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Alexios Mantzarlis: Nossas mentes não são e não precisam ser escravas dos políticos

por Alexios Mantzarlis
08.out.2018 | 18h46 |

À diferença do que acontece com a maioria dos jornalistas, o dia seguinte das eleições tende a ser uma jornada tranquila para os checadores. É ao longo da campanha que a atenção dos fact-checkers costuma ser mais consumida. É quando os atores políticos soltam suas frases mais bombásticas e quando o público em geral está mais sedento para saber quem está falando com base em evidências e quem está dando voz a maluquices.

Depois da votação, o noticiário tende a se acalmar. Os políticos passam a opinar sobre os resultados, e o público passa a agir como as torcidas de futebol depois dos jogos. É hora dos comentários – não dos fatos. E isso deixa os checadores meio de lado.

Então pensemos um momento nos fact-checkers brasileiros que têm virado dias e noites combatendo a desinformação e que, em breve, retomarão a luta rumo ao segundo turno presidencial, marcado para o dia 28 deste mês. E adicionemos a isso o fato de que o contexto político brasileiro anda cada vez mais difícil de ser compreendido.

Todos nós perdemos quando estamos diante de fatos exagerados, mais ainda em meio a um cenário político polarizado. E, por diversas razões, os dois candidatos que passaram ao segundo turno da disputa presidencial do Brasil parecem antíteses um do outro e de parte da sociedade brasileira. Isso faz com que os defensores de Jair Bolsonaro (PSL) estejam menos dispostos a aceitar as checagens que concluam que ele está errado. Assim como acontece com os militantes pró-Fernando Haddad (PT).

A polarização política não é, no entanto, uma predestinação. Pesquisas publicadas nos últimos dois anos têm mostrado que até mesmos os militantes mais aguerridos podem mudar de opinião sobre a veracidade de uma frase dita por seu político favorito quando expostos à realidade. Nem todos mudam de opinião, e os leitores mais partidários, menos ainda. Mas nossa capacidade de mudar de ideia quando somos confrontados com os fatos não é e nem precisa ser escrava dos políticos (veja aqui, aqui e aqui).

Assim sendo, espero que haja uma renovação do comprometimento do fact-checking brasileiro como um antídoto à polarização. Para ser objetivo, não se trata de quem vai ser o presidente, mas sim de como ele governará o país. Não se trata de quem vai ganhar o pleito, mas de como a batalha será travada. E, assim, todos devem defender um discurso político de qualidade, baseado em fatos e defender os checadores que vêm – há muito – lutando para que isso aconteça.

Editado por: Cristina Tardáguila e Natália Leal

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A Agência Lupa é membro verificado da International Fact-checking Network (IFCN). Cumpre os cinco princípios éticos estabelecidos pela rede de checadores e passa por auditorias independentes todos os anos

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