecer que não se ouça nada no meio de tanto ruído. Nada é para sempre, e tem que haver algo consistente para quando se produzam os silêncios. E se produzirá.

Nos Estados Unidos, teoricamente, referência universal de democracia ocidental próspera e progressista, ocupa a presidência um político que, segundo os fact-checkers do Washington Post, fez 4.229 afirmações falsas ou enganosas em 558 dias de mandato. A contagem foi publicada em agosto, há poucos meses, e nada faz pensar que algo tenha mudado.

Trump, talvez a autoridade pública com mais poder no mundo neste momento, tem declarado guerra a vários meios de comunicação que são referência no jornalismo mundial. Isso deveria desmotivar os repórteres da CNN ou do The New York Times? A resposta claramente é não. Eles sabem qual é a sua missão: defender o que fazem com unhas e dentes e estar disponível para o público, tanto se ele quer ouvir a verdade, quanto se não. Chegará um momento em que Trump será um pesadelo e as “fake news”, uma velha moda do passado. Até que esse dia chegue, temos de seguir publicando. Seguir lutando.

Editado por: Cristina Tardáguila e Natália Leal

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